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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Forbidden Planet (O Planeta Proibido)

Forbidden Planet
(O Planeta Proibido)




“Não importa onde você esteja na galáxia,
Isso é um pesadelo...”

- Lt. “Doc” Ostrow, se referindo a pegadas monstruosas no chão.


Meu primeiro contato com o filme foi feito de maneira completamente indireta. Havia uma loja de RPG em São Paulo, muito famosa nos anos 90, chamada Forbidden Planet, e procurando pela página dela, ainda nos tempos da internet discada, descobri que o nome da loja havia sido inspirado num filme de Ficção Cientifica antigo. Não dei mais importância que isso até por volta de 98 quando saiu uma lista dos 100 melhores filmes de fantasia e Forbidden Plannet estava entre os primeiros.

Procurei vagamente o filme até que por total acaso ontem o vi na TV a cabo (TCM).

E afirmo que praticamente toda a FC (ou SCI-FI) de hoje faz referência direta ou indireta a este filme.  

Forbidden Planet, 1956
O Planeta Proibido (em português)
de Fred M. Wilcox

com
Walter Pidgeon (Dr. Edward Morbius)
Anne Francis (Altaira 'Alta' Morbius)
Leslie Nielsen (Commander J. J. Adams)
Robby o Robô (Ele Mesmo)

Num futuro, a nave C-57D da federação dos Planetas Unidos (UP) é enviada ao planeta Altair IV para investigar a falta de comunicação deles para com seus compatriotas na terra há anos, mas ao se aproximarem são avisados pelo Dr. Edward Morbious, que não devem pousar ou estariam em grande perigo.

Cumprindo as ordens da federação, o Comandante J. J. Adams, segue com o plano e eles descobrem que praticamente toda população de Altair IV sucumbiu a um grande mal. Todos com exceção de Morbious e sua família.

Com a morte de sua esposa, Morbious e sua filha vivem sozinhos no Planeta, mas com a vinda da nave aparentemente a força estranha que matou todos os outros residentes volta, e um a um os tripulantes da C-57D começam a morrer.

- Trailer



- Crítica

Forbidden Planet é sempre apontado como um marco na ficção científica, e não é pra menos, o filme realmente consegue soar atual mesmo nos dias de hoje, além de ser bem filmado, equilibrado e contar inúmeras texturas dentro de si, pois, além de ser um excelente filme de ficção consegue sustentar um mistério de maneira bastante competente.

Talvez na época que fora filmado a película poderia ser, por muitos, colocada na vala comum dos filmes B de ficção, mas nada poderia passar mais longe da realidade. Forbidden Planet definiu como seriam os filmes de ficção de agora, e com mistério, comédia, romance e lutas memoráveis continua sendo lembrado conseguiu envelhecer bem, entrando pro Hall de filmes atemporais.

A direção de Fred M. Wilcox está impecável, talvez um tanto lenta para os dias atuais, mas consegue equilibrar tudo muito bem. Dos atores, temos que destacar os papéis interpretados por Anne Francis, impecável como a filha de Morbius que nunca antes havia visto outro homem que não fosse seu pai e que gera cenas que vão de engraçadas a constrangedoras por isso e Leslie Nielsen, que interpreta o comandante J. J. Adams (um precursor do Capitão Kirk) provando a minha geração que o viu apenas fazendo comédias, que Leslie era sim um ator multifacetado e não apenas o senhor nonsense das comédias que crescemos assistindo.

- Veredicto

Com efeitos inovadores para a época, um enredo interessante, psicológico e com aventura e mistério, O Planeta Proibido é um marco na ficção científica mundial, influenciando e soando um tanto atual mesmo nos dias de hoje. Fãs que acham que Star Wars e Star Trek são 100% originais, assistam este velho clássico e percebam o quanto não foi aproveitado pelos mestres da geração de ouro do Sci-Fi. Altamente recomendável.

- Trivia

O filme é vagamente inspirado na Tempestade, de Shaskespeare, com o planeta fazendo o papel da Ilha, Robby sendo Ariel e a criatura sendo Caliban.

Leslie Nielsen, hoje tão famoso por filmes de comédia como Corra que a Policia vem Aí e tantos outros, aparece jovem e galante no filme.

Há uma referência obvia à frase inicial de Robby e a fala inicial de c3po de Guerra Nas Estrelas (Star Wars, George Lucas, 1978).

Assim como em Star Trek eles fazem parte de uma “federação” de planetas e o médico é chamado de “doc” em situações muito parecidas com a de McCoy. Em entrevistas com o criador de Star Trek Gene Roddenbarry ele afirmou categoricamente se tinha se inspirado em Forbidden Planet. “Claro que sim!” respondeu.

Robby, estranhamente creditado no filme como “ele mesmo” apareceu (e aparece) em inúmeros filmes de Ficção Cientifica até hoje, sendo Forbidden Planet seu debut. Filmes incluem, “O menino invisível” de 1957, Gremlins de 1984, Looney Tunes - De Volta à Ação de 2003 entre outros. Em séries ele apareceu em “Perdidos no Espaço”, “Ark 2”, Além da Imaginação”, “Simpsons”, “Futurama” entre muitos outros tendo feito mais de 25 filmes e séries, sempre creditado como se fosse um ator próprio.

O robô da série “Perdidos no Espaço” é obviamente inspirado em Robby. Além disso Robby também apareceu na série uma vez.

Em Serenity (Serenity, Joss Whedon, 2005) o grupo vai atrás na nave C-57D no planeta Miranda. Isso é uma referência tanto ao Forbidden Planet quanto à Tempestade.

É dito que o aço adamantino dos Krell inspirou o Adamantium, o metal fictício usado nas garras do Wolverine.

Foi o primeiro filme a conter uma trilha sonora completamente “eletronica” que foi um marco para a época.

A parte que mostra Robby entrando em um dilema quando ordenado a matar o Comandante foi feita porque a criação de Robby foi inspirada nas leis da Robótica de Isaac Assimov.

O filme foi concebido em duas versões. A versão “matinè” onde não aparece a “indecente” parte do imediato ensinado Alta a beijar, além de diversas outras cenas de beijo e a versão “adulta” com todos os beijos que se podiam dar num filme dos anos 50.

Para 2010 está programada uma refilmagem, apesar de não termos nenhum diretor e nem atores escalados ainda.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

TRON (Tron: Uma Odissea Eletronica)

TRON
(Tron: Uma Odisséia Eletrônica
)



“Você acredita na existência do Usuário?”
“Claro... alguém tem que ter me escrito”


Assisti Tron há anos... o filme é do ano do meu nascimento e passou na TV quando o videocassete já era popular, pois lembro de tê-lo assistido gravado de alguma programação da madrugada. Com toda certeza sei que na época não o entendi (e assistindo novamente sei que a história era complexa mesmo), mas na hora isso não pareceu muito importante, pois quando era mais jovem o grande apelo do filme eram os estonteantes efeitos especiais.

Hoje em dia eles são talvez vistos como um tanto primários, algo risível para o garoto de 14 anos que já nasceu vendo coisas com computação gráfica na TV, mas no meu tempo (deuses estou soando velho), o filme era um vislumbre do futuro.

O assisti agora novamente por dois motivos; o primeiro deles é que TRON foi um marco, a cultura pop pega emprestado inúmeros de seus artifícios e ao assistir Family Guy parodiar a famosa cena da luta das motos, senti muita vontade de rever o filme. O segundo motivo foi que descobri que está sendo filmada a segunda parte, TRON 2.0 e deverá ser lançado nos próximos anos.

Contra todos os prognósticos, 27 anos depois, o filme continua um tanto atual e muito, muito bom.

TRON, 1982
Tron (escrita alternativa)
Tron: Uma Odisséia Eletrônica (em português)
de Steven Lisberger

com
Jeff Bridges (Kevin Flynn/Clu)
Bruce Boxleitner (Alan Bradley/Tron)
David Warner (Ed Dillinger/Sark)
Cindy Morgan (Dr. Lora Baines/Yori)

Flynn é um programador brilhante que havia escrito vários jogos que vieram a se tornar sucessos, mas ele não recebe um centavo por isso, pois ele os escreveu no mainframe da ENCOM, a empresa onde trabalhava, e outro programador, Ed Dillinger, se apropriou dos seus jogos. Dillinger ganhou rios de dinheiro, cresceu na hierarquia da companhia e conseguiu que demitissem Flynn. Dillinger também é o responsável por criar um programa chamado Master Control Program (MCP), que lentamente tomou conta de todos os aspectos da programação na empresa, ditando regras, tolhendo a liberdade dos programadores e vigiando oque cada um deles fazia gerando desgaste e frustração entre os empregados da ENCOM.

Alheio a isso Flynn vez por outra tenta invadir o mainframe da ENCOM procurando provas de que seus jogos foram roubados, mas sempre o MCP consegue descobrir e impedi-lo.

Numa dessas tentativas, o programa fecha todas as conexões, tolhendo a liberdade de outro usuário, Alan, que vai reclamar com Dillinger as constantes interrupções. Alan está fazendo um programa de segurança, TRON, e Dillinger percebe que se Alan continuar com o programa ele descobrirá não só os jogos que roubou, mas também que o MCP é o responsável por invadir inúmeros órgãos governamentais tanto nos Estados Unidos quanto no exterior.

A verdade é que o MCP adquiriu um nível superior de inteligência artificial e agora não só está se expandindo, como também está ficando independente e “lutando” pela própria “sobrevivência”. O MCP sabe que TRON pode pará-lo, o MCP sabe que Flynn tenta invadi-lo e o programa está fazendo o possível para acabar com as ameaças, seja chantageando seu programador dizendo que revelaria seus segredos, seja tentando destruir os programas que ainda fazem o trabalho dos usuários.

Alan, o programador de TRON vê o cerco fechando aos usuários e junto com sua namorada, Lora, que trabalha como um projeto de suspensão de matéria em laser, resolve alertar Flynn sobre a expansão do MCP. Após discutirem oque está acontecendo os três resolvem hackear o sistema tentando liberar TRON, acabar com a supremacia do programa e colher as provas que Flynn precisa para provar que os jogos são seus.

Mas o MCP não vai deixar-se destruir tão facilmente. Ele usa a tecnologia de Lora para tragar Flynn para dentro do espaço virtual, e lá Flynn descobre outra realidade. O Master Control está se apropriando de todos os programas fiéis aos usuários e àqueles que não se juntam ao comando da máquina são enviados para serem deletados em jogos eletrônicos. Flynn agora dentro da máquina tem que lutar por sua sobrevivência nos jogos e com a ajuda de outros programas fiéis aos usuários ele tenta fugir e ajudar TRON em sua jornada para tentar acabar com a supremacia do MCP.

- Trailer



- Crítica

Falar sobre TRON é um exercício estranho, pois o filme funciona em inúmeros níveis sendo complexo e original até os dias de hoje. Teríamos, portanto, obrigação de citar o visual inovador, a animação feita com computadores (novidade em 1982), a história complexa e os efeitos visuais mesclando técnicas novas e antigas.

Visualmente o filme é estarrecedor, e com uma mescla de efeitos digitais, visuais e analógicos Tron conseguiu uma fotografia inédita, referencial e que até hoje consegue parecer um tanto arrebatadora. Numa época que não tínhamos efeitos visuais mesclando as inúmeras técnicas com que o filme foi feito, pela primeira vez pudemos ver a ação de atores, a animação em computação, os efeitos visuais e a animação em 2D que mesclados compunham com perfeição um mundo digital próprio.

Os atores fazem quase sempre dois papéis, juntando um personagem do mundo real e um reflexo deste no mundo virtual. Assim temos Jeff Bridges como Flynn e Clu, seu programa de invasão, Bruce Boxleitner como Alan e Tron, Cindy Morgan como Lora e Yori e David Warner que faz as vezes de Sark o principal guerreiro do MCP além de ser a voz do próprio MCP. Excluindo alguma canastrisse de Jeff Bridges interpretando Clu, todos os demais estão muito bem, eu destacaria Bruce Boxleitner como Tron pela seriedade do personagem (o que seria esperado num programa de segurança, creio) e David Warner que personifica com exclusividade o mal neste filme. Steven Lisberger na direção tem todo o mérito de conseguir orquestrar bem um filme como este, para que não se tinha nenhum parâmetro na época de que foi feito.

Mas mesmo com uma ação boa, atores que cumprem seu papel de maneira competente, direção cuidadosa e os efeitos bastante inovadores porque TRON não foi um sucesso? Porque o filme, ao contrário do que poderia parecer, foi o responsável pela Disney cancelar sua divisão de Ficção Cientifica abandonando completamente todos os projetos de filmes nesta área?

A resposta, talvez, seja o tema e o tempo. Tron é inovador e atual... hoje. Na época a cultura da informática, da informação, da eletrônica, dos efeitos, jogos eletrônicos e da interconectividade estava engatinhando e ainda fora da esfera da grande maioria das pessoas. A parcela da população com acesso a computadores, aos assuntos e aos desafios mostrados em cena eram mínimos. E apesar de hoje haver discussões sobre invasão de privacidade e até onde um servidor pode ter acesso aos arquivos particulares de um usuário, sobre apropriação de propriedade intelectual e sobre segurança e invasão de computadores, isso em 1982 simplesmente não tinha nenhum apelo ao expectador. Este fator somado à história complexa fez com que tudo soasse confuso demais à maioria dos expectadores, e o filme ficasse gravado na memória das pessoas não como um marco na discussão de liberdade de informação, ou por sua boa história complexa, mas apenas como um filme de apelo visual e com efeitos, que apesar de belos não sustentam o interesse na fita e sem que os expectadores soubessem exatamente a que ele veio.

- Veredicto

Apesar de um tanto confuso e funcionar em vários planos Tron é um marco, e mais de 20 anos depois o filme ainda soa atual; seus efeitos, ainda são visualmente interessantes e sua trama, ainda tem apelo à nossa geração. A verdade é que talvez apenas agora o filme seja realmente compreendido.

Tron vale a pena. Se você já viu quando jovem, vale a pena rever e poder se maravilhar, se nunca viu, assista... veja como em 1982 foi criado algo que diferente de todos os postulados da informática, ainda é antigo e atual.

- Trivia

Steven Lisberger, o diretor e escritor da história, pensou em fazer o filme após se impressionar com o jogo PONG. Ele viu uma máquina num restaurante e mergulhou no mundo dos jogos de videogame querendo saber como poderia incorporar isso a um filme.

Vários animadores da Disney se recusaram a trabalhar no projeto, pois ele continha cenas de computação gráfica e eles achavam que isso além de tirar o “espírito” da animação era uma forma de ajudar a acabar com os próprios empregos. (hoje em dia com a crise da animação em 2D a computação realmente tirou os empregos dos animadores convencionais que não souberam se adaptar à nova animação).

O filme não foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais simplesmente porque alguns dos efeitos foram gerados por computadores, e isso na época foi considerado “trapaça”. Efeitos especiais tinham que ser visuais e “criados pelo homem”, não por máquinas.

O filme encerrou os projetos de ficção cientifica da Disney devido ao baixo retorno.

Custou 17 milhões.

O conjunto eletrônico Daft Punk disse em diversas entrevistas que TRON era um dos filmes que os inspiraram a escrever musica eletrônica, e foi recentemente anunciado que na seqüência do filme TRON 2.0, a banda fará a trilha sonora.

Tanto Jeff Bridges quanto Bruce Boxleitner deverão aparecer em TRON 2.0 dando seqüência a seus personagens, Flynn e Alan.

Em South Park quando os judeus evocam Moisés ele é exatamente igual ao MCP.

É citado várias vezes em Uma Família da Pesada (Family Guy), Simpsons, Frango Robô (Robot Chicken) e Southpark.

Na série Chuck, o personagem principal tem em seu quarto um pôster de TRON.

Clu é o nome de uma antiga linguagem de programação.

End of the Line

terça-feira, 10 de março de 2009

Day of the Woman, I Spit on Your Grave

Day of the Woman
I Spit in Your Grave

(A Vingança de Jennifer)




"O que fizemos com você seria oque qualquer homem faria.
Você provocou e nós entendemos tudo bem rápido.
Olhe: casado ou não,todo homem é homem.
A culpa disso foi sua
Em 1° lugar, você vai ao posto de gasolina e expôe suas  malditas e sensuais pernas para mim, andando bem devagar.
Daí o Matthew entrega comida na sua porta.
Por que o deixou espiar seus seios sem nada?
Depois você fica deitada na canoa de biquíni. Apenas esperando Como se fosse uma isca.
(...)
A culpa disso tudo é sua"


Cada vez parecem haver menos filmes, há meses que parece que já vimos tudo. Até que vi uma pequena nota em um site falando sobre filmes antigos inovadores. Lá, falava sobre “Day of the Woman”, também conhecido pelo nome “I Spit on Your Grave” um filme de 1978 que foi precursor em muitos níveis do cinema extremo atual.

Pareceu bem interessante, e me espantou como um filme desta época pôde ser tão brutal.

Day of the Woman, 1978
a.k.a. I Spit in Your Grave
a.k.a. A Hate Your Guts
a.k.a. The Rape and Revenge of Jennifer Hill
A Vingança de Jennifer (em português)
de Meir Zarchi

com
Camille Keaton (Jennifer Hills)
Eron Tabor (Johnny)
Richard Pace (Matthew Lucas)
Anthony Nichols (Stanley)
Gunter Kleemann (Andy)

Jennifer é uma jovem escritora. Ela já publicou alguns trabalhos menores em revistas femininas, mas urge por escrever seu primeiro grande romance, então para centrar suas idéias e ter tranqüilidade para escrever, aluga uma casa no interior.

A viagem é um pouco cansativa, mas a casa é como ela esperava: grande, espaçosa com uma ampla área na frente e até mesmo um barco com que ela pode remar e relaxar no rio.

Mas Jenny não está sozinha.

Desde sua chegada ela é observada por 4 moradores locais; Johnny o frentista e ex-fuzileiro, Matthew o entregador de uma loja local que tem problemas mentais, e Stanley e Andy dois desocupados que são mal vistos até pelos moradores da área.

Todos ficam espantados com a beleza de Jennifer, principalmente Matthew, que nunca “havia estado" com uma mulher antes, e esse então se transforma no mote do grupo, conseguir àquela mulher para Matt.

Eles cercam Jenny quando ela está no rio, a arrastam para a floresta, a estupram brutalmente e a abandonam. Stanley, no entanto, sabe que não pode ficar assim, eles tem que silencia-la permanentemente; assim convence Matthew a voltar e assassinar Jenny enquanto ela ainda está desacordada e ferida no chão de sua casa.

- Trailer



- Critica

Realmente me espantei ao assistir Day of the Woman, pela brutalidade e a crueza do filme. Até mesmo hoje, quando vemos vários desses elementos um tanto banalizados pela quantidade absurda de filmes violentos, A Vingança de Jennifer ainda é um soco no estômago e entendo  perfeitamente porque em sua época o filme sofreu uma campanha tão massiva para ser banido dos EUA.

O filme de Meir Zarchi estava à frente do seu tempo em tantos níveis que hoje em dia é estranho que não seja mais conhecido. Foi ele, e não Irreversível (Irréversible, Gaspar Noé, 2002) que foi o pioneiro em esvaziar cinemas com cenas de estupro extremas, foi ele e não Kill Bill (Kill Bill, Quentin Tarantino, 2003) demonstrou como poderia ser bárbara a vingança fria de uma personagem feminina e foi ele, antes da era da censura nos EUA nos anos 80 que foi um filme ao mesmo tempo banido nos cinema e campeão de venda em vídeo. 

Na história curta e crua de Jennifer vemos uma bela e aparentemente frágil mulher, cheia de sonhos e aspirações de ser escritora ser tragada para um verdadeiro inferno quando os quatro homens surgem do nada e a despem de toda dignidade, humilhando, violentando e destruindo tudo que ela é. Nem os seus escritos são deixados livres e os homens chegam ao cúmulo de cogitar que ela é a responsável por tudo que acontece.

Quem manda ela ser bonita? Se vestir bem?

Os estupradores, misóginos, ignorantes e quase animalescos cumprem com louvor seu papel. Os quatro atores que os interpretam conseguem passar toda loucura doentia exigida deles, e mesmo tendo um desempenho bom e em alguns casos acima disso, nenhum dos quatro jamais fez outro filme.

Ressaltamos também que o filme pode soar um tanto quanto parado e com planos um tanto longos para os padrões atuais, mas mesmo assim essa aridez serve para demonstrar o abandono e a solidão de Jennifer sozinha com seus algozes e depois sozinha em sua vingança.

Camille Keaton, como Jennifer, é a estrela maior do filme e consegue passar toda fragilidade, horror, humilhação e mais tarde vingança entregando-se à interpretação do personagem de corpo e alma. Conseguimos ver nela todo o horror nas cenas de estupro, assim como percebemos sua força para se reerguer e ir atrás dos homens que lhe fizeram tanto mal. Uma pena que seu talento não pode ser mais bem explorado, uma vez que ela participou apenas de mais três filmes, nenhum deles recente e nenhum que fez tanto sucesso quanto este.

Meir Zarchi conseguiu fazer um filme que juntou elementos suficientes para torna-lo um dos diretores inovadores do cinema extremo e mundial, mas assim com Camille ele não se dedicou a isso, Meir Zarchi fez apenas mais um filme, fazendo com que esta fosse sua única contribuição à 7 arte, contribuição esta que é vista com muitas reservas por àqueles que não conseguem entender a dificuldade de explorar um filme como este numa época como a que ele foi lançado.

- Veredicto

A Vingança de Jennifer Hill é inegavelmente um filme brutal, mas bem constituído, bem feito e bem dirigido. Não é um filme fácil, mas era inovador e vale ser visto não só pelo seu status de cult, mas porque ao contrário do que foi repetido por anos à fio, é um bom filme.

- Trivia

De acordo com a capa do filme de um dos países da Europa, Camille fica completamente nua durante 25 dos 100 minutos que compõe o filme.

Camille Keaton é neta do célebre ator do cinema mudo Buster Keaton.

Após o ataque é visto no rosto de Jennifer uma cicatriz. Aquela cicatriz é real, proveniente de um acidente de carro que a atriz sofreu. Ela foi coberta no inicio do filme e exagerada com maquiagem após o ataque, para que aparecesse bem na tela.

O filme foi banido na Austrália na forma sem cortes de 1997 até 2002.

O filme não tem trilha sonora alguma.

Roger Ebert, o famoso critico de cinema, diz que esse é o PIOR filme do mundo.

As crianças que aparecem como filhos de Johnny, são na verdade os filhos do diretor.


- História

Vale a pena gastar algumas linhas contando a história do filme. Por volta de 1974 perto da casa de Meir Zarchi, o diretor, uma mulher foi brutalmente estuprada e espancada por dois homens. Este fato foi o responsável por trazer à tona a idéia inicial do filme, onde veríamos uma mulher passar por tormento semelhante e mas vingando-se dos bandidos de maneira brutal.  Day of the Woman (o título que foi dado pelo diretor) foi filmado em 1977 e lançado em 1978, mas não houve inicialmente nenhuma estratégia de distribuição.

Mair resolveu leva-lo ao festival de Cannes onde poderia talvez conseguir algum contrato e o  filme foi recebido com criticas positivas e negativas, com muitos reclamando das cenas de estupro mostradas como nunca antes havia sido feito. E se por um lado esta polêmica foi positiva para o filme porque fez com que Zarchi conseguisse distribuição para a Europa, por outro ninguém nos EUA queria ter nada haver com a fita, e por isso por dois anos apenas o velho continente teria acesso à película.

Em 1980, um produtor chamado Jerry Gross, após ver o sucesso que o filme atingiu na Europa concordou em distribuir o filme, contanto que ele pudesse mudar o título "para oque ele quizesse". Mair não queria nenhuma mudança em sua obra, mas concordou apenas porque queria ver o filme lançado nos EUA e finalmente houve distribuição nos cinemas dos Estados Unidos, sob o nome que ele ficou mais famoso “I Spit on Your Grave”

Oque aconteceu, no entanto, foram que os dois maiores críticos de cinema americanos, Roger Ebert e Gene Siskel, foram a uma projeção do filme, e sabe-se lá como alguém trocou os rolos normais do filme por um rolo do filme sem nenhum corte, expondo aos dois críticos toda brutalidade que nenhuma filme até então havia mostrado.

Não é preciso dizer que ambos fizeram uma campanha massiva para banir o filme dos EUA, e devido a popularidade de ambos, isso gradativamente aconteceu. O filme foi banido, e nenhum cinema ousava passa-lo.

Mas o filme não caiu no esquecimento... porque?

Oque acontece é que esse foi mais ou menos o tempo que começaram a ficar popular as fitas de vídeo. Era uma tecnologia nova, e as pessoas começaram a comprar os filmes que mais gostavam podendo iniciar as famosas videotecas caseiras. O filme era famoso por ter sido banido e cresceu no boca-a-boca de modo que quando foi lançado em vídeo em 1981 este filme (por incrível que pareça) foi o filme em video  MAIS VENDIDO DE 1981.

Dizem agora que em 2009 estão pensando em fazer um ramake... não acredito que ficaria bem, principalmente porque filmes assim como esse atualmente temos às dúzias e a principal qualidade de Day of The Woman seria a originalidade do roteiro, da direção e da violência gráfica explicita em seu tempo, tornando-o ao menos a uma primeira análise uma coisa massante de ser refilmada.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Legend, A Lenda

Legend
(A Lenda)



Há 4 filmes básicos de fantasia dos anos 80 e já vi eles serem chamados de “Quadrilogia Básica de Fantasia”, pois ensinaram uma geração a amar filmes e com alguma sorte, livros de fantasia que hoje em dia estão tão na moda e são feitos e vistos como superproduções. Os filmes são; Conan o Bárbaro (Conan The Barbarian, John Milius, 1982), A Lenda (Legend, Ridley Scott, 1985), O Feitiço de Áquila (Ladyhawke, Richard Donner, 1985) e Willow na terra da Magia (Willow, Ron Howard, 1988).

Conan, O Feitiço de Áquila e a Willow foram filmes que me marcaram profundamente em minha infância, os vi na época (alguns deles mesmo no cinema) e fazem parte do imaginário que tenho de fantasia, me influenciando muito até hoje e sendo filmes que, para mim, “formaram o meu caráter” como diria o pessoal do Jacaré Banguela.

Pretendo escrever sobre todos os três filmes aqui algum dia, mas hoje, falarei sobre o único que escapou e que tive a oportunidade de vê-lo realmente apenas agora. A Lenda. Não que não tenha visto o filme, o vi, mas não lembrava, acho que a única coisa que lembrava era que não tinha gostado... acho que não era (e talvez não seja) o meu tipo de fantasia. O vi apenas nas Seções da Tarde, normalmente só pedaços e confesso que nunca me entusiasmei muito por ele.

Meu interesse mudou, quando assisti um documentário falando sobre o Making Of de Blade Runner (talvez o melhor filme de Ficção Cientifica já filmado, que é do mesmo diretor de A Lenda, Ridley Scott). No Making Of, eles falavam que a produção de Blade Runner tinha sido extremamente caótica, assim como seu filme seguinte A Lenda e nenhum dos filmes haviam sido editados com respeito a idéia inicial do diretor, apesar de que o Ridley Scott aparentemente tinha conseguido lançar sua versão própria de A Lenda no Reino Unido, maior que a versão americana e com trilha sonora totalmente diferente, assinada por Jerry Goldsmith.

Li em diversos sites sobre a versão britânica, e pelo que diziam era um filme totalmente diferente do americano. Tudo isso, fez com que eu tivesse curiosidade de ver a versão britânica e passei um bom tempo tentando encontra-la. Achei que tinha encontrado e assisti, me decepcionando com o resultado.

O filme que vi, no entanto, não era a versão britânica, era a versão estendida, lançada em 2002, conhecida como Legend Ultimate Edition, e é sobre ela que eu irei escrever.

Legend (1985).
de Ridley Scott

com
Tom Cruise (Jack)
Mia Sara (Lili)
Tim Curry (Darkness)

A trama de A Lenda diz respeito sobre O Senhor da Escuridão, que vive no lado mais sombrio e mais profundo da floresta, e como ele mesmo diz; a luz tem o poder de destruí-lo de modo que ele precisa viver entre as sombras. Almejando dominar o mundo, ele precisa acabar com o sol; e usa seus goblins para destruir àquilo que o mantém brilhando.

Os goblins usam a inocência da princesa Lili para atrair a fonte da luz no mundo, e com isso conseguem mergulhar o mundo na escuridão.

Lili percebe o mal que fez, e vai até o covil da Escuridão tentando reparar seu erro, mas o demônio se apaixona por ela e a tenta para que ela se torne sua rainha. Cabe então a Jack, um jovem apaixonado por Lili que vive na floresta e que a conhece tão a natureza bem quanto qualquer elfo, resgatar Lili das mãos da Escuridão com a ajuda de duendes e fadas, trazendo novamente a luz ao mundo.

- Critica

A Lenda é excepcionalmente filmado, bem realizado e tem excelentes figurinos, fotografia e efeitos especiais (todos físicos, nada desta baboseira digital de atualmente que deixa tudo um tanto quanto emplastrado). Blix, o goblin, é talvez o único que corresponde a minha idéia mental de como seriam esses monstros, o castelo da escuridão é bem feito e até mesmo Oona, a fada, convence, apesar de talvez o personagem mais lembrado do filme seja responsabilidade de Tim Curry, como o demônio da escuridão. Com seu corpo vermelho, seus dentes pontudos e seus grandes chifres característicos, sua imagem povoa a mente de uma geração de crianças (hoje adultos) como um dos vilões mais lembrados (mesmo que o filme em si não o seja).

E é infelizmente só isso que posso falar bem da película ele é dispensável, o enredo pobre, não muito claro e corrido se perdendo numa alegoria sem sentido. O Filme (a versão Ultimate ao menos) tem cenas muito infantis, seguido de cenas muito adultas, não se decidindo por nenhuma vertente e acabando por se tornar uma chatice intragável.

Apesar de tudo, não queria condenar o filme, queria que ele tivesse dado certo e sei que o filme que eu vi não é, nem de longe, o mesmo filme que o diretor Ridley Scott queria fazer.

Pelo que pude ler sobre a produção de A Lenda, aparentemente, o filme inicial idealizado pelo diretor teria cerca de duas horas e meia, seria para adultos e seria muito mais sombrio que oque foi visto na tela. Esta versão inicial foi completamente recusada pelo estúdio, que cortou mais de 65 minutos e obrigou Scott a transformar o filme adulto num filme infantil (coisa que ficou tão forçada que não convenceu). Dizem (e repito, dizem) que a versão britânica ainda carrega a essência adulta e gótica que Ridley Scott queria imprimir ao filme inicial, mas, infelizmente não posso saber pois por mais que tenha caçado um exemplar da versão britânica não consegui de jeito nenhum.

- Veredicto

Por não ser nem infantil, nem adulto e não ter um enredo e nem uma história completa, continua a minha decepção sobre A Lenda, apesar de saber que é o filme favorito de fantasia de muitos e povoar o imaginário de outros tantos com as criaturas que nele contem. Ruim, muito ruim.

- Trailer



- Trivia (algumas delas tiradas do IMDB)

O Goblin Blix é interpretado por uma mulher, a atriz Alice Playten. Alice também dublou a voz de Gump.

O filme começou sua produção em 1982, mas o filme em si só ficou pronto em 1985, três anos depois, devido aos imensos problemas durante a produção.

O Título Original seria “Legend of Darkness” (A Lenda da Escuridão).

O grupo de Heavy Metal Sinfônico Hollenthon, utiliza na música Premonintion Lex Talionis de seu primeiro álbum, Domus Mundi, o discurso inicial da Escuridão bem no meio da música. Adoro a musica e tinha a ouvido incontáveis vezes por anos sem nunca saber que havia sido retirada do filme (já que só vi o filme pequeno e mesmo assim, dublado), assim, quando começou o filme e ouvi a escuridão falando achei muito interessante.

- Bônus

Um trailer feito por um fã ficou talvez mais interessante que o original, por isso o disponibilizo aqui.