Mostrando postagens com marcador Bizarro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bizarro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Teeth

Teeth



“Toda rosa tem seus espinhos”

Tive contato com Teeth principalmente por conta de seu enredo singular. A primeira vez que ouvi qualquer menção ao filme foi num site de comédia, falavam algo como “Não é possível, estão fazendo um filme sobre uma menina com dentes lá embaixo!!!” e colocavam o trailer. “Isso é uma comédia?” O pior é que não parecia, parecia ser um filme sério. Mas como?

Enquanto aguardava o filme pintar por aqui, recebia pouco a pouco mais noticias sobre ele. Nota acima de 7 no IMDB (hoje não mais, por volta de 6). Nota acima de 80% no Rotten Tomatoes e um prêmio em Sundance de Jaw-Dropping Performance (atuação de cair o queixo) para a atriz Jess Weixler, que faz a personagem principal do filme.

Todo este somatório fez com que eu assistisse o filme tão logo quando ele se tornou disponível no ano passado.

E ele é, à sua maneira, surpreendente.

Teeth, 2007
de Mitchell Lichtenstein

Com
Jess Weixler (Dawn O'Keefe)
John Hensley (Brad)
Hale Appleman (Tobey)
Lenny von Dohlen (Bill)

Teeth nos traz a estória de Dawn, uma menina religiosa que vive com sua mãe, seu padrasto e o filho de seu padrasto, o desajustado Brad numa cidadezinha do interior nos Eua.

Dawn é celibatária, nunca teve nenhuma experiência sexual por motivos religiosos e faz parte do grupo de uma igreja que prega a abstinência sexual até o casamento. Ela inclusive faz palestras sobre o assunto, chamando os jovens a só fazerem sexo após o casamento e com a bênção de deus.

Dawn no entanto sempre se sentiu diferente, e teve algumas experiências estranhas no que tangia seu corpo, mas acreditava que tudo acontecia por uma razão, e que eram os desígnios de Deus que agiam para que ela não tivesse nenhuma experiência antes do momento certo.

Mas todos somos humanos, e com a idade e os hormônios agindo ela tem contato com um novo garoto, Tobey e sente que talvez tenha chegado o momento, mas horrorizada descobre que realmente há algo de errado nela. Dawn tem dentes na vagina oque torna impossível que ela tenha relações sexuais sem matar, ou no mínimo mutilar seus parceiros.

E com o desaparecimento de Tobey, Dawn começa a mergulhar numa espiral de desespero sem saber oque fazer e a quem recorrer para resolver o seu problema.


- Trailer



- Critica

Não é fácil falar sobre Teeth por um motivo simples; é quase impossível de dizer sobre oque o filme trata sem diminuí-lo de alguma forma ou fazer com que ele pareça trash.

Garanto que não foram poucas as pessoas que desistiram de ler a critica ao chegarem na parte em que tratava o enredo e leram “Dawn tem dentes na vagina”.

Enfrentei este problema com todas as pessoas com que falei sobre o filme.

“Mas como é a história mesmo?”
“Hummm... engraçado... ah... é sobre essa menina, sabe? Ela tem uma... deficiência... e... o filme fala sobre como ela superou esta deficiência... é um filme de horror, mas no limiar da comédia e humor negro...”
“Nossa... que interessante... Adoro filmes de superação! Qual é mesmo a deficiência? “
“Hummm... ela possui... dentes... na vagina...”

Isso é o suficiente para que a maioria das pessoas vá embora, não sem pensar que você é um imaturo, pervertido ou os dois.

Teeth, no entanto, é uma história séria, amarrada e que tem horror, drama e comédia numa trama em que poucos conseguiriam orquestrar tais elementos sem perder a mão. Neste quesito o diretor e escritor Mitchell Lichtenstein conseguiu atingir um equilíbrio raramente encontrado.

Lichtenstein soube escrever uma trama bizarra, não usual, engraçada e assustadora (para a totalidade dos homens que assistem) e superada a resistência do tema em si Teeth se mostra um filme bem feito, bem produzido, e que mostra como uma menina que teve péssimas experiências no que tange a sexualidade e parceiros em geral transforma uma espécie de deficiência num instrumento de poder.

A fotografia é bem enquadrada para o filme, tem um visual limpo com tomadas amplas e que frequentemente enquadram uma gigantesca e opressora usina nuclear (seria ela a real fonte dos “poderes”?).

Os atores muito bem colocados, até mesmo John Hensley, que faz o irmão desajustado de Dawn, que eu acho um ator pra lá de esquisito, consegue convencer como Brad. Mas é claro que não poderíamos de deixar de falar de Jess Weixler. Sua performance como Dawn está excepcional, ela conseguiu passar terror, desespero e medo numa estória pra lá de bizarra, dando total credibilidade à personagem dela. O prêmio de Sundance foi completamente merecido.

- Veredicto

Com uma história estranha e uma espécie de horror divertido Teeth entretém e assusta em partes iguais, sendo um filme indispensável para àqueles que estão dispostos a experimentar algo não usual e estão dispostos a se surpreender.

- Trivia

A média de notas mais altas (10) deste filme no IMDB foram dadas por meninas com menos de 18 anos.

O filme foi inspirado pelo filme Japonês (Kiraa Pusshi, Takao Nakano, 2004) que foi traduzido como Sexual Parasite, Killer Pussy (Parasita Sexual, a Vagina Assassina) e é um filme Gore e de baixíssimo orçamento.

Nos créditos do filme lemos: Nenhum homem foi maltratado para a realização deste filme (ainda bem).

- Bonus

O Poster "proibido" do filme. Clique Aqui

sábado, 24 de janeiro de 2009

Koroshiya 1 (a.k.a. Ichi The Killer), Ichi – O Assassino

Koroshiya 1,
Ichi The Killer

(Ichi – O Assassino)



“Kakihara! Que diabos você está fazendo?”
“Nada, apenas um pouquinho de tortura...”


Koroshiya 1 (mais conhecido pelo título Internacional Ichi The Killer) é um desses filmes emblemáticos. Não foram poucas as vezes que vi um filme extremo e alguém comentou. “Ichi é melhor... você já viu, não?” Não, não vi. E meu interesse por ele aumentava cada vez mais.

Finalmente consegui uma oportunidade de assistir Ichi, não a versão regular, mas sim a versão entendida e sem cortes recentemente lançada e posso dizer que sobrevivi à trilogia Splatter de Takeshi Miike (Ichi, Visitor Q e Audition). O resultado, resenho aqui.

Koroshiya 1, Ichi, The Killer (2001)
de Takeshi Miike

com
Tadanobu Asano (Kakihara)
Nao Omori (Ichi)
Shinya Tsukamoto (Jijii)
Paulyn Sun (Karen)

Baseado no manga de mesmo nome de Hideo Yamamoto, Ichi conta a história de Kakihara, o segundo em comando da violenta gangue de Anjo, que se vê subitamente empurrado ao posto de líder com o desaparecimento do seu patrão. Kakihara com suas imensas cicatrizes no rosto, lábios abertos e aparente e inabalável calma (quebrada apenas por excessos de violência completamente sem aviso), ajudado por seu exercito de assassinos bizarros procura obsessivamente por seu patrão, afirmando a todo o momento que ele está vivo e esperando ser salvo pela gangue, enquanto todas as outras gangues do sindicato Yakuza se apressam em dizer que ele que fugiu com uma prostituta de 17 anos ou que foi morto por outras gangues.

Mais estranho do que o desaparecimento em si é a atitude de Kakihara. Anjo era conhecido por espanca-lo, maltrata-lo e ser o responsável pelas cicatrizes que ele trazia no rosto; no entanto, a devoção de Kakihara ao patrão desaparecido é imensa e ele continua sempre a procura-lo e parecer o único que ainda tem esperança de encontra-lo com vida.

Distribuindo tortura das piores maneiras imagináveis naqueles que cruzam seu caminho (alguns sem nenhum motivo aparente) as peças do que aconteceu com Anjo começam a se encaixar. A gangue descobre que Ichi, uma espécie de assassino mítico, parece ser o responsável pelo desaparecimento.

E não só isso... Ichi parece estar disposto a destruir toda gangue, um a um.

Contra tudo e todos, Kakihara vai atrás de Ichi.

- Trailer



- Critica

Na melhor tradição do cinema extremo oriental, Koroshiya 1 é o responsável por uma das melhores adaptações de um manga para as telas; o filme é, virtualmente um manga num cinema, com todo o irrealismo violento que isso é possível, com todo exagero e os trejeitos que o famoso estilo japonês de quadrinhos carrega.

Takeshi Miike novamente surpreende com uma produção que junta elementos de violência extrema, perversão sexual, humor negro e manipulações em geral orquestrando e amarrando esta trama bizarra como poucos conseguiriam.

Com uma fotografia que flutua entre o lado decadente de Tóquio, com tomadas externas que parecem ter sido feitas sem preparação (e dando assim ao filme uma boa credibilidade e clima), tomadas internas claustrofóbicas e cenas tragicômicas onde o sangue literalmente pinta o teto de vermelho a base de jatos; Ichi transporta sem maiores problemas o expectador para o mundo degenerado e demente de violência em que se passa.

Ressaltamos também a boa escolha dos atores, onde destacamos principalmente Kakihara, habilmente interpretado por Tadanobo Asano, um ator um tanto conhecido por uma grande quantidade de filmes asiáticos de sucesso e Paulyn Sun, Miss Singapura 1994 que interpreta Karen, a esposa sádica de Anjo, que pouco se importa com o desaparecimento do marido e tenta, em vão, tomar lugar dele nos espancamentos a Kakihara.

Fazemos lembrar, ainda, as cenas de Splatter. Elas nos levam do horror ao riso em segundos (como é tão comum neste estilo) e muitas vezes nos pegamos sem saber se gargalhamos ou não ante todo sangue, tripas e absurdos que são mostrados em tela. No entanto, as cenas não tem tanto interesse em chocar como o realismo doente de Audition, aqui, talvez até pela proximidade com o manga, as cenas tem uma intenção maior na surpresa, entretenimento e em passar todo o absurdo sanguinário comum no quadrinho (quem não conhece o estilo ao menos pode se lembrar de Cavaleiros do Zodíaco onde os participantes sangravam rios durante as lutas).

Koroshiya 1, é, portanto um dos melhores exemplares do Horror oriental, apesar de em minha opinião não ser tão bom quanto o Audition (já resenhado por este blog) ou o doente Visitor Q. No entanto, seguindo os passos do clássico A História de Riki (Riki Oh, Ngai Kai Lam, 1991), temos um exemplo perfeito da violência para entretenimento baseada nos quadrinhos japoneses.

- Veredicto


Pelo conjunto da obra, Ichi é um clássico e merece ser assistido por todos os apreciadores de cinema extremo oriental. Tem todos os elementos que ajudaram a impulsionar este tipo de filme, que cada vez mais é copiado pelos diretores ocidentais (como o próprio Eli Roth de “O Albergue” que afirma que Takeshi Miike é uma de suas maiores inspirações).

- Trivia

Como todos que já conhecem Takeshi Miike suspeitavam, o semem usado no filme é real.

Karem fala tanto em inglês e tão pouco em Japonês porque ela é de Singapura, e apesar de falar bem o Japonês atualmente na época ela ainda não conseguia falar perfeitamente e com total desenvoltura, por isso optaram por ela misturar as duas linguas.

O Celular de Kakihara toca com a musica tema do filme.

Jiro e Saburo, os gêmeos loucos são interpretados pelo mesmo ator.