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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Flickan Som Lekte Med Elden (A Menina que Brincava com Fogo)

Flickan Som Lekte Med Elden
(A Menina que Brincava com Fogo)




“Se os seus relatórios disserem que estou me comportando bem,
eu liberarei você quando a minha tutela terminar.
Mas se falhar, mandarei o nosso filme para todos os jornais
do país. Se algo me acontecer ou eu morrer, o filme
será divulgado. E se me tocar de novo, eu matarei você.
E mais uma coisa.
Se visitar a clínica em Marselha para remover a tatuagem
eu farei um novo trabalho.
Desta vez, na sua testa.”



O filme dá continuidade à saga de Stieg Larsson. Havia comprado os livros da série logo em seguida ao primeiro filme, e mesmo na época tendo saído esta continuação, fiz questão de ler o primeiro e o segundo livros antes der assistir ao segundo filme.

Isso, obviamente, pode ter influenciado minha opinião...

Flickan Som Lekte Med Elden, 2009
Millennium Part 2 – The Girl Who Played With Fire (título internacional)
The Girl Who Played With Fire (título alternativo)
Millenium II (título alternativo)
A Menina que Brincava com Fogo (título em português)
de Daniel Alfredson

com
Michael Nyqvist (Mikael Blomkvist)
Noomi Rapace (Lisbeth Salander)
Peter Andersson  (Bjurman)
Paolo Roberto (Paolo Roberto)
Micke Spreitz (Ronald Niedermann)

pode conter spoilers

Após o caso Wennerström (mostrado no primeiro filme) Lizbeth Salander afasta-se de todos que pode chamar de amigos, incluindo Mikael Blomkvist, e usa o dinheiro que conseguiu para viajar pelo mundo só voltando à Suécia um ano depois. Nesse tempo, Bjurman, o advogado que cuida da tutela de Lizbeth, que a tinha estuprado e que Lizbeth havia se vingado de maneira espetacular, tenta meios de sair da situação de chantagem que ela havia o colocado, fazendo inúmeros contatos no submundo.

Lizbeth vê o esforço de Bjurman, e volta a sua casa para lembrar o “contrato” que eles tem, e tudo parece voltar à normalidade até que sem mais nem menos Salander é acusada de assassinar um casal que trabalhava para desmascarar inúmeros políticos e figuras públicas da Suécia que colaboravam com tráfico de mulheres na Europa oriental, e que iriam publicar tudo na revista Millennium.

A partir daí cabe a Blomkvist, ora assessorado por Lizbeth, ora por conta própria, lutar para descobrir o que está acontecendo e provar a inocência de Salander. Blomkvist descobre, então, o passado da garota, o porque dela estar sob tutela e porque tantas pessoas que querem que Lizbeth seja institucionalizada e calada.

- Trailer



- Critica

Não é fácil tentar criticar o filme após ter lido os livros, mas posso ao menos traçar um paralelo com a primeira parte. O primeiro filme conseguiu manter de maneira bastante satisfatória o clima obscuro e denso em que a trama é passada, fazendo sim mudanças, mas que em maioria serviam para dar a fluidez necessária para que a história se desenrolasse no tempo que um filme cabe. (afinal é um livro de mais de 500 páginas)

O segundo filme, no entanto, não consegue o mesmo feito principalmente pela densidade e complexidade da trama. O que assistimos na primeira hora de exibição são cenas desconexas onde vemos retalhos de história que tentam a todo custo formar um todo sem muito sucesso, dando um aspecto um tanto videoclíptico para o filme sem que isso chegue a lugar algum.

Não vemos explicações suficientes do porque Lizbeth ter se afastado, do trabalho de Dag Svensson e Mia Bergman (pelo que mostra no filme seria apenas um exemplar qualquer de revista feito por um jornalista freelancer), de como e porque o “Gigante Loiro” aparece e das relações dos personagens em cena, principalmente a relação de Lisbeth com Holger Palmgren (Lizbeth é um personagem que nunca parece se importar realmente com ninguém, e em momento algum é explicado porque ela iria visitar Holger, por exemplo) e nem de Mikael com Erika. Tudo é rápido demais, fraco demais e solto, não formando uma trama sólida como conseguiu Niels Arden com o primeiro filme, e fazendo com que o segundo volume da Trilogia Millennium desande tornando-se confuso e desinteressante.

Sob a direção de Daniel Alfredson Noomi Rapace no papel de Lizbeth, que no primeiro filme apareceu excelente, está opaca e sem a força inicial. O asqueroso Bjurman interpretado por Peter Andersson perde sua capacidade de nos chocar como antes e a trama foi cortada, re-cortada e condicionada num todo que não convence. Os planos de filmagem são mal colocados, a fotografia clara demais para um filme com uma densidade e obscuridade como o que este pretendia ser e a continuidade é muito prejudicada; tudo parece ter sido feito sem esmero algum.

- Veredicto

Apesar de algumas boas atuações, como a de Michael Nyqvist, o segundo filme decepciona; e o que começou com uma promessa excelente se tornou um filme dispensável, mas que deve ser assistido aos expectadores do primeiro filme, já é a ponte para o próximo (que esperamos salve a o destino da trilogia).

- Trivia

Desconhecido no Brasil, Paolo Roberto é um dos rostos mais conhecidos da Suécia, e interpretou-se a si mesmo no filme. Ao contrário do que muitos podem pensar, Paolo não era amigo e nem conhecia Stieg Larsson, e para falar a verdade sequer sabia do livro até ele ser publicado. Acredita-se que Larsson colocou Paolo na história como uma brincadeira, e para nós seria talvez como se algum autor colocasse num livro que fala de uma temática séria, Jô Soares ou Silvio Santos, figuras conhecidas, como personagens.

Na porta do apartamento de Lizbeth temos o nome V. Kulla uma referência a Villa Villekulla, o lugar onde a personagem Pipi MeiaLonga vivia. Nos livros são várias comparações de Lizbeth com a personagem.

O filme teve estréia simultânea na Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca em 18 de Setembro de 2009.

Longe do circuito escandinavo o filme estou na Europa pela Espanha, tendo estreado lá uma semana depois, dia 25 de Setembro.

O filme foi mal recebido em todos os lugares, recebendo uma nota média no IMDB de 6.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

The Countess (A Condessa)

The Countess
(A Condessa)




“Amor é algo que existe apenas para manter
a mente de camponesas e virgens ocupadas
em um sonho.
A verdade é que ele não existe em nosso mundo”



Uma das histórias que mais tenho curiosidade é a de Lady Bathory apesar de nunca conseguir me aprofundar muito. Minhas principais informações sobre ela eram artigos publicados sobre assassinos da idade média e um documentário obscuro do Biography Channel que a pintava como uma das mais aterradoras assassinas do passado; A Condessa que se banhava em Sangue.

Há alguns anos lembro-me de ter lido a noticia que Julie Delpy (conhecida minha por ter feito a série ER e ser uma lobisomem no fraco “Lobisomem Americano em Paris”), escreveria, dirigiria e atuaria num filme sobre Bathory.

Esperei, mas não me animei. Não colocava fé nem no filme e nem na atriz, e graças aos céus, como eu estava errado...

The Countess, 2009
Bathory (título alternativo)
A Condessa (título em português)
de Julie Delpy

com
Julie Delpy (Condessa Erzsébet Bathory)
William Hurt (Thurzó Gyorgy)
Daniel Brühl (Thurzó István)
Anamaria Marinca (Anna Darvulia)

(Não confundir com o filme “Bathory” de Juraj Jakubisko de 2008)

O filme conta a história da Condessa Bathory, começando com sua infância e passando por seu casamento com o Conde Nadasdy. Após a morte marido, um poderoso guerreiro que lutava contra a invasão otomana, Lady Bathory sabia que precisa mostrar força, assim continua a financiar a campanha militar que seu marido comandava, além de não permitir que outros nobres, ávidos por poder, a ameacem de nenhuma maneira. Erzsébet assim torna-se uma figura respeitada e temida.

Neste tempo conturbado ela recebe uma proposta de casamento do Conde Thurzó, que ela recusa por não considerá-lo um partido a altura, mas logo começa um caso com o filho dele, o jovem Gyorgy Thurzó. O pai ressentido proíbe o encontro deles, e Bathory, que havia apaixonado-se pelo jovem perdidamente, pensa que foi abandonada por Giorgy principalmente por conta da idade. A condessa, então, torna-se obsecada por sua aparência e pela juventude, e vai a extremos tentando se manter jovem e quem sabe conseguir de volta Gyorgy.

- Trailer



- Crítica

Longe de ser uma estreante, Julie Delpy já dirige filmes desde 1995, com importância crescente. Seu filme anterior, 2 Dias em Paris (2 Days in Paris, Julie Delpy, 2007) atingiu uma boa notoriedade, e chegou a ser nominado e ganhar alguns prêmios em festivais europeus, mas a realidade é que nenhum filme dela chegou nem perto da densidade e grandiosidade desta produção franco-alemã.

Diferente do filme que Juraj Jakubisko fez em 2008 sobre Lady Bathory, Delpy consegue orquestrar a sua visão da história da condessa de sangue sem cair na armadilha de desconstruir todo o mito sobre ela. Vemos todos os elementos históricos e míticos de Bathory, apesar da idéia central do filme estar longe de pintá-la como uma assassina bárbara.

A fita funciona bem em todos os níveis, tendo um excelente visual, bom histórico e ação verossímil. Delpy merece grande parte do crédito, interpretando uma condessa capaz de atos atrozes, mas mesmo assim com quem podemos nos identificar. Daniel Brühl (conhecido pricipalmente por seu papel em “Adeus, Lenin!”), Willian Hurt e Anamaria Marinca estão todos muito bem.

- Veredicto

Fãs que queiram passear por uma visão fantasiosa, mas fiel ao mito e em certa dose ao personagem histórico de Lady Bathory podem assistir e se entreter com o filme de Julie Delpy. Recomendável.

- Trivia

Ethan Hawke, Radha Michell e Vincent Gallo teriam papéis no filme. Ethan Hawke faria Gyorgy, Radha seria Darvulia e Gallo interpretaria Dominic Vizakna.

Sobre o filme, Julie Delpy disse em entrevista: “Parece com uma história gótica, mas a verdade é que se trata de um drama sobre como as pessoas reagem ao receberem poder.”

Julie sabia do filme de Juraj Jakubisko, e longe de tentar se distanciar ela chegou a prestar tributo usando umas das musicas do filme de Juraj em seu próprio.

Um dos produtores do filme, Hengameh Panahi já produziu alguns filmes brasileiros. O mais recente foi "O Céu de Suely" (O Céu de Suely, Karin Ainouz, 2006)

A diretora de Arte Astrid Poeschke, já trabalhou em filmes como "V De Vingança" (V for Vendetta, James McTeigue, 2005), e "Operação Valkiria" (Valkyrie, Brian Singer, 2008).

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Män Som Hatar Kvinnor (Homens que Odeiam as Mulheres)

Män Som Hatar Kvinnor
(Homens que Odeiam as Mulheres)




“Nunca tentei isso antes,
Fique quieto,
ou posso fazer um estrago...”


(frase falada a uma pessoa amarrada por
 outra com uma máquina de tatuagem)


Não esperava nada quando assisti ao filme, apesar das boas indicações, e foi uma das grandes surpresas que tive este ano. Além de esperar ansiosamente pelos outros dois filmes, comprei os livros da série Millennium.

Män som hatar kvinnor, 2009
Millennium: Part 1 - Men Who Hate Women (título internacional)
The Girl with the Dragon Tattoo (título alternativo)
The Girl who Played With Fire (título alternativo)
Homens que Odeiam as Mulheres (titulo em português)
de Niels Arden Oplev

com
Michael Nyqvist (Mikael Blomkvist)
Noomi Rapace (Lisbeth Salander)
Peter Andersson (o curador)
Per Oscarsson (Holger Palmgren)

Há mais se 40 anos Harriet Vanger desapareceu. Não há nenhum corpo, nenhuma nota de resgate e nenhuma pista sobre o que poderia ter acontecido com a menina de 16 anos, mas seu tio recebe todos os anos uma flor em seu aniversário, exatamente como ela fazia. Ele acredita que o assassino envia as flores, e procura Mikael Blomkvist, um editor de revista recentemente condenado à prisão por calúnia, mas que tem um grande histórico no jornalismo investigativo, para uma ultima tentativa de saber o que aconteceu com Herriet e quem é a pessoa que manda as flores.

Durante o processo ele tem contato com a “Hacker” Lisbeth Slander e ambos passam de caçadores à caça numa intriga que envolve família, poder e todos parecem ser suspeitos.

- Trailer



- Critica

Tendo como base os Best Sellers do autor sueco Stieg Larsson, o filme foi excelentemente dirigido por Niels Arden Oplev, um diretor desconhecido nas Américas, mas famoso e celebrado na Dinamarca. Ele conseguiu conduzir a história cheia de reviravoltas com maestria e mão firme, tornando a experiência memorável.

A história foi bem escrita e produzida para as telas, e o romance de mais de 400 páginas ganha um ritmo ágil, apesar das texturas complexas, da violência e da profundidade dos personagens, estes representados muito bem, com destaques óbvios para Noomi Rapace, que conseguiu fazer a problemática Lisbeth de maneira cativante, conseguindo que todos nós, mesmo com todas as diferenças nos identifiquemos com ela, com o que ela faz, e em algum nível compreendemos seus motivos. Além dela, é claro, palmas para Michael Nyqvist (este um pouco conhecido por aqui tendo feito o papel de Magnus o pai de Arn), que segura o papel de redator idealista da revista Millennium muito bem, e para Peter Andersson, como o asqueroso Bjurman.

Destaco ainda a cena da vingança como uma das melhores já filmadas, fazendo com que todos, principalmente todas as mulheres, adorem o filme.

- Veredicto

Há tempos não assistia a um filme que me entreteve tanto. A história é maravilhosa, a direção, competente, e os atores fazem um excelente papel tornando “Män som hatar kvinnor” um filme obrigatório para os amantes de mistério e suspense.

Altamente Recomendável.

- Trivia

Stieg Larsson (autor dos livros que deram origem ao filme) é um escritor famoso e editor de revistas na Suécia (parecendo vagamente com o personagem Mikael Blomkvist). Ele foi famoso por se posicionar contra a extrema direita e neonazistas da Suécia, escrevendo sobre eles e expondo-os em todos os níveis da sociedade, o que lhe valeu inúmeras ameaças de morte.

Noomi Rapace é filha de Rogelio Duran, um cantor espanhol.

No IMDB a nota do filme (na data da publicação desta crítica) é de 7.6, e é um dos poucos filmes que em todas as idades as notas das mulheres superam sempre a dos homens. (a média da nota feminina é de 8.0, e meninas com menos de 18 anos colocaram em média a nota como 8,9).

Noomi Rapace teve que aprender a andar de moto para o papel, e segundo disse em entrevistas, usou isso para separá-la do personagem.

Peter Andersson (o curador) é conhecido do publico sueco por papeis em filmes de drama e crime, mas também por comédias e categoriza este como um dos papeis mais densos que já fez.

Stieg Larsson morreu de infarto em 2004, só escreveu os livros da série Millennium, e estes só foram publicados em 2005 após sua morte.

Em 2008 Stieg Larsson foi o segundo maior autor em vendas no mundo, só sendo superado por Khaled Hosseini, o autor de “O Caçador de Pipas”.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Johnny Mad Dog

Johnny Mad Dog



"Se não quer Morrer...
Não Nasça!
Se não quer Morrer...
Não Nasça!
Se não quer Morrer...
Não Nasça!"


Tive contato com o filme quase que por acaso, um amigo meu me recomendou devido ao rebuliço que vem causando na Europa, chocando as audiências em Cannes e em outros festivais onde se apresentou. Johnny Mad Dog é um filme cru... surpreendente e que merece todos os holofotes que tem encima dele agora.

Johnny Mad Dog, 2008
de Jean-Stéphane Sauvaire

com
Christophe Minie (Johnny Mad Dog)
Daisy Victoria Vandy (Laokole)

Johnny Mad Dog é um comandante militar... ele tem perto de quinze anos e sob seu comando garotos de dez a dezesseis servem numa guerra sem lei num país não nominado na África. Johnny segue as ordens de seu coronel, invadindo quando tem que invadir, matando quando tem que matar e cometendo atrocidades quando quer.

Ele estupra, assassina e rouba junto com seus “homens” enquanto seguem tornando um golpe de estado possível, alheios ao porque da luta (se é que poderia haver um motivo para tamanha violência) e a quem isso beneficiaria.

Laokole é uma menina de treze anos, tem um pai inválido e um irmão pequeno. Eles moram na capital e a guerra lentamente se aproxima. A vida tem sido dura e difícil, mas eles tentam se manter juntos e seguir uma rotina com estudo e brincadeiras quando é possível.

A guerra finalmente chega a capital e as ordens para Johnny são de invadir e manter uma área até que seu coronel possa se juntar ao seu pelotão. A área é a mesma que Laokole tem que fugir com sua família para sobreviver.

- Trailer



- Crítica

Johnny Mad Dog é um filme visceral que dá voz a um sem número de conflitos africanos que acontecem  anonimamente no continente negro sem que isso gere nenhuma manchete em jornais ou traga a atenção internacional. As situações são todas inspiradas em conflitos que realmente aconteceram, mostrando com uma realidade explosiva como acontece o “recrutamento” dos meninos para lutar nas guerras, sua iniciação no conflito, como as ordens são dadas e a mentalidade deles antes, durante e depois dos ataques.

Como o filme se divide em dois lados, o lado das crianças que atacam e a visão de uma que tenta fugir e sobreviver também sentimos na pele não só o desespero ante a violência do grupo de Mad Dog, mas também vemos pelos olhos da pequena (e extremamente responsável) Laokole como é ter que escapar desta loucura perdendo no processo tudo que se tem numa guerra tão sem sentido.

 O diretor Jean-Stéphane Sauvaire até então havia trabalhado apenas como diretor-assistente, diretor de segunda unidade e feito alguns poucos documentários, e este que foi o seu primeiro grande trabalho de ficção (uma ficção bem realista, diga-se) conseguiu comandar com uma boa mão um grupo de atores desconhecidos, alguns com experiências de guerra, e conseguiu montar um drama cru, mas extremamente efetivo.

Os atores, não creditados ao final com exclusão de Johnny e Laokole, fazem um excelente trabalho passando uma credibilidade impar à fita tornando a experiência de assistir o filme uma verdadeira montanha-russa emocional.

- Veredicto

Sem atores conhecidos e sem que isso importe em nada, Johnny Mad Dog é um filme excelente justamente pela credibilidade que os atores colocam em seus papéis, transportando o expectador para o meio do conflito e dando a visibilidade nescessária as matanças que ocorrem na África.

- Trívia

Os nomes dos “soldados” do pelotão de Mad Dog são inspirados em nomes reais encontrados em conflitos africanos. No grupo temos nomes de personagens como “Cachorro Louco”, “Coronel Nunca Morre”, “Cabeça de Galinha” (referente ao cabelo moicano que usa) e “Nenhum Conselho Bom”; e normalmente em conflitos tribais nomes como esses eram escolhidos pelos soldados. Em Serra Leoa nos conflitos atuais, por exemplo, haviam dois coronéis reais que se alto intitulavam, “Rambo Moldado em Sangue” e “Muitas Mortes em Minhas Mãos”.

Ganhou Menção Honrosa em Cannes

O filme é falado em inglês e num dialeto local, apesar do inglês do filme ser praticamente indecifrável.

Gravado na Libéria.

O filme ganhou prêmio de melhor roteiro francês no Deauville Film Festival.

Os efeitos visuais foram feitos por François-Xavier Aubague, que também trabalhou nos filmes Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, Christopher Nolan, 2008), Speed Racer (Speed Racer, Irmãos Wachowski, 2008) e Batman Begins (Batman Begins, Christopher Nolan, 2005) entre outros.

- Bônus

Apresentamos aqui o trailer alternativo com legendas em inglês. 


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Alatriste

Alatriste



“Meu filho, você é um traidor e um incompetente.
Com os seus escrúpulos inoportunos ajudou inimigos de Deus e da Espanha.
Ações que serão purgadas pelos piores tormentos do inferno.
Mas, primeiro, vai pagar aqui na terra com a sua carne mortal.
Viu demais. Ouviu demais. Errou demais.
A sua vida, Capitão, já não vale nada.
É um cadáver que, por algum estranho azar, ainda se mantém em pé.”



Quando o filme saiu em DVD aqui no Brasil até fiquei interessado em assistir Alatriste. Não por saber da história ou nada deste tipo, apenas pela capa, e estive a um passo de assisti-lo, o que no final acabou não acontecendo, o filme foi caindo no esquecimento e por fim não o vi até semana passada quando ele passou numa dessas madrugadas na TV a cabo.

E digo que se o mundo fosse justo, este seria um dos filmes mais celebrados e conhecidos do cinema espanhol.

Alatriste, 2006
Alatriste de Arturo Pérez-Reverte (título alternativo)
de Agustín Díaz Yanes

com
Viggo Mortensen (Diego Alatriste)
Elena Anaya (Angélica de Alquézar)
Unax Ugalde (Íñigo Balboa)
Ariadna Gil (María de Castro)

Diego Alatriste é um soldado veterano do exercito espanhol que luta em Flandres. Com uma grande carreira militar ele é conhecido e famoso por seus atos, mas isso não o faz mais rico ou nobre, ele é apenas um soldado, sem maiores aspirações que viver e lutar. Durante um ataque, um companheiro de armas, Lope de Balboa, morre e em seus momentos finais pede para que Diego tome conta de seu filho.

Alatriste, honrado como é, pretende seguir o pedido apesar de se assustar em ser o responsável pelo futuro de um menino, e na volta a Madri o filho de Lope, Iñigo, vem morar com ele.

Entre guerras, Diego normalmente era empregado em serviços menores como espadachim ou coisas um tanto obscuras, como saques e serviços de mercenário para nobres mas sempre utilizando prudência e honra em seu fazer.

Um desses serviços é encomendado pelo Inquisidor Emilio Bocanegra, que contrata Alatriste e um outro soldado mercenário para matar dois “hereges” que estariam na cidade em determinado local à noite.

Durante a luta que se seguiu Alatriste acha a história dos hereges estranha e resolve poupar os homens. Isso acaba tornando-se o maior erro que ele poderia cometer e quando vem a tona a verdadeira identidade dos homens que Diego poupou, ele percebe que entrou no meio de uma disputa maior do que ele poderia imaginar. Com inimigos poderosos, Diego Alatriste precisa enfrentar guerras, golpes e sair de armadilhas feitas apenas para tentarem se livrar dele, isso enquanto cuida de Iñigo e tenta viver algum amor ao lado de atriz María de Castro sua amante de longa data.

- Trailer



- Crítica

Utilizando uma mistura de personagens reais e históricos Alatriste é um filme singular e marco do cinema espanhol. Acho estranho como ele pode ser tão mal visto, mal falado e tão amplamente criticado quando percebemos nele todos os elementos de um bom filme do gênero;

Temos uma ótima fotografia, com texturas e uma cenografia perfeitas que tem o poder de nos transportar para a Madri do séc. 17; apinhada de gente com pobres, escravos, comerciantes e transeuntes nas ruas de terra mostradas com realidade singular, além das cenas nos palácios, castelos, tavernas e lojas serem uma verdadeira imersão.

As batalhas, sejam as lutas de espadas homem-a-homem, sejam as batalhas campais nos mais inusitados lugares como em meio ao rio, num navio, em meio às planícies contra os franceses; tudo é muito bem dirigido e orquestrado com maestria por Agustín Díaz Yanes, que consegue manter uma história coerente tendo tantos fios para atar.

Os atores estão todos muito bem colocados, ninguém destoa. Seja Ariadna Gil interpretando a Atriz Maria de Castro, tanto no auge da beleza quanto na decadência, seja com Enrico Lo Verso, com o enigmático Malatesta, que não sabemos exatamente oque pensar dele até o final. As surpresas estão principalmente com o fato de vermos Viggo Mortensen num papel totalmente em espanhol (infelizmente eu não sei nada da língua de Cervantes, e não posso julgar se ele falou bem ou mal) mas que mesmo assim consegue passar uma credibilidade impar ao personagem; Banca Portillo, no papel de Emilio Bocanegra e não posso deixar de falar de Pilar López de Ayala, muito bem como a esposa de Malatesta, provando que não existem papéis pequenos, e sim interpretações pequenas.

As roupas, efeitos, cenários, e história bem cozida fizeram deste um filme surpreendentemente singular, uma vez que a mim foi extremamente mal recomendado sendo dito e repetido por críticos em inúmeros locais que o filme passaria “rápido demais” jogando o expectador de lado a outro sem a devida explicação. Contrariando esta opinião, achei o filme bem fundamentado, e mesmo contendo partes de cinco livros diferentes achei a história bem feita, agradável e com um ritmo coerente.

- Veredicto

Com uma boa ação, boa história, personagens bem construídos e lutas cinematográficas Alatriste é um marco do cinema espanhol que retrata com fidelidade o séc. 17 mostrando como poucos a Era de Ouro da Espanha, de seu apogeu à sua decadência. É um excelente filme, merece ser visto e é altamente recomendável.

- Trivia

O filme é de longe o filme espanhol mais caro já feito, tendo um orçamento de 24 milhões de Euros (30 milhões de dólares).

É baseado na série “Las aventuras del Capitán Alatriste” uma série de livros de grande sucesso na Espanha escritos por Agustín Díaz Yanes.

O filme foi quase feito anos antes com Antonio Banderas na direção e no papel principal.

Este não é o primeiro livro de Agustín Díaz Yanes a ganhar as telas numa grande produção. O primeiro foi O Nono Portal, (The Ninth Gate, 1999, Roman Polansky) que conta com nomes como Johnny Depp e Frank Langella no elenco.

O papel do Inquisidor Emilio Bocanegra é interpretado por uma mulher! A atriz veterana Blanca Portillo. É por isso que quando interpreta Agustina no filme Volver (Volver, 2006, Pedro Almodóvar), ela está com o cabelo curto.

O filme mostra partes de inúmeros livros da série, não se focando num volume especifico e inclusive na época que o filme foi feito não havia sido escrito ainda o volume que continha a batalha final mostrada na tela. O autor disse depois que quando chegou naquela parte da história ter se inspirado nas cenas do filme para escrever a ação.

Nota: sei que o filme não é medieval, mas por falta de outra classificação possivel inclui-o no marcador de filmes medievais.

domingo, 3 de maio de 2009

À L'Intérieur, A Invasora

À L'Intérieur
Inside
(A Invasora)




“Meu Filho, Meu Bebê.
Finalmente dentro de mim.
Ninguém o tomará de mim
Ninguém pode machuca-lo agora.
Ninguém.”


Assisti A Invasora sem saber direito do que se tratava. Foi recomendado por um amigo meu apaixonado por cinema extremo oriental que disse que este seria o único filme europeu que conseguia se aproximar do estilo asiático de fazer filmes.

E o filme é surpreendente.


À L'Intérieur, 2007
Inside (título internacional)
A Invasora (em português)
de Alexandre Bustillo e Julien Maury

com
Béatrice Dalle (A Mulher)
Alysson Paradis (Sarah)
Nathalie Roussel (Louise)
François-Régis Marchasson (Jean-Pierre)
Jean-Baptiste Tabourin (Matthieu)

O carro onde Sarah estava sofreu um acidente que fez com que ela perdesse o marido. Ela estava grávida e apesar de muitos ferimentos ela sobreviveu, a criança passa bem e logo irá nascer.

Mas Sarah não está nem um pouco bem. Ela não consegue ver beleza em coisa alguma, se tornou solitária, irascível e sofre constantemente com a falta de seu falecido companheiro.

O natal e o nascimento do filho se aproximam, mas ela não sente nenhuma alegria.

Na véspera de natal, que também é a véspera do parto de Sarah, ela está sozinha em casa, quando uma misteriosa mulher aparece em sua porta, dizendo que sofreu um acidente de carro e tentando fazer com que ela deixe-a entrar para que pudesse usar o telefone, mas a tentativa é vã, a mulher começa a apresentar um comportamento violento e fala coisas sobre o marido e sobre o filho de Sarah mostrando que a conhece, e Sarah muito assustada chama a policia.

A invasora aparentemente desaparece com a chegada dos policiais. Eles fazem uma busca, não encontram nada, e sem verem qualquer motivo para àquele ataque, não acreditam que seja algo importante e dizem que ela está segura e que pode chama-los se tiver qualquer problema.

A policia parte deixando Sarah sozinha.

Mas ela não está realmente só... a mulher agora se encontra dentro da casa.

-Trailer



- Critica

Promovido a um clássico instantâneo do cinema francês, com cenas fortes, história pesada e muita violência gráfica, A Invasora é um filme indigesto, perturbador e inovador, superando em muito minhas expectativas iniciais sobre ele. O filme trata de horror na melhor acepção da palavra, levando o expectador a ficar na ponta dos pés durante o filme todo enquanto vê se desenrolar um dos embates intimistas mais sangrentos do cinema europeu e mundial.

Mas não é só isso de sangue que A Invasora se apóia, pois, sendo apenas isso, a fita nada se diferenciaria de qualquer similar sangrento slashar americano, europeu ou mesmo oriental. É a forma de que se trata a vitima direta de toda a violência contida no filme.

Sarah.

Ela é o alvo de uma perseguição doentia, por uma antagonista predatória, enlouquecida e de poucas palavras que tal qual um tubarão caçando sua presa, não desvia o olhar do objetivo final que parece ser acabar da maneira mais sangrenta a gravidez de Sarah tomando para si seu filho recém nascido.

Até então havia visto em todos os filmes uma verdadeira proteção às grávidas, sendo um alvo com que ninguém ousaria mexer. Ninguém mexeria com isso, e nisso não se ousa tocar. Nos filmes que vitimas eram grávidas, quase sempre a violência não era posta de forma tão explicita e crua contra uma pessoa tão fragilizada. Mas não no filme de Alexandre Bustillo e Julien Maury. Aqui a grávida é o alvo total do ataque, vemos seu sofrimento e assistimos agonizantemente Sarah ser atacada, perseguida, ter as possibilidades de fuga cortadas uma a uma enquanto frequentemente, durante os ataques a direção faz questão de mostrar o ponto de vista do feto na barriga da mãe sobre total estresse que acontece ao seu redor.

Alexandre Bustillo e Julien Maury conseguiram fazer um filme de se assistir na ponta dos pés, que diferente da maioria das besteiras que vemos atualmente no cinema, coloca o expectador em total agonia. Imagino que as cenas sejam ainda mais aterrorizantes e agoniantes para o publico feminino fazendo com que a maioria das cenas funcionem como a famosa cena da castração no filme Menina Má Ponto Com (Hard Candy, Savid Slade, 2005), que é quase impossível de qualquer homem assistir sem trincar os dentes e franzir as sobrancelhas.

As atrizes diretamente em conflito, Béatrice Dalle e Alysson Paradis estão muito bem e a produção foi muito feliz com as locações, edição e trilha sonora original, sendo um filme tecnicamente sem falhas que cumpre seu papel até o ultimo minuto.


- Veredicto

Perturbador e inovador na medida certa, A Invasora é um filme extremamente recomendado àqueles que se sentirem aptos a assisti-lo fazendo com que o expectador experimente uma game imensa de sensações em nenhum momento soando obvio ou perdendo ritmo.

Um dos melhores do estilo.

- Trivia

É o único trabalho creditado à dupla de diretores Alexandre Bustillo e Julien Maury, não há nenhuma noticia sobre outros filmes de ambos nem antes e nem depois deste.

Ambos os diretores são aficionados por cinema extremo e por anos escreveram para uma revista sobre o assunto.

Alysson Pardis (Sarah no filme) é irmã de Vanessa Pardis, a companheira de longa data de Johnny Depp.

É um dos pouquíssimos filmes 100% do site Rotten Tomatoes, com nenhuma critica negativa e aclamação total à fita francesa.

Béatrice Dalle (A Mulher) é uma bad girl conhecida na europa. Já foi presa por agressão e posse de drogas. Foi declarada pessona non grata nos Estados Unidos, por conta de um problema envolvendo posse de cocaína e por issoimpedida de fazer o teste para atuar como esposa do personagem de Bruce Willis em O Sexto Sentido (The Sixth Sense, M. Night Shyamalan, 1999).

A cena final, na escada, já foi votada como a mais perturbadora e sangrenta de todo cinema de terror moderno.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Donkey Punch, Prazeres Mortais

Donkey Punch
(Prazeres Mortais)




"Alguém ouviu falar do Coice de Mula?
Basicamente você está amando a sua garota por trás e, justo quando está para gozar, soca ela com força na nuca. Isso causa um espasmo muscular involuntário. Um apertão como você nunca sentiu..."

Acompanhei pela mídia como havia sido o ano de 2008 em termos de filmes de horror e suspense, e em vários lugares foi citado Dinkey Punch como um dos filmes do ano passado que valiam a pena de ser vistos.

Não compartilho, como muitos, da opinião que o filme é tão inovador ou tão bom quanto a sua premissa sugere e o resultado da projeção eu resenho e critico abaixo.

Donkey Punch, (2008)
de Oliver Blackburn

com
Nichola Burley (Tammi)
Julian Morris (Josh)
Jaime Winstone (Kim)

Lisa, Kim e Tammy são amigas inseparáveis. E recentemente Tammy não está bem... seu namorado a traiu e ela está precisando relaxar e esquecer tudo de ruim que aconteceu. Oque seria melhor do que um fim de semana no sul da Espanha banhado pelo mediterrâneo?

As garotas só querem saber de se divertir e entre uma boate e outra conhecem Bluey, Josh e Marcus. Após alguma conversa elas já estão num iate para oque seria apenas assistir a um paradisíaco por do sol no mediterrâneo. Mas as drogas começam a rolar, as conversas sobre manobras sexuais começam a acontecer, os ânimos começam a aumentar e tudo evolui para uma noite de sexo onde parece estar rolando de tudo, inclusive filmagem.

Durante a ação Bluey incita Josh a tentar o Donley Puch, o Coice da Mula (a manobra sexual que dá origem ao nome do filme e está sumarizada pelos próprios personagens na parte transcrita em itálico) em Lisa, e ela acaba morrendo. Depois disso começam as discussões no barco? Oque fazer? Quem chamar? Foi um acidente?

- Trailer



- Critica

Oliver Blackburn não tem trabalhos relevantes no cinema para que possamos fazer qualquer comparação da evolução de sua forma de dirigir, mas, penso que o filme é um retrato de como um roteiro bom pode se perder por conta de decisões mal tomadas durante a produção.

O filme consegue ser muito bom em criar um clima de suspense quando se dá a morte e claramente há a divisão de interesses sobre como proceder. As mulheres obviamente queriam chamar as autoridades e acabar logo com àquilo, “querem fazer a coisa certa” e até um dos tripulantes que não estava na hora do “acidente”, Sean, também deseja chamar a policia. Mas Marcos, o capitão interino do navio que ainda não tinha recebido licença para ser um capitão pensa diferente, assim como Josh, o responsável direto pela morte e Bluey que forneceu as drogas.

Há também o fato de que tudo foi filmado e há a discordância dos próprios homens do que fazer com a fita... guarda-la para mostrar quem realmente matou Lisa ou destruí-la fazendo com que todas as provas simplesmente desapareçam?

Os momentos de discussão são bons, com uma tensão real e bem dirigida, mas infelizmente lenta e gradualmente a direção começa a perder a mão. As ações começam a ficar aparentemente caóticas e os personagens fazem cada vez mais coisas sem nenhum sentido levando, cada um a seu tempo, a morte de cada um deles de forma totalmente sem nexo.

Alguém pode me explicar porque atravessar uma parede de vidro é mais inteligente do que quebra-la com um enfeite de aço? Essa é apenas uma das inúmeras loucuras que acontecem e fazem o filme perder qualquer credibilidade fazendo com que o que seria uma boa história de horror, se transforme num filme com mortes cinematográficas e boas cenas de violência gráfica, mas desprovido de qualquer ligação com a história ou com a realidade.

No fim, o filme não é uma bomba no sentido da palavra, mas deixa muito a desejar do que poderia ser uma história que começou muito bem sobre a inconseqüência dos jovens que aparecem na fita.

As coisas enrolam e se desenrolam tanto que passamos a nem mesmo ligar para oque acontece na tela, fazendo com que ao minutos finais sejam irrelevantes sobre quem começou, quem tem razão e desejamos apenas que o filme acabe.

As locações são belíssimas, como deveriam ser num filme como este, e cumprem bem seu papel de fundo paradisíaco para as mortes que se dão em tela.

Penso que Oliver Blackburn é uma promessa, e com o tempo e com um roteiro feito de maneira mais amarrada ele tem a possibilidade de fazer um bom filme, triunfando onde este naufragou.

- Veredicto

Apesar de um começo promissor e uma direção que se mantém forte até cerca do meio do filme, Prazeres Mortais descamba para o gore, o esdrúxulo e pro sem sentido, fazendo com que seja até uma boa diversão para uma tarde vazia, mas nada além, oque é uma pena pra um roteiro que começou de maneira bastante original.

- Trivia (alguns retirados do IMDB)

Julian Morris, que faz de Josh é o rosto mais conhecido do filme, uma vez que ele trabalhou como o Dr. Andrew Wade em ER – Plantão Médico na sua 15 temporada.

Apesar do filme se passar em Majorca, a cena em que elas estão no táxi no inicio foi filmado na Costa del Sol.

Foi filmado em apenas 28 dias.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Haute Tension, Alta Tensão

Haute Tension
(Alta Tensão)




“Você não pode escapar de mim”

Após assistir a nova versão de Viagem Maldita (Hills Have Eyes, Alexandre Aja, 2006) fiquei realmente impressionado com a crueza e o extremismo deste remake. Alexandre Aja, o francês que o dirigira o novo filme foi pinçado por Wes Cravem em pessoa, o diretor e escritor do filme original, que tinha se impressionado com seu desempenho na direção de Haute Tension.

Assisti o filme há alguns anos, e após revê-lo esta semana, resenho e critico para o blog.

Haute Tension, 2003
de Alexandre Aja

com
Cécile De France (Marie)
Maïwenn Le Besco (Alexia)
Phipippe Nahon (O Assassino)

As amigas Marie e Alexia resolvem passar um fim de semana na casa dos pais de Alexia no interior da França, onde pretendem estudar para as provas que se aproximam. O plano inocente, no entanto, se transforma num pesadelo repleto de violência quando um maníaco aparece sem mais explicações na casa e assassina brutalmente os pais de Alexia.

Marie consegue se esconder e aterrorizada vê que o homem amarra e pretende levar Alexia com ele. Sem conseguir pedir ajuda, Marrie pode ser a única que pode livrar Alexia de uma morte sangrenta e ela não pretende abandonar a amiga entrando numa corrida desenfreada para salva-la.

- Trailer



- Crítica

Haute Tension é, talvez, oque temos de melhor em termos de horror moderno europeu dos últimos anos. Não que faltem candidatos ao posto, ao contrário, temos uma excelente produção de filmes de horror vindos do velho continente, mas vemos constantemente o estilo perder a mão em fitas que muitas vezes se mostram pouco além das expectativas iniciais ou muito aquém. Haute Tension, neste quesito, acerta em cheio, sendo um filme surpreendente e violento, mas que ao mesmo tempo mantém do inicio ao fim uma coerência sem igual.

Alexandre Aja soube como poucos levar a cabo uma empreitada intimista como esta, uma vez que o filme se desenvolve com muito poucos papéis, apoiando-se praticamente pela tríade de Marrie, Alexia e o Assassino. (Inicialmente o filme seria mais claustrofóbico ainda, uma vez que o roteiro original havia sido pensado para ser filmado integralmente apenas dentro da casa de Alexia).

Maïwenn Le Besco, como Alexia, consegue passar todo horror e todo tormento de ser a única que realmente sabe oque está acontecendo durante o filme filme, desempenhando primorosamente o seu papel com credibilidade e convencimento, assim como Phipippe Nahon, que interpreta o assassino que nos aterroriza principalmente por não sabemos quem ele é, oque ele é, e porque ele está fazendo oque faz.

Mas a estrela do filme é Cécile. Ela conseguiu passar com competência seu papel, sendo àquela que está na linha de frente mantendo-nos durante toda película na ponta dos pés, sem sabermos qual será sua próxima ação, e se ela conseguirá escapar do assassino; além de ser ela a que aplica diretamente em nós o soco no estômago que são os minutos finais do filme.

- Veredicto

Representando a nova safra do cinema independente de horror europeu, que não segue amarrado e o código de conduta imposto pelas grandes produções americanas e por isso, está livre para explorar a violência gráfica num contexto não usual, mas mesmo assim original, Haute Tension é um filme recomendável a fãs do gênero e diversão garantida aos que não temem se surpreender.



- Trivia

Após Haute Tension, Alexandre Aja sempre tem Grégory Lavasseur como seu colaborador. Juntos eles fizeram Alta Tensão (Haute Tension, 2003), Viagem Maldita (Hills Have Eyes, 2006), P2 – Sem Saída (P2, 2007), Espelhos do Medo (Mirrors, 2008) e logo devem acabar o ramake de Piranha em 3D.

Alexandre Aja se interessou por Maïwenn Le Besco para o Papel de Alexia após vela fazer Stand Up num clube francês.

Apesar de não aparecer originalmente nos créditos Luc Besson produziu o filme.

A parte interior da casa de Alexia era, na verdade, o interior de várias casas... praticamente cada quarto vinha de um lugar, mas a edição fez de tal modo que as cenas fluíram bem e deram uma excelente sensação de continuidade

A parte exterior da casa de Alexia era, na verdade, um moinho.

Apesar do filme se passar no interior da França, ele foi, na verdade, filmado na Romênia, e em apenas 36 dias.

Cécile De France treinou Muay Thai para ficar com o corpo que o papel exigia.

O Macacão que o Assassino usava diz “Aja & Feres”; Alexandre Aja é o diretor.

(spoiler) A morte do pequeno Tom inicialmente seria filmada e mostrada, mas por problemas com a produção a cena foi abandonada.

(spoiler) Inicialmente seriam dois filmes, um deles mostrado a visão de Marie e outro mostrando a visão de Alexia, no entanto, por questões orçamentárias, na edição do filme a idéia foi abandonada. Assim, adicionaram algumas poucas cenas para mostrar o terror real da descoberta de quem é o assassino, mas o filme é praticamente todo mostrando apenas visão de Marie, excluindo o breve inicio, o final e a parte onde vêem as câmeras de segurança.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Arn - Riket Vid Vägens Slut, Arn: O Novo Reino

Arn - Riket Vid Vägens Slut
(Arn: O Novo Reino)*




“Deus tem uma tarefa muito especial para você”
“Ir à Guerra?”
“Não... trazer à paz”

Cheio de expectativa, desde o ano passado esperava pela segunda vinda de Arn às telas. O primeiro filme veio decepcionando muitos leitores, mas como obra mantinha-se fiel a si mesma e era um filme até certo ponto completo e apreciei muito sua execução.

O segundo filme prometia espremer mais e mais páginas em apenas duas horas de filme, e eu que antes tinha tudo favorável sobre ele perdi as esperanças de uma boa conclusão com uma execução que deixou muito à desejar.

Arn - Riket vid vägens slut (2008)
A.k.a Arn: The Kingdom at Road's End
A.k.a Arn 2
de Peter Flinth

com
Joakim Nätterqvist (Arn Magnusson)
Stellan Skarsgård (Birger Brosa)
Milind Soman (Saladi)
Sofia Helin (Cecilia Algotsdotter)

Continuamos agora a saga de Arn Magnusson, enviado à terra santa para expiar por um pecado que não cometeu enquanto sua amada Cecília enfrenta punição semelhante num convento afastado nas terras de Götaland.

Ambos lutam para manter seus pensamentos um com o outro e para se reencontrar, mas tanto Cecília é empurrada para que faça os votos e não mais possa sair do convento, quanto Arn tem que enfrentar mais tempo à frente de seu exercito de templários enquanto luta a ultima e derradeira batalha pelo controle cristão na terra santa.

Após a batalha, Arn é dado como morto e Cecília, após um breve tempo junto ao filho que nunca antes tinha visto, começa a jornada de volta para o convento, já que não pensa em ficar com nenhum outro homem, senão seu antigo amado.

Enquanto isso, os Sverker se aliam com os Dinamarqueses e começam novamente a ameaçar o trono de Knut.

- Trailer



- Critica

Após um primeiro filme bem recebido pelo publico e parte da critica, chegamos à segunda parte da saga de Arn, e este novo filme também regido por Peter Filnth não decepciona no que tange à orquestração de elementos que formam o plano de fundo. Os atores novamente convencem em seus papéis e a fotografia é perfeita. Novamente somos tragados pelo sufocante deserto de Gaza, nas cruzadas, passamos por batalhas que souberam aproveitar bem os recursos que possuíam (tanto nas cenas em Gaza quanto nas cenas de batalha na suécia) e chegamos a uma Suécia medieval extremamente convincente; com salões, casas, castelos, mosteiros e tudo mais muito, muito bem ambientados.

Infelizmente as partes boas do filme param por aí. A despeito de boas atuações, boa fotografia, trilha sonora, som e imagem, a edição não contribui para o desenvolvimento satisfatório da história. Seriam muitos anos passados em muito poucos minutos deixando uma trama rasa, mal costurada e que muitas vezes faz referências a coisas que passam rapidamente pela tela.

Nas pouco mais de duas horas de filme, vemos anos e anos passarem, dezenas de personagens aparecerem, muita história se desenrolar; e nada, nada parece nos convencer dos fatos.

Apesar de um excelente clima, a continuidade do filme é abalada com medidas estranhamente pouco convincentes. Os anos se passam, mas aparentemente não é feito nenhum esforço ou usada nenhuma maquiagem marcante para envelhecer a maioria dos personagens. Arn ganha algumas cicatrizes, seu irmão fica careca e alguns personagens ganham alguns poucos traços, mas, fora isso, quase mais nada é notado. Cecília, Blanka e outros personagens, parecem simplesmente congelar no tempo a despeito da grande quantidade de tempo que se passa. Cecília passa anos confinada num convento e ao sair ela aparente ter quase a mesma idade de seu filho.

Enquanto o primeiro filme da saga de Arn parece ser interminável (não são poucas as pessoas que conheço que desistiram ou listaram este como um ponto negativo “O filme é longo demais, não acaba, é interminável...”) a segunda e derradeira parte parece um videoclipe. Num momento estamos acima do tempo, e em outro abaixo, há cortes sem nenhum motivo, cenas desnecessárias e outras que careceriam de ajustes e isso somada a já falada má continuidade e mudança dos personagens torna a projeção pra lá de confusa, desconfortável e contando negativamente para o filme.

Anos passam em instantes, batalhas duram segundos, personagens surgem e desaparecem do nada e vemos a obra de Jan Guillou se perder em si mesma numa trama que pode até lembrar o primeiro filme ou fazer referência aos livros, mas que nem conclui o primeiro filme satisfatoriamente e nem faz jus à obra escrita.

- Veredicto

Por inconsistência na montagem, continuidade e execução da segunda parte da saga do Cavaleiro Templário, infelizmente classifico o filme como dispensável. Apesar de ser bom para os olhos, com imagens belas e bom clima; caso tenha gostado do primeiro filme talvez seja melhor mantê-lo em mente sem conclusão, uma vez que o segundo coloca toda a história a perder.

- Trivia

O rei Knut assim como seus filhos Erik e Jon que são interpretados por Gustaf Skarsgård, Bill Skarsgård e Valter Skarsgård são todos filhos de Stellan Skarsgård, que também está no filme e interpreta Birger Brosa. Stellan Skarsgård talvez seja o nome mais conhecido da produção já que é um ator de renome internacional que já fez várias produções de Hollywood como Mamma Mia e Piratas do Caribe – No Fim do Mundo (entre tantos)

Musicas do filme foram compostas por Tuomas Kantelinen (que fez a trilha sonora de outros filmes suecos) e foi cantada por Marie Fredriksson, muito conhecida por ser a cantora do grupo sueco Roxette.

Milind Soman que faz o papel de Saladino é um Modelo de ascendência indiana que fez inúmeros papéis em filmes indianos. No entanto ele é escocês e até por volta dos 10 anos morou lá.


* Não achei em nenhum site especializado a tradução do título do segundo filme. Optei então por traduzi-lo com base no nome do livro em que foi inspirado, mas, este não é o nome oficial da tradução e me comprometo a tão logo saber dela mudar o título.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Rock'n'Rolla, A Grande Roubada

Rock’n’Rolla
(A Grande Roubada)




“As pessoas perguntam... Oque é um Rock’n’Rolla? E eu digo que não tem haver com bateria, drogas ou picadas de agulha. Não... é mais do que isso, meu amigo. Todos gostamos um pouco dessas coisas. Alguns dinheiro, outros às drogas. Outros o sexo, o glamour e a fama. Mas um Rock’n’Rolla.... ele é diferente. Porque? Porque o verdadeiro Rock’n’Rolla quer a porra toda!”
- Mr. One-Two na abertura do filme.

Nada sabia sobre Rock’n’Rolla quando o assisti. Sabia apenas que era de Guy Ritchie, oque para mim era o suficiente; diverti-me com seus outros filmes e sei que sua carreira passou por algumas baixas, assim assisti a fita esperando oque chamam ser a redenção do ex-Madonna... e também saber oque diabos era realmente um Rock’n’Rolla.


Rock'n'Rolla (2008)
de Guy Ritchie

com
Gerard Butler (One Two)
Idris Elba (Mumbles)
Tom Hardy (Handsome Bob)
Thandie Newton (Stella)
Tom Wilkinson (Lenny Cole)
Mark Strong (Archie)

Como os filmes (bons) de Guy Ritchie são, Rock’n’Rolla é sobre gangsters, o submundo criminoso de Londres e violência. Após serem enganados por um chefe do crime que comanda construções em toda uma área de Londres, um grupo de bandidos menor, o “Wild Bunch”, se junta a uma contadora à procura de excitação e começam uma série de assaltos, que mal sabem eles, mexem com mais coisas do que o dinheiro que eles roubam. Um quadro, a morte de um membro de uma banda, a ida de um membro da gangue para prisão e dois donos de uma casa de show se cruzam enquanto entendemos oque é um Rock’n’Rolla.

- Trailer



- Critica

O enredo é sempre o mesmo... todos querem algo que passeia de mão em mão por entre todos os personagens, quer eles se conheçam ou não para que depois tudo se encaixe da melhor (e com sorte, mais inesperada) maneira possível. Foi assim com Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, Guy Ritchie,1998), foi assim com Snatch: Porcos e Diamantes (Snatch, Guy Ritchie, 2000); mas, apesar do filme estar longe de ser ruim... Rock’n’Rolla não é bom como seus irmãos mais velhos.

O Filme é bem montado como os demais; o clima do submundo londrino criado por Ritchie é sempre excelente, os atores (com algumas exceções que serão abordadas mais à frente) não fazem feio, mas, este filme não tem o carisma dos anteriores. É parecido demais com eles, talvez; ou quase. Jogos e Trapaças era inovador ao seu estilo, queríamos ver porque era novo e instigante como poucos em seu tempo. Snatch, seu irmão mais novo, foi como voltar em casa e ver que sim, havia novidades mas está tudo no lugar. Já Rock’n’Rolla não é nem inovador e nem interessante nesses aspectos, a formula está se desgastando por repetição e falta de inovação.

Antes deste filme as tentativas de Guy Richie de filmar a esposa (atual ex-esposa cabalística) foram pro buraco junto com Revolver (Revolver, Guy Ritchie, 2005) que não agradou a ninguém, possivelmente nem ele mesmo com problemas de produção, distribuição e outros do gênero.

Rock’n’Rolla é uma volta do diretor às origens e sua antiga forma, e é bom; mas só isso. Nada empolgante e nem instigante como os outros.

Oque está errado? Talvez seja uma questão de ritmo, talvez seja uma questão da formula estar um tanto manjada, talvez seja a questão do narrador (que eu não vi muita necessidade); mas eu não ficarei com nem uma explicação e nem outras. A culpa é de Gerard “This is Sparta!!!” Butler. Enquanto todos os atores fluem sobre o filme (Tobby Kebbell está muito bom, assim como Idris Elba) ele parece incomodado com algo durante todo o filme, seu personagem não convence em nada, faltando de carisma e qualquer atrativo que seria esperado de um dos protagonistas.

- Veredicto

Rock’n’Rolla é mais do mesmo... ele é exatamente igual aos ouros filmes de Guy Richie de sucesso. Personagens estranhos do submundo londrino, com alcunhas igualmente interessantes, numa espiral louca de violência e crime tão inusitada quanto engraçada que faz você assistir, mas neste caso diferente dos outros, esperar por mais. Vale a pena, mas não espere mais que um sorriso ao final da projeção.

- Trivia (contém spoilers)

O filme já em seu final dá o sinal que será feita uma seqüência. Ritchie afirma que será na verdade uma trilogia sobre o “Wild Bunch” é ver pra saber se Gerard “Sparta” Butler se encontra...

Oque temos de Ritchie com os russos? A melhor cena do filme é a louca perseguição dos guarda costas russos ao grupo em fuga. Eles, assim como outros personagens como Boris “The Blade” ou Boris “The Bullet Dodger” parecem ser impossíveis de matar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Gomorra

Gomorra
(Gomorra)



Assisti Gomorra apenas por um motivo. Sabia do filme, sabia de sua existência, mas não me interessei por ele até estar num cinema e ver àquela que é a mais antiga forma de propaganda de filmes: o Trailer.

E não me decepcionei, o filme é excelente.

Gomorra (2008)
de Matteo Garrone

com

Salvatore Abruzzese (Totò)
Gianfelice Imparato (Don Ciro)
Carmine Paternoster (Roberto)
Salvatore Cantalupo (Pasquale)
Marco Macor (Marco)
Ciro Petrone (Ciro)

A policia invade um conjunto habitacional caindo aos pedaços, onde as pessoas se amontoam uma sobre às outras em meio a várias passarelas de concreto. Os bandidos locais já haviam dado o sinal e quase todos conseguem fugir, apesar de um dos marginais, enquanto corria da policia, deixar sua arma cair. Um menino assiste tudo através de uma fresta em sua janela.

O menino atravessa a rua, pula muros e evita a policia para pegar a arma. Ele a devolve ao bandido que o paga algum dinheiro, mas o garoto não parece interessado nisso. “Como posso trabalhar para vocês?” e o traficante apenas sorri dizendo o irá procura-lo quando chegar o momento.

A cena acontece na Itália, mas não é diferente do Brasil onde vemos tantos jovens serem arrastados para a criminalidade por necessidade, falta de emprego, glamour, esperança de dinheiro rápido e às vezes por total possibilidade de escolha. O garoto da história é Toto e é assim que ele entra para a Camorra, a máfia napolitana.

Passando em diversos planos, entre outras coisas, Gomorra procura mostrar como se dá o recrutamento de novos membros da Camorra, quer seja como o garoto Toto ou o universitário desempregado Roberto; como são tratados àqueles que saem da linha como os bandidos de terceira categoria Marco e Ciro; e, principalmente, até onde chega sua influência, indo da alta costura Italiana até o acobertamento de resíduos tóxicos.

- Trailer



- Critica

É impossível ver Gomorra e não traçar um paralelo com Cidade de Deus (Cidade de Deus, Fernando Meirelles, 2002), uma vez que ambos os filmes falam sobre a criminalidade, como se entra nela e como se vive em meio a ela. Ambos os filmes mostram que a criminalidade é um problema de complexo, mas de caráter universal; a diferença entre ambas as realidades é, talvez, apenas a organização.

Mas na mesma medida da igualdade os filmes são diferentes. Cidade de Deus ainda é uma história sobre esperança, sobre como o personagem principal, Buscapé, consegue escapar da realidade de violência e pobreza ao seu redor, mesmo tantos e em tanta quantidade ficando no caminho. Gomorra, ao contrário, é um filme desalentador, sem personagens engraçados ou virtuosos e em nada tem em termos de esperança.

Os atores (em maioria na verdade, não-atores) são excelentes em passar a realidade crua do filme, sejam eles donas de casa cujos maridos foram presos e agora recebem dinheiro da máfia para se manter, sejam crianças já no crime, não vemos no filme nenhuma brecha ou reflexo de má atuação, todos são eles mesmos, os personagens e criam uma atmosfera perfeita a um filme que tanto exige para ser verossímil.

A fotografia também foi finamente trabalhada, as tomadas são áridas como quase nunca vemos num retrato da europeu. Outros filmes italianos, mesmo àqueles com histórias pesadas, sempre deixam retratar a Itália bela, exuberante. No filme de Matteo Garrone não, a decadência de valores que vemos em alguns dos personagens se refletem na paisagem; ouso dizer que não temos nenhuma passagem de beleza (numa Itália que todos sabemos ser bela) as ruas são mal cuidadas, o conjunto habitacional (mesmo sem contar o grau de pobreza que poderia chocar um brasileiro) é decadente e até mesmo Veneza é mostrada apenas como uma sucessão de tons cinzentos.

Baseado no livro de Roberto Saviano e dirigido com maestria por Matteo Garrone Gomorra choca, não só pelas cenas, mas por tudo aquilo que a Camorra faz. O filme acaba por nos revelar o quanto da máfia nos toca, estendendo seus tentáculos desde a família mais humilde, passando pela alta costura Italiana e indo até mesmo à reconstrução do WTC.

- Veredicto


Por um conjunto consistente, uma história que prende, um roteiro bem construído e por falar de um problema ainda tão atual, Gomorra é um filme indispensável, merecendo ser visto, e, principalmente, ouvido como o alerta que é.

- Trivia

Tanto o Diretor, Matteo Garrone, quanto o autor do livro e roteirista do filme Roberto Saviano sofreram inúmeras ameaças da Camorra por expor a organização. Atualmente estão em proteção permanente pela policia Italiana.

Reforçando o caráter polêmico do filme três atores que participaram das filmagens: Giovanni Venosa, que interpreta um dos chefes locais da máfia na película, foi preso por trafico de drogas e extorsão; Salvatore Fabbricino, que representava um jovem que fazia trafico no filme, foi preso sob a mesma acusação de seu papel e Bernardino Terracciano, que faz o papel de “Tio Bernardino” foi preso por envolvimento no assassinato de imigrantes africanos.

No filme Scarlett Johansson aparece (e é creditada como Imagens de Arquivo) usando a roupa supostamente feita pelo Mestre Pasquale.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Låt Den Rätte Komma In, Deixe Ela Entrar

Låt Den Rätte Komma In
(Deixe Ela Entrar)



Tive meu primeiro contato com o filme de Thomas Alfredson quando vi algumas resenhas sobre ele em alguns sites especializados, mas sinceramente não me interessei. Atualmente filmes de vampiro estão um tanto quanto repetitivos e simplesmente passei por ele, mas o nome... o nome eu guardei “Låt Den Rätte Komma In”.

Andando pelo IMDB e indo até a lista do TOP 250 eu procurava um filme qualquer quando percebi que Låt Den Rätte Komma In estava por volta de 220. Achei estranho porque era um filme sueco lançado fora do circuito... como em tão pouco tempo (de outubro quando ocorreu o lançamento na maioria dos países, até dezembro) o filme tinha subido ao patamar do top 250? Intrigado e curioso consegui uma cópia e o assisti.

E confesso que me surpreendi muito.

Låt Den Rätte Komma In
de Tomas Alfredson

com

Kåre Hedebrant (Oskar)
Lina Leandersson (Eli)
Per Ragnar (Håkan)

Oskar é um garoto de 12 anos sozinho e mora com a mãe num conjunto habitacional da Suécia dos anos 80. Não tem amigos, é constantemente perseguido por colegas de escola e o provocam e espancam sempre que podem fazendo com que ele alimente fantasias de vingança enquanto fica uma faca no tronco de uma árvore.

Até que Eli se muda para o apartamento ao lado do seu. Ela é uma menina aparentemente da idade de Oskar, igualmente sozinha e igualmente morando apenas com um de seus pais, o estranho Håkan.

E uma onda de assassinatos começa a acontecer.

Eli e Oskar lentamente se aproximam, se tornam amigos e a garota passa a fazer companhia a ele e a estimular que ele lute contra os garotos que o provocam.

Oskar junto dela se sente feliz, apaixonado e ambos se tornam inseparáveis mesmo com a resistência de Håkan, que pede para sua filha que não mais se encontre com o garoto. Håkan na verdade é o responsável direto pelas mortes e tem medo que a proximidade da menina com um morador local possa atrair atenção indesejada.

No entanto, nem Eli é filha de Håkan e nem Håkan é um puro e simples assassino. Eli é um vampiro que precisa de sangue humano e Håkan é uma espécie de carniçal (apesar deste termo nunca ser usado durante todo o filme), um humano que serve um vampiro como um escravo e é responsável por conseguir o sangue necessário para que ela sobreviva.

Mas Håkan morre. E Eli passa a contar apenas com Oskar para ter companhia e para ajuda-la a se alimentar.

“Você gostaria de mim mesmo que eu não fosse uma garota?” Ela pergunta.


- Critica

Há muito tempo não via um filme de vampiros como este, ele consegue ser tudo que já se foi sobre os vampiros em cinema e mesmo assim ser completamente diferente e novo.

Sim é um filme de vampiros, mas não na acepção básica de terror que estamos acostumados. Não há a idéia simples de um monstro gótico, solitário e vindo de uma atmosfera árida como vemos em Nosferatu da década de 20, apesar de sim haverem monstros solitários e uma atmosfera sufocantemente árida. Não vemos a idéia clássica de um predador humano sensual como os filmes clássicos que deram inicio ao mito do vampiro no cinema com Bela Lugosi na década de 30, mas sim, há uma atração pelo vampiro interpretado magistralmente por Lina Leandersson. Não há atmosfera de horror pessoal mostrada nos romances de Anne Rice, que se alastraram pelo cinema e pelos livros de RPG em 90, mas oque seria esta estória, senão uma estória de Horror pessoal?

Låt Den Rätte Komma In, é mais que um filme sobre vampiros, e muito mais do que um filme de terror. É um filme sobre tudo isso e relacionamentos. Roteirizado por John Ajvide Lindqvist o mesmo autor do livro de mesmo título e dirigido por Thomas Alfredson (que tem um estilo de direção um tanto semelhante com Guillermo del Toro) conseguiu mostrar além de uma excelente história fantástica a ternura e a dificuldade de se apaixonar aos 12 anos, sem que isso caia numa baboseira sentimentalista. Ambos os atores, Kåre Hedebrant e Lina Leandersson, são extremamente convincentes em seus papéis e conseguem passar tanto o amor que sentem um pelo outro, quanto a perdição que isso significa.

Os efeitos especiais são mínimos, mas bem usados e conseguem causar arrepios como na famosa cena que mostram oque acontece a um vampiro quando entra numa casa sem ser convidado. A construção de época, fotografia, e ritmo são condizentes criando uma atmosfera perfeita para o desenrolar da trama.

Bem equilibrado, não é surpresa que esta produção, despretensiosa, com um orçamento modesto e vindo da gelada Suécia tenha conseguido entrar no seleto top 250 do IMDB (atualmente ele está em 191°) ultrapassando em qualidade inúmeros outros Blockbusters dispensáveis. E recebeu 97% de reviews positivos no Rotten Tomatoes, site famoso por criticar impiedosamente.

Um ultimo questionamento antes de darmos o veredicto teria sobre o paradoxo que há na relação de Oskar e Eli que nos faz questionar um ponto. Ela, a despeito do que demonstra ou faz demonstrar durante o filme, realmente ama ele, ou ela quer apenas usa-lo. Vemos um breve momento em que Eli demonstra alguma ternura por Håkan, que demonstra extrema devoção pela menina, chegando ao ponto de se deformar com ácido e sacrificar a própria vida por ela quando preciso. Esse é o futuro de Oskar?

- Veredicto

Consistente, intrigante, de certa forma profundo e divertido Låt Den Rätte Komma In um filme que merece ser visto e é indispensável para fãs de vampiros, fãs de terror e principalmente para aqueles que podem nem gostar de vampiros e de filmes de terror, mas não tem preconceito de dar uma chance a um filme um tanto quanto diferente.

- Trailer


- Trivia

Durante o filme a professora lê uma história para a classe, é interessante reparar que a História é “O Hobbit” de J. R. R. Tolkien. O livro tinha sido lançado em 1937 e na época em que o filme se passa (anos 80) ele já era um sucesso infanto-juvenil na Europa e Estados Unidos.

É o Sétimo sueco a aparecer nas listas de mais vistos do IMDB. Não sei ao certo quantos filmes brasileiros já apareceram, mas, na lista atual temos apenas Cidade de Deus (em 17° lugar já há muito tempo).

Para tornar a voz da personagem mais grave e adulta Lina Leandersson dublou a si mesma durante todo o filme.

Está anunciada uma versão Americana do filme (como se isso fosse realmente necessário). Guillermo del Toro foi cotado para a direção, mas a realidade é que nada é certo sobre esta versão de Hollywood do filme. Dada a grande repercussão de refilmar uma estória já tida excelente os produtores procuraram deixar claro que se feita uma nova versão ela seria baseada principalmente em outros aspectos do livro que não foram tocados no filme sueco.

O titulo do filme (e do livro) é uma referência a música de Morrissey "Let the Right One Slip In".

Na cena final, a palavra passada por código Morse para a caixa é (P-U-S-S) que seria beijo em sueco.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Arn Tempelriddaren, Arn, O Cavaleiro Templário

Arn Tempelriddaren
(Arn, O Cavaleiro Templário)




Sempre fui fascinado por espadas e quem me conhece sabe que acho que talvez uma das melhores cenas já filmadas seja o inicio de Conan o Bárbaro, que mostra o pai do cimério mais famoso do mundo forjando uma espada. Desde quando eu era pequeno aquela cena me pareceu incrivelmente singular, e depois de velho descobri que a espada de Conan foi criação de um ferreiro famoso no mundo das espadas de filmes; Jody Samson, que hoje trabalha na forjaria Albion.

Eu sempre que posso vou até o site da forjaria e, numa dessas visitas tive a noticia que estavam sendo filmada a série de Arn o Cavaleiro Templário, baseada nos já famosos livros de Jan Guillou. Seriam dois filmes abordando os livros da série (a crítica da segunda parte pode ser lida aqui) e ambos utilizariam armas forjadas por eles e haviam links com fotos das espadas e armas da produção sendo construídas.

Este tipo de produção, com armas forjadas e locações em diversos países captou minha atenção e pacientemente esperei para que o filme fosse lançado e que eu conseguisse, com alguma sorte, vê-lo. Demorou um pouco, mas no meio do ano passado consegui uma cópia do filme que agora, resenho e critico.

Arn Tempelriddaren (2007)
de Peter Flinth

com

Joakim Nätterqvist (Arn Magnusson)
Sofia Helin (Cecilia Algotsdotter)
Stellan Skarsgård (Birger Brosa)
Vincent Perez (Brother Guilbert)

(o texto a seguir contém spoilers do filme)
A história em si começa com Arn, cavaleiro templário que protegia os peregrinos na terra santa por volta do ano 1100 lutando contra bandidos sarracenos. A vitória é rápida e breve, mas quando o cavaleiro desmonta e ajoelha-se para agradecer a Deus pela vitória sua fronte revela uma face perturbada, como se estivesse em outro lugar; longe, longe dali.

A estória deste primeiro filme conta como Arn, filho de um Jarl da importante família gótica de Fulkung fez seu caminho até a Terra Santa, apesar do coração do cavaleiro estar distante.

Arn nasceu num tempo turbulento no qual três famílias dominavam a Suécia e lutavam entre si. Sua família apoiava o rei que foi morto, e apesar de ter a paz com o rei atual era uma paz inquieta, principalmente porque às escondidas a família de Arn mantinha Knut, herdeiro do rei morto, num exílio na Noruega esperando que algum dia ele pudesse retornar e retomar oque era seu.

Apenas uma criança, Arn e vivia alheio aos problemas dos adultos, se divertindo como podia em meio às guerras e conflitos em todos os lugares. Repentinamente ele sofre um acidente e seus pais, cristãos, fazem uma promessa de entregá-lo a igreja caso o filho sobrevivesse.

Arn sobrevive e é levado a um monastério Cisterciense onde monges um tanto relutantes aceitam o garoto, que passa a ser ensinado pelo Irmão Gilbert, um monge templário que acabara de voltar da terra santa. Apesar de aprender a rezar, a ler e a escrever o foco principal do treinamento de Arn é militar. Ele aprende a lutar com espada, arco e lança, além de cavalgar cavalos de guerra.

Após um novo acidente, em que Arn mata dois homens em legitima defesa os monges o absolvem, mas falam que ele não tem vocação religiosa e estaria livre para voltar para sua família. Arn retorna para encontrar seu pai mergulhado em conflitos com o rei, que usa artifícios para tentar diminuir o poder da família Fulkung. Arn torna-se uma peça decisiva num julgamento envolvendo seu pai e um comandado do rei, e após uma vitória ganha certa fama.

Arn finda por se apaixonar por Cecília, com quem passa a ter um romance às escondidas já que o pai dela apóia o rei usurpador, inimigo da família Fulklung de modo que em tempos turbulentos como os que passavam, eles não podiam se casar devido às desavenças. Knut retorna do exílio, junta-se com mercenários e parte para assassinar o rei e Arn o apóia, principalmente porque com sua vitória pode haver a paz que precisa para seu casamento, mas as coisas não saem exatamente como o planejado.

Apesar da vitória de Knut sobre o rei que matou e tomou o trono de seu pai, ainda havia lutas e guerra com seus apoiadores. A paz para o casamento não se concretiza, e Arn e Cecília tem que manter seu relacionamento oculto. A irmã de Cecília, apaixonada por Arn e enciumada por ter por ele um amor não correspondido, ao saber da noticia que Cecília espera um filho de Arn denuncia o casal ao bispo. A igreja estava do lado do rei recentemente assassinado, e excomunga Arn e Cecília, mandando-a para um convento e ele para a Terra Santa por um período de expiação de 20 anos.

Arn, na terra santa, luta e encontra forças para no futuro possa se encontrar com Cecília.

- Critica

Tentei não ver a história do filme comparando-a com o livro, procurando ver a película como algo finito em si mesmo.

Arn Tempelriddaren é um filme singular. Não é uma produção de Hollywood, mas é grandioso em seu jeito. Não pense em visões como as grandiosas batalhas de Cruzada (Kingdom of Heaven, Ridley Scott, 2005) envolvendo milhares de pessoas com efeitos visuais e computação gráfica, pense em algo intimista, quase minimalista. O filme não investiu em tomadas grandiosas, mas pequenas e curtas, em lugares que eles podiam explorar os detalhes, tornando tudo simples, mas rico.

As locações foram excelentemente escolhidas, os figurinos, armas, armaduras e construções são perfeitas levando o expectador a se ver em meio aos locais sem a necessidade de efeitos complexos.

Outra coisa digna de nota, que ajuda a criar um clima é a questão da língua. O filme é hora falado em sueco, hora em latim, árabe, inglês ou francês, dependendo da nacionalidade das partes envolvidas nos diálogos e isso dá profundidade, verossimilhança e tornava as cenas verdadeiras dando ao filme, que foi até hoje a maior e mais cara produção sueca do gênero, uma conotação mais realista, que junto à história bem construída, ponderada e com partes de ação e sentimento balanceadas formam um filme excelente e que merece ser visto.

- Veredicto

Com uma estória épica medieval, boa fotografia, boas atuações e um clima verossímil, Arn Tempelriddaren é um filme indispensável do chamado novo cinema sueco. Uma verdadeira viagem à época e um filme que cumpre bem oque promete.

- Trailer



- Bônus

Como conheci o filme através do site da Amblion deixo aqui ambos os links para os sites

Albion Swords – Para quem quiser adquirir espadas historicamente feitas com táticas tradicionais ou modernas e qualidade superior

Arn Swords – Para quem quiser comprar replicas de espadas do filme (se viu o filme vale ao menos uma visita para ver os detalhes da produção)