Mostrando postagens com marcador Não Ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Não Ficção. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

The Countess (A Condessa)

The Countess
(A Condessa)




“Amor é algo que existe apenas para manter
a mente de camponesas e virgens ocupadas
em um sonho.
A verdade é que ele não existe em nosso mundo”



Uma das histórias que mais tenho curiosidade é a de Lady Bathory apesar de nunca conseguir me aprofundar muito. Minhas principais informações sobre ela eram artigos publicados sobre assassinos da idade média e um documentário obscuro do Biography Channel que a pintava como uma das mais aterradoras assassinas do passado; A Condessa que se banhava em Sangue.

Há alguns anos lembro-me de ter lido a noticia que Julie Delpy (conhecida minha por ter feito a série ER e ser uma lobisomem no fraco “Lobisomem Americano em Paris”), escreveria, dirigiria e atuaria num filme sobre Bathory.

Esperei, mas não me animei. Não colocava fé nem no filme e nem na atriz, e graças aos céus, como eu estava errado...

The Countess, 2009
Bathory (título alternativo)
A Condessa (título em português)
de Julie Delpy

com
Julie Delpy (Condessa Erzsébet Bathory)
William Hurt (Thurzó Gyorgy)
Daniel Brühl (Thurzó István)
Anamaria Marinca (Anna Darvulia)

(Não confundir com o filme “Bathory” de Juraj Jakubisko de 2008)

O filme conta a história da Condessa Bathory, começando com sua infância e passando por seu casamento com o Conde Nadasdy. Após a morte marido, um poderoso guerreiro que lutava contra a invasão otomana, Lady Bathory sabia que precisa mostrar força, assim continua a financiar a campanha militar que seu marido comandava, além de não permitir que outros nobres, ávidos por poder, a ameacem de nenhuma maneira. Erzsébet assim torna-se uma figura respeitada e temida.

Neste tempo conturbado ela recebe uma proposta de casamento do Conde Thurzó, que ela recusa por não considerá-lo um partido a altura, mas logo começa um caso com o filho dele, o jovem Gyorgy Thurzó. O pai ressentido proíbe o encontro deles, e Bathory, que havia apaixonado-se pelo jovem perdidamente, pensa que foi abandonada por Giorgy principalmente por conta da idade. A condessa, então, torna-se obsecada por sua aparência e pela juventude, e vai a extremos tentando se manter jovem e quem sabe conseguir de volta Gyorgy.

- Trailer



- Crítica

Longe de ser uma estreante, Julie Delpy já dirige filmes desde 1995, com importância crescente. Seu filme anterior, 2 Dias em Paris (2 Days in Paris, Julie Delpy, 2007) atingiu uma boa notoriedade, e chegou a ser nominado e ganhar alguns prêmios em festivais europeus, mas a realidade é que nenhum filme dela chegou nem perto da densidade e grandiosidade desta produção franco-alemã.

Diferente do filme que Juraj Jakubisko fez em 2008 sobre Lady Bathory, Delpy consegue orquestrar a sua visão da história da condessa de sangue sem cair na armadilha de desconstruir todo o mito sobre ela. Vemos todos os elementos históricos e míticos de Bathory, apesar da idéia central do filme estar longe de pintá-la como uma assassina bárbara.

A fita funciona bem em todos os níveis, tendo um excelente visual, bom histórico e ação verossímil. Delpy merece grande parte do crédito, interpretando uma condessa capaz de atos atrozes, mas mesmo assim com quem podemos nos identificar. Daniel Brühl (conhecido pricipalmente por seu papel em “Adeus, Lenin!”), Willian Hurt e Anamaria Marinca estão todos muito bem.

- Veredicto

Fãs que queiram passear por uma visão fantasiosa, mas fiel ao mito e em certa dose ao personagem histórico de Lady Bathory podem assistir e se entreter com o filme de Julie Delpy. Recomendável.

- Trivia

Ethan Hawke, Radha Michell e Vincent Gallo teriam papéis no filme. Ethan Hawke faria Gyorgy, Radha seria Darvulia e Gallo interpretaria Dominic Vizakna.

Sobre o filme, Julie Delpy disse em entrevista: “Parece com uma história gótica, mas a verdade é que se trata de um drama sobre como as pessoas reagem ao receberem poder.”

Julie sabia do filme de Juraj Jakubisko, e longe de tentar se distanciar ela chegou a prestar tributo usando umas das musicas do filme de Juraj em seu próprio.

Um dos produtores do filme, Hengameh Panahi já produziu alguns filmes brasileiros. O mais recente foi "O Céu de Suely" (O Céu de Suely, Karin Ainouz, 2006)

A diretora de Arte Astrid Poeschke, já trabalhou em filmes como "V De Vingança" (V for Vendetta, James McTeigue, 2005), e "Operação Valkiria" (Valkyrie, Brian Singer, 2008).

terça-feira, 26 de maio de 2009

The Haunting in Connecticut, Evocando Espíritos

The Haunting in Connecticut
(Evocando Espíritos)




“Num lindo dia no meio da noite
Dois garotos mortos se levantaram para brigar
De costas um para o outro eles se encararam
puxaram suas espadas e atiraram
Um policial surdo ouviu o barulho
Veio e matou os dois meninos mortos”


Eu pouco sabia de Evocando Espíritos, apenas sabia de sua premissa principal, o filme havia supostamente sido baseado em fatos reais. Não é bem assim...

The Haunting in Connecticut, 2009
Evocando Espiritos (em português)
de Peter Cornwell

com
Virginia Madsen (Sara Campbell)
Kyle Gallner (Matt Campbell)
Elias Koteas (Reverend Popescu)
Amanda Crew (Wendy)

Matt é um adolescente com câncer, e sua família faz tudo para ajuda-lo, apesar de todas as dificuldades financeiras e emocionais do processo. Sara, sua mãe, tem que dirigir quilômetros e quilômetros até uma cidade em Connecticut onde fica o hospital onde ele faz tratamento, e chega um momento que isso se torna insustentável. A família, mesmo com dificuldades financeiras enormes, resolve então comprar uma casa nos arredores do hospital, para que não ficasse tão ruim as idas e vindas.

A casa, muito mais barata do que a média, no inicio parece acolhedora e perfeita para a família, mas pouco a pouco coisas estranhas começam a acontecer, e quando a família descobre que a residência já havia sido uma casa funerária já é tarde, eles estão no meio de um conflito entre os espíritos.

- Trailer



- Crítica

Evocando Espíritos é um filme divertido, dirigido por Peter Cornwell que não havia feito trabalhos relevantes no cinema antes deste, mas estrelado por nomes razoavelmente conhecidos como Virginia Madsen (que está muito bem) e Elias Koteas que conseguem passar alguma carga de verossimidade à fita. No entanto, penso que oque faz do filme uma diversão boa para uma tarde é um fato isolado mais do que por todos os esforços dos atores e diretores. A presença premissa de que o filme é baseado em fatos reais.

O filme se esforça para isso, juntando elementos que seriam apoiados pelo sistema de crenças do espiritismo que goza atualmente de algum crédito em relação à comunicação e ajuda a espíritos presos nesta terra.

O aparecimento destes elementos ainda mais num país como o nosso onde que nutre uma grande simpatia pela doutrina de Alan Kardec fez coisas incríveis no cinema... haviam pessoas gritando no cinema conforme a trama se desenrolava. Sustos faziam com que muita gente suspirasse e ouvia comentários das pessoas à minha volta de “Meu deus, tenho que sair daqui.”

Acredito que todos esses comentários, sustos e reações, só foram possíveis por conta de que todos viam oque se desenrolava na fita como algo possível, algo que havia acontecido a uma família e algo que está enraizado em parte da população em seu sistema de crenças pessoais com a continuidade da alma e a existência de espíritos presos em nosso plano, seja eles bons ou maus.

Usar esses elementos (mostrando seções espíritas e médiuns na tela) foi uma forma de comprar a credibilidade com muitas pessoas e leva-las ao terror com as situações, e feito isso desta maneira é mérito sim do diretor e da produção do filme no que tange a controle e criação de um clima.

No entanto nada do que aparece na tela é real, verdadeiro ou realmente baseado em fatos reais... isso não torna o filme pior, de maneira alguma... se o diretor conseguiu levar os expectadores a experimentarem uma gama de sentimentos por estímulos, é mérito dele, mas infelizmente (como é exposto ao final desta critica) nada do que se vê na tela é real e portanto fica a pergunta, as pessoas teriam as mesmas reações que pude ver no cinema (e que muitos poderiam experimentar mesmo em casa) se eles não ficassem dizendo a todo minuto que as coisas na tela são reais e baseadas num fato que aconteceu supostamente com uma família comum e “boa” como pode ser a do expectador?

Não sei... acho que não.

- Veredicto

Com a utilização por parte do diretor de elementos que soam reais e de uma história teoricamente baseada em fatos reais o filme segue assustando uma multidão de expectadores, no entanto de real o filme pouco tem.

- A Verdade sobre o filme “Haunting of Connectcut” (contém MUITOS spoilers)

A história real que deu origem ao filme e a um livro é de Allen e Carmen Snedeker, um casal que realmente como o filme se mudou para poder ajudar no tratamento do filho contra um câncer. Diferença principal aí seria o fato de não ter essa separação entre casa nova e velha; quando a família se mudou, se mudou. Não teve essa parte de “duas casas duas hipotecas” como vimos no filme que visava principalmente mostrar uma família que enfrentaria dificuldades financeiras imensas para cuidar do filho. As dificuldades existiam, mas de maneira bem menos dramática da que foi mostrada na fita. 

Vale ressaltar que não havia sobrinhas ou outras pessoas na família. O casal tinha uma filha mais velha e três filhos pequenos... sendo um dos filhos pequenos o que tinha câncer.

Além disso, os primeiros a perceberem qualquer sinal de aparições não foram as crianças pequenas, foram os pais, eles começaram a ver coisas e a experimentar situações que eles classificavam como inexplicáveis, no entanto, os filhos, se experimentaram algo foi em seguida aos pais e não da maneira como foi mostrada, onde o filho doente e fragilizado seria o ponto principal das aparições e da sensibilidade ao que acontecia.

Sobre a casa podemos falar que sim, havia sido um estabelecimento funerário, mas longe de ser da forma como foi mostrado no filme. Não haviam moveis ou quartos com objetos da casa funerária, não haviam livros, coisas nas paredes, ou absolutamente nada assim. O único vestígio da casa funerária deixado para trás foram algumas garrafas de liquido embalsamador... assim tudo que mostra no filme em relação a fotos, objetos e principalmente a sala de embalsamamento no porão é absolutamente falso, nada daquilo realmente estava lá e isso inclui as “pálpebras” e outros objetos tidos como utilizados na criação ou utilização de necromancia. Na realidade, apenas o espaço da casa havia sido utilizado por uma funerária e não haviam corpos enterrados no local ou coisa alguma nesse sentido.

Chegamos agora ao ponto principal das aparições, e esta parte talvez seja a parte mais diferente da realidade. Creio que muitas pessoas acreditavam e chegaram a ter grandes reações ao filme no cinema pelo fato se serem espíritos e serem mostrados “médiuns” e “seções espíritas” com a presença de “pesquisadores sérios e cientistas”.

Absolutamente nada disso aconteceu.

As aparições na casa não foram de espíritos, não foram conduzidas seções espíritas e na história original não houve médiuns ou qualquer pessoa relacionada a doutrina de kardec. A família, e isso vale ressaltar, não foi em nenhum momento assolada por espíritos. A família real do fato foi assolada por DEMÔNIOS, que tinham chifres e cauda pontuda... (oque é bem difícil de qualquer pessoa normal acreditar e levar muito a sério hoje em dia... no entanto, em relação a espíritos há uma maior aceitação).

E a partir deste fato a história real fica cada vez mais fantasiosa a ponto de não ter credibilidade nenhuma. O casal real da história via demônios em casa, e eles faziam coisas como sexo com a mãe e com o pai. O casal reportava que eles eram estuprados pelos demônios com constância praticamente diária. E pior, isso se deu por ANOS sem que eles achassem que fosse um problema suficientemente grande para que vendessem a casa ou fossem embora dela.

E como o problema acabou. Um casal de “estudiosos do sobrenatural” famosos Ed and Lorraine Warren foram a casa e “expulsaram” os demônios com rituais próprios. Em seguida achando que a história poderia dar algum lucro como em Amityville, os “estudiosos do sobrenatural” compraram a história da família e pagaram a um autor de ficção chamado Ray Garton (responsável inclusive por escrever sobre Buffy A caçadora de Vampiros) para escrever o relato real do que aconteceu na casa.

Até aí tudo bem... mas o escritor simplesmente achou impossível escrever qualquer coisa vagamente real, e a verdade é que a família mudava o relato praticamente cada vez que o contava... quando estavam sozinhos contavam de uma forma e quando estavam juntos a história era bem diferente... as datas e quando tinham começado também mudavam e logo o autor viu que não podia escrever nada “real” assim... resolveu apenas usar lugares e a idéia geral e escreveu um livro rentável e que misturava espíritos (que até então não existiam, era uma história sobre demônios) médiuns e esse tipo de coisa (quando NADA disso realmente apareceu) e fez um livro “vagamente baseado em fatos praticamente reais”.

Vale ressaltar que a casa NUNCA foi demolida, queimada ou nada deste tipo... ela no máximo foi reformada, e o filho não recebia um tratamento experimental como mostrado. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Valkyrie, Operação Valquíria

Vakyria
(Operação Vaquíria)




“Temos que mostrar ao mundo que não somos como ele. Se não fizermos nada será a Alemanha de Hitler para sempre”


Operação Valquíria é um filme singular por diversos fatos. Houve problemas na produção, houve perda de cenas inteiras que tiveram que ser refilmadas e houve protestos anti-cientologia em vários lugares na estréia.

Tentamos nos distanciar de tudo isso para escrever a critica abaixo.

Valkyrie (2008)
Operation Walküre - Das Stauffenberg-Attentat
Operação Valquíria
de Bryan Singer

com
Tom Cruise (Colonel Claus von Stauffenberg)
Kenneth Branagh (Major-General Henning von Tresckow)
Bill Nighy (General Friedrich Olbricht)
David Bamber (Adolf Hitler)


Durante a Segunda o General Claus von Stauffenberg já tinha percebido que cada vez mais a Alemanha caminhava para uma derrota humilhante principalmente impelido pelas decisões erradas de Hitler e sua política questionável. Após um incidente, severamente ferido ele retorna à Berlim e é contatado por um grupo de traidores que já havia tentado assassinar Hitler explodindo uma bomba em seu avião.

Von Stauffenberg se une aos conspiradores com ressalvas, mas num momento de inspiração pensa utilizar-se de um plano singular para tomar a Alemanha de Hitler em pouco tempo, a Operação Valquíria.

Valquiria é o nome da operação que reagiria contra problemas internos na Alemanha mobilizando o exercito reserva e respondendo imediatamente. A intenção de Von Stauffenberg era mudar levemente ao plano, dando mais poder de mando a algumas áreas controladas da inteligência fazendo com que eles pudessem utilizar o exercito contra a Gestapo e a SS, tomando o governo central, estendendo o poder às outras regiões da Alemanha e regiões ocupadas, e por fim dialogando uma trégua com os Aliados.

Para que o plano pudesse ser colocado em prática, além das mudanças Hitler deveria estar morto e eles teriam que fazer com que as mudanças na operação fossem aprovadas pelo próprio Hitler.

Os conspiradores conseguem homens em todos os níveis da máquina nazista e colocam o plano em prática, mas como o General Friedrich Olbricht falou antes da execução. “É uma operação militar, e nada ocorre sempre como o planejado”.

- Trailer



- Critica

Operação Valquíria foi um filme conturbado. Nasceu da vontade de Tom Cruise após ver uma foto do verdadeiro Claus von Stauffenberg. Tom notou uma semelhança física entre ambos impressionante e após conhecer sua história resolveu, mergulhou de cabeça na produção.

E talvez seja este o seu único ponto fraco.

Operação Valquíria é um filme bom, isso não se tem duvidas, ele cumpre seu papel, entretendo, prendendo a atenção do expectador, conta com atores competente e podemos dizer até mesmo que historicamente ele nem comete deslizes graves (o filme toma algumas liberdades, omite alguns dos personagens históricos originais e algumas situações, mas oferece um panorama médio historicamente válido).

Assim porque um filme com tantas qualidades não é excelente?

Difícil dizer, mas parte disso é por conta do sr. Cruise. Aparentemente ele achou que a semelhança física com von Stauffenberg seria o suficiente para conduzi-lo pelo papel, e isso foi um erro gigantesco. No filme ele parece um robô programado para simplesmente parecer com o coronel, sem corroborar seu status ou se entregar ao papel e interpreta-lo.

Tom Cruise se parece com ele e só. E como o filme é 80% sobre ele ficamos a ver navios, apesar de todo o restante da trama conspirar para que tudo dê certo. Os dilemas morais, sentimentos familiares, sentimentos cívicos e tudo que possa passar pela mente de alguém que faz oque Claus von Stauffenberg estava fazendo simplesmente se perde num único ato do ator. Olhares para a câmera.

Estamos conspirando? Olhar fixo para a câmera.

Tive a idéia de como tomar a Alemanha? Olhar fixo para a câmera

Posso nunca mais ver minha esposa? Olhar fixo para a câmera.

Com ou sem o tapa olho o filme segue em sua mediocridade de olhares. Oque é uma lástima principalmente porque a produção foi decente, e os outros atores foram seguros. Bill Nighy como o hesitante Friedrich Olbricht está muito bem, assim como Kenneth Branagh como o Major-General Henning von Tresckow e Terence Stamp como Back.

Sinto-me na obrigação de falar também de David Bamber, que interpretou Adolf Hitler. Bamber não fez mal, mas o problema é que ele chegou arrasado para o papel, pois depois que Bruno Ganz interpretou Adolf Hitler em A Queda (Der Untergang, Oliver Hirschbiegel, 2004) todos os atores que interpretarem o ditador serão assombrados, tamanho o arrebatamento de sua interpretação.

No final, o filme de Bryan Singer não é ruim, de modo algum, mas simplesmente ele naufraga num mar de mediocridade que não merecia.

- Veredicto

Operação Valquíria acerta na mão em diversos níveis de produção, roteiro, acompanhamento histórico e na maioria dos papéis, no entanto, soa forçado, e não passa de bom por conta do desempenho de Tom Cruise, que não consegue ser convincente no papel título fazendo um herói alemão da profundidade de um pires.

- Trivia

Inicialmente foi orçado em 75 milhões, mas os problemas enfrentados geraram um aumento gigantesco e estima-se que tenha custado por volta de 90 milhões de dólares.

Em 2004 houve um filme para TV alemã também falando de e da Operação Valquiria, o filme se chama Stauffenberg (Stauffenberg, Jo Baier, 2004) e apesar de ser considerado excelente por conta das atuações, o roteiro foi considerado fraco e a produção descuidada.

Tobias Moretti foi cotado para interpretar Hitler, mas abandonou o projeto por conflito de horários.

Várias partes tiveram que ser refilmadas quando o filme original foi tratado com produtos químicos errados, e isso atrasou a produção em meses.

Na Alemanha há inúmeras leis contra suásticas e por isso durante as filmagens em locais abertos o símbolo era usado normalmente invertido e quando haviam momentos cruciais onde o símbolo devia aparecer obrigatoriamente certo eram colocados avisos à distância. Apesar do cuidado dos produtores houve mais de uma queixa formal de moradores locais.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Defiance, Um Ato de Liberdade

Defiance
(Um Ato de Liberdade)




“Deus Misericordioso,passamos nossos amigos aos seus cuidados.
Não temos mais rezas,não temos mais lágrimas.
Nosso sangue esgotou.
Escolha um outro povo.
Cumprimos cada um dos seus Mandamentos.
Cobrimos cada pedra e campo com cinzas.
Santifique uma outra terra.
Escolha um outro povo.
Ensine-os sobre as Escrituras e as Profecias.
Nos conceda apenas mais uma
bênção... retire nossa dádiva,a santidade.”

- Discurso durante um Funeral


Tive contato com “Um Ato de Coragem” por inúmeros sites de cinema, mas quase nenhum deles falava sobre o filme em si; diziam apenas sobre o orçamento, que Edward Zwick havia conseguido uma proeza de fazer um filme de guerra realista com apenas 32 milhões (a titulo de comparação, os últimos filmes do diretor foram O Ultimo Samurai, que custou 170 milhões e Diamante de Sangue, que gastou 100 milhões).

Talvez até pela falta de informações apenas me animei a vê-lo após ver o Trailer.

E vale a pena.

Defiance (2008)
de Edward Zwick

com
Daniel Craig (Tuvia)
Liev Schreiber (Zus)
Jamie Bell (Asael)
George MacKay (Aron)
Alexa Davalos (Lilka)
Mia Wasikowska (Chaya)

Um Ato de Liberdade conta a história dos irmãos Bielski: Tuvia, Zus, Asael e Aron, que após a morte de seus pais, de seus parentes e a maioria de seus vizinhos e amigos por policiais locais a mando dos soldados alemães, resolvem se esconder nas florestas da Bielorrusia, onde de maneira quase não intencional começam a agregar outros judeus, que como eles, também se refugiaram ali.

O grupo inicialmente tem a intenção de lutar contra os alemães, mas são poucos os que podem combater e depois de algumas experiências ruins, Tuvia assume o comando e resolve que os refugiados irão apenas sobreviver sem lutar, se escondendo, roubando as fazendas locais por comida e mudando o acampamento todas as vezes que os alemães se aproximarem.

Nem todos concordam e Zus, que acredita que a batalha seria uma forma de libertação mais digna e que Tuvia está liderando um bando de aproveitadores, após alguns conflitos resolve se separar e juntar-se ao exercito russo que combate os alemães na área.

E enquanto mais Judeus aparecem no campo de Tuvia e Zus começa a lutar com os russos o inverno se aproxima e os irmãos se distanciam.

- Trailer



- Critica

Apesar de ter feito filmes recentes famosos e muito bons como Diamante de Sangue (Blood Diamond, 2006) e O Ultimo Samurai (The Last Samurai, 2003) Edward Zwick talvez seja mais conhecido pela obra prima Tempo de Glória (Glory, 1989) que ganhou 3 Oscars e o consolidou como diretor de filmes sólidos de guerra ou que combates seguem firme como pano de fundo.

Sua direção firme nos leva a gélida floresta da Bielorrusia, e consegue passar bem a dificuldade de fazer inúmeras pessoas completamente diferentes viverem e trabalharem em conjunto, como se dava a construção dos acampamentos, como as pessoas sofriam ao se esconder, a fome, o frio e como aqueles que escolheram esta forma de sobrevivência encaravam tudo isso.

Com maestria soube mostrar o inicio um tanto hesitante do líder Tuvia, seu crescimento, suas ações e como protegia e mantinha seu povo, de modo que pouco mais poderíamos esperar de Zwick uma vez que consegue nos passar fome quando eles sentem fome, frio, quando sentem frio e alegria singela, nos poucos momentos que isso é possível.

A fotografia é realista e por vezes artística não se valeu de efeitos especiais grandiosos ou cenas em estúdio como seria o comum em filmes assim. Um Ato de Libertade, foi filmado praticamente de maneira física, oque ajudou muito na credibilidade do filme, evitando os efeitos pesados e não realistas de uma floresta puramente digital. As filmagens aconteceram nas florestas da Lituânia, a poucos quilômetros de onde aconteceram os verdadeiros conflitos do filme e ajudando a criar um ambiente verossímel para a ação.

Todos os atores soam realistas, mas podemos destacar Allan Corduner, como o professor Shamon Haretz que mesmo não sendo um dos papéis principais junto com Mark Feuerstein, que faz o intelectual Isaac Malbin, conseguem passar bem o pensamento dos judeus a época, mostrando o conflito de gerações e como encaravam as decisões tomadas no mundo.

Dos irmãos, Daniel Craig e Liev Schreiber se destacam por mostrar com realidade o conflito entre eles, apesar dos mais jovens, George MacKay e Jamie Bell também fazerem um bom trabalho.

- Veredicto

Sem ressalvas é um filme acima da média. Não é uma aula de história e simplifica muitos fatos que aconteceram na guerra naquela parte da Europa, mas isso não é nem de longe um pecado grave numa guerra com tantas facetas e tanta história. O filme vale a pena sendo extremamente recomendável sendo um dos bons filmes sobre a segunda guerra feitos recentemente.

- Trivia

Após discussões em filmar Um Ato de Liberdade na Romênia ou Polônia, o filme acabou por ser rodado nas florestas da Lituânia em três meses. Vários descendentes do verdadeiro grupo foram usados como consultores e para figuração, passando uma credibilidade impar ao filme.

É estimado que o local das filmagens ficasse apenas a 150 Km do local real onde os irmãos Bielski realmente montaram seus acampamentos.

Foi filmado em 2007, assim Daniel Craig fez o papel antes de interpretar James Bond no segundo filme da série com sua participação.

Houve uma possibilidade do filme ser realizado em 1999, mas o projeto foi abandonado por conta do orçamento cotado em 50 milhões de dólares.

Jamie Bell, que interpreta Asael e é um tanto famoso por ter interpretado Billy Elliot no filme homônimo em 2000 foi escalado para interpretar Tintin, o primeiro filme da série a estrear em 2011.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Che: Part One, Che O Argentino

Che: Part One
(Che, O Argentino)




“Garoto, ninguém é tão necessário ou indispensável nesta vida.”

Falam da produção deste filme desde 2004 quando saiu o Diários de Motocicleta de Walter Salles. Lembro que na maioria dos fóruns sobre cinema classificavam um filme “Made in USA” feito após Diários de Motocicleta, como uma tentativa automaticamente falha de retratar a história de Che.

Mas Steven Sorderbergh fez um excelente trabalho nesta história em duas partes que a primeira parte eu resenho aqui.

Che: Part One
de Steven Sorderbergh

com
Benicio Del Toro (Ernesto Che Guevara)
Julia Ormond (Lisa Howard)
Demián Bichir (Fidel Castro)
Rodrigo Santoro (Raúl Castro)
Catalina Sandino Moreno (Aleida March)

Che, O Argentino, conta como Ernesto “Che” Guevara se uniu a Fidel Castro, seu irmão e um grupo de 82 “loucos” saíram do México em direção à Cuba, para liberta-la. O filme mostra tanto a ação em si, retratando como Che subiu postos até se tornar comandante, enquanto intercala momentos da visita dele à Nova Iorque em 1964, onde conta a jornalista Lisa Howard como fora a revolução cubana.

- Trailer



- Crítica

É muito difícil assistir um filme sobre Che Guevara, pois, assim como tantas figuras ele assumiu um caráter praticamente lendário, fazendo com que qualquer coisa sobre ele ou sua vida possa soar falso, inumano ou extremamente idealista. Muitas vezes chegamos ao cúmulo de ver produções sobre sua vida que o mostram como um salvador de proporções bíblicas ou exatamente o oposto, um monstro tal qual Godzilla.

Diários de Motocicleta (Diários de Motocicleta, Walter Salles, 2004) talvez tenha sido a primeira tentativa de mostrar um Che humano, não ligado ao seu futuro revolucionário, apesar de extremamente apegado a seus ideais com um resultado singelo (mas às vezes um tanto forçado).

Já a película de Soderbergh consegue fazer um trabalho um pouco melhor do que a maioria das tentativas anteriores de retratar o Che mítico por um único fator, se atém apenas a uma visão, a do próprio Ernesto Guevara. O filme é baseado nas memórias escritas por Che, e, fazendo um filme fiel e honesto a elas como foi feito, o diretor foi extremamente feliz.

Temos uma trama mista, onde hora nos vemos com um Che pós revolução fazendo seus famosos pronunciamentos nos Estados Unidos hora vemos a revolução acontecendo diante de nossos olhos, em meio a selva cubana mostrando passo a passo como o exercito revolucionário passou de Sierra Maestra expandindo seus domínios até chegar a Havana.

A escolha dos atores foi perfeita. Benicio Del Toro como poucos, encarnou o personagem sendo a imagem viva de Ernesto Guevara que vemos vendida em camisetas e adesivos em todos os lugares e mais que isso, ele conseguiu interpretar o líder muito bem (talvez passando um pouco mais de credibilidade a ele quando mais velho do que quando mais jovem).

Demian Bichir como Fidel também está excelente convencendo perfeitamente com a imagem do ditador cubano que todos conhecemos. A única ressalva em sua atuação seria justamente o fato de Bichir ter claramente se inspirado a falar como o Fidel publico que conhecemos, fazendo que o personagem soasse às vezes um tanto quanto artificial, uma vez que fala, mesmo para uma pessoa, com os trejeitos e a entonação como se estivesse falando em seus intermináveis discursos. Isso não chega a ser uma falha, uma vez que faz com que todos que assistam consigam ligar fortemente o personagem à imagem mental que temos dele agora, no entanto, soa forçado como uma forma de retratação fiel do mesmo.

Rodrigo Santoro não se destaca como Raul, mas talvez seja este o real papel do irmão de Fidel durante a revolução. Já Catalina Sandino Moreno como Aleida e Julia Ormond como Lisa Howard completam o elenco com papéis sólidos e bem interpretados.

Ressaltamos que a produção foi feliz com as locações, todas muito bem preparadas e convincentes; das cidades às florestas podemos dizer que o ambiente e clima criados para a passagem da trama foram perfeitos criando um pano de fundo onde a história pode se desenvolver bem. Artisticamente, o balanço entre colorido e preto e branco foi muito bem colocado mostrando um flash back às avessas, onde o “futuro” das pós revolução aparece preto-e-branco e o passado revolucionário é retratado em cores vivas com uma assinatura artística interessante e ajudando na criação do clima.

A única ressalva que teria sobre a película vem não pelo filme em si, mas justamente pelo realismo que ele pode passar. A um desavisado poderia soar até como documentário e nota histórica e isso de todo jeito não acontece e não seria nem prudente e nem real de se assumir. É um filme, um filme bem feito e que justamente mostra a visão do personagem título da situação, e apesar de seria, esta única visão mostra tudo que não diz respeito a revolução ou seus reflexos com uma simplicidade insustentável.

- Veredicto

O filme sobre o Argentino mais famoso do mundo é bom, bem construído e bem feito em todos os sentidos técnicos e que dizem respeito a proporcionar entretenimento contando uma história. Por este fator é um filme que vale a pena ser visto e altamente recomendável.

- Trivia

O filme foi produzido, entre outras pessoas, pelo próprio Benicio Del Toro.

Os filmes Part I e Parte II foram filmados juntos, sendo separados apenas por uma questão de tempo. Ambos foram passados juntos sob o título único de CHE no festival de Cannes de 2008.

Ryan Gosling iria fazer o papel de Beni Ramirez e chegou a ter aulas de espanhol, mas houve complicações durante o processo de filmagem e por isso ele abandonou o projeto.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Gomorra

Gomorra
(Gomorra)



Assisti Gomorra apenas por um motivo. Sabia do filme, sabia de sua existência, mas não me interessei por ele até estar num cinema e ver àquela que é a mais antiga forma de propaganda de filmes: o Trailer.

E não me decepcionei, o filme é excelente.

Gomorra (2008)
de Matteo Garrone

com

Salvatore Abruzzese (Totò)
Gianfelice Imparato (Don Ciro)
Carmine Paternoster (Roberto)
Salvatore Cantalupo (Pasquale)
Marco Macor (Marco)
Ciro Petrone (Ciro)

A policia invade um conjunto habitacional caindo aos pedaços, onde as pessoas se amontoam uma sobre às outras em meio a várias passarelas de concreto. Os bandidos locais já haviam dado o sinal e quase todos conseguem fugir, apesar de um dos marginais, enquanto corria da policia, deixar sua arma cair. Um menino assiste tudo através de uma fresta em sua janela.

O menino atravessa a rua, pula muros e evita a policia para pegar a arma. Ele a devolve ao bandido que o paga algum dinheiro, mas o garoto não parece interessado nisso. “Como posso trabalhar para vocês?” e o traficante apenas sorri dizendo o irá procura-lo quando chegar o momento.

A cena acontece na Itália, mas não é diferente do Brasil onde vemos tantos jovens serem arrastados para a criminalidade por necessidade, falta de emprego, glamour, esperança de dinheiro rápido e às vezes por total possibilidade de escolha. O garoto da história é Toto e é assim que ele entra para a Camorra, a máfia napolitana.

Passando em diversos planos, entre outras coisas, Gomorra procura mostrar como se dá o recrutamento de novos membros da Camorra, quer seja como o garoto Toto ou o universitário desempregado Roberto; como são tratados àqueles que saem da linha como os bandidos de terceira categoria Marco e Ciro; e, principalmente, até onde chega sua influência, indo da alta costura Italiana até o acobertamento de resíduos tóxicos.

- Trailer



- Critica

É impossível ver Gomorra e não traçar um paralelo com Cidade de Deus (Cidade de Deus, Fernando Meirelles, 2002), uma vez que ambos os filmes falam sobre a criminalidade, como se entra nela e como se vive em meio a ela. Ambos os filmes mostram que a criminalidade é um problema de complexo, mas de caráter universal; a diferença entre ambas as realidades é, talvez, apenas a organização.

Mas na mesma medida da igualdade os filmes são diferentes. Cidade de Deus ainda é uma história sobre esperança, sobre como o personagem principal, Buscapé, consegue escapar da realidade de violência e pobreza ao seu redor, mesmo tantos e em tanta quantidade ficando no caminho. Gomorra, ao contrário, é um filme desalentador, sem personagens engraçados ou virtuosos e em nada tem em termos de esperança.

Os atores (em maioria na verdade, não-atores) são excelentes em passar a realidade crua do filme, sejam eles donas de casa cujos maridos foram presos e agora recebem dinheiro da máfia para se manter, sejam crianças já no crime, não vemos no filme nenhuma brecha ou reflexo de má atuação, todos são eles mesmos, os personagens e criam uma atmosfera perfeita a um filme que tanto exige para ser verossímil.

A fotografia também foi finamente trabalhada, as tomadas são áridas como quase nunca vemos num retrato da europeu. Outros filmes italianos, mesmo àqueles com histórias pesadas, sempre deixam retratar a Itália bela, exuberante. No filme de Matteo Garrone não, a decadência de valores que vemos em alguns dos personagens se refletem na paisagem; ouso dizer que não temos nenhuma passagem de beleza (numa Itália que todos sabemos ser bela) as ruas são mal cuidadas, o conjunto habitacional (mesmo sem contar o grau de pobreza que poderia chocar um brasileiro) é decadente e até mesmo Veneza é mostrada apenas como uma sucessão de tons cinzentos.

Baseado no livro de Roberto Saviano e dirigido com maestria por Matteo Garrone Gomorra choca, não só pelas cenas, mas por tudo aquilo que a Camorra faz. O filme acaba por nos revelar o quanto da máfia nos toca, estendendo seus tentáculos desde a família mais humilde, passando pela alta costura Italiana e indo até mesmo à reconstrução do WTC.

- Veredicto


Por um conjunto consistente, uma história que prende, um roteiro bem construído e por falar de um problema ainda tão atual, Gomorra é um filme indispensável, merecendo ser visto, e, principalmente, ouvido como o alerta que é.

- Trivia

Tanto o Diretor, Matteo Garrone, quanto o autor do livro e roteirista do filme Roberto Saviano sofreram inúmeras ameaças da Camorra por expor a organização. Atualmente estão em proteção permanente pela policia Italiana.

Reforçando o caráter polêmico do filme três atores que participaram das filmagens: Giovanni Venosa, que interpreta um dos chefes locais da máfia na película, foi preso por trafico de drogas e extorsão; Salvatore Fabbricino, que representava um jovem que fazia trafico no filme, foi preso sob a mesma acusação de seu papel e Bernardino Terracciano, que faz o papel de “Tio Bernardino” foi preso por envolvimento no assassinato de imigrantes africanos.

No filme Scarlett Johansson aparece (e é creditada como Imagens de Arquivo) usando a roupa supostamente feita pelo Mestre Pasquale.