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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Forbidden Planet (O Planeta Proibido)

Forbidden Planet
(O Planeta Proibido)




“Não importa onde você esteja na galáxia,
Isso é um pesadelo...”

- Lt. “Doc” Ostrow, se referindo a pegadas monstruosas no chão.


Meu primeiro contato com o filme foi feito de maneira completamente indireta. Havia uma loja de RPG em São Paulo, muito famosa nos anos 90, chamada Forbidden Planet, e procurando pela página dela, ainda nos tempos da internet discada, descobri que o nome da loja havia sido inspirado num filme de Ficção Cientifica antigo. Não dei mais importância que isso até por volta de 98 quando saiu uma lista dos 100 melhores filmes de fantasia e Forbidden Plannet estava entre os primeiros.

Procurei vagamente o filme até que por total acaso ontem o vi na TV a cabo (TCM).

E afirmo que praticamente toda a FC (ou SCI-FI) de hoje faz referência direta ou indireta a este filme.  

Forbidden Planet, 1956
O Planeta Proibido (em português)
de Fred M. Wilcox

com
Walter Pidgeon (Dr. Edward Morbius)
Anne Francis (Altaira 'Alta' Morbius)
Leslie Nielsen (Commander J. J. Adams)
Robby o Robô (Ele Mesmo)

Num futuro, a nave C-57D da federação dos Planetas Unidos (UP) é enviada ao planeta Altair IV para investigar a falta de comunicação deles para com seus compatriotas na terra há anos, mas ao se aproximarem são avisados pelo Dr. Edward Morbious, que não devem pousar ou estariam em grande perigo.

Cumprindo as ordens da federação, o Comandante J. J. Adams, segue com o plano e eles descobrem que praticamente toda população de Altair IV sucumbiu a um grande mal. Todos com exceção de Morbious e sua família.

Com a morte de sua esposa, Morbious e sua filha vivem sozinhos no Planeta, mas com a vinda da nave aparentemente a força estranha que matou todos os outros residentes volta, e um a um os tripulantes da C-57D começam a morrer.

- Trailer



- Crítica

Forbidden Planet é sempre apontado como um marco na ficção científica, e não é pra menos, o filme realmente consegue soar atual mesmo nos dias de hoje, além de ser bem filmado, equilibrado e contar inúmeras texturas dentro de si, pois, além de ser um excelente filme de ficção consegue sustentar um mistério de maneira bastante competente.

Talvez na época que fora filmado a película poderia ser, por muitos, colocada na vala comum dos filmes B de ficção, mas nada poderia passar mais longe da realidade. Forbidden Planet definiu como seriam os filmes de ficção de agora, e com mistério, comédia, romance e lutas memoráveis continua sendo lembrado conseguiu envelhecer bem, entrando pro Hall de filmes atemporais.

A direção de Fred M. Wilcox está impecável, talvez um tanto lenta para os dias atuais, mas consegue equilibrar tudo muito bem. Dos atores, temos que destacar os papéis interpretados por Anne Francis, impecável como a filha de Morbius que nunca antes havia visto outro homem que não fosse seu pai e que gera cenas que vão de engraçadas a constrangedoras por isso e Leslie Nielsen, que interpreta o comandante J. J. Adams (um precursor do Capitão Kirk) provando a minha geração que o viu apenas fazendo comédias, que Leslie era sim um ator multifacetado e não apenas o senhor nonsense das comédias que crescemos assistindo.

- Veredicto

Com efeitos inovadores para a época, um enredo interessante, psicológico e com aventura e mistério, O Planeta Proibido é um marco na ficção científica mundial, influenciando e soando um tanto atual mesmo nos dias de hoje. Fãs que acham que Star Wars e Star Trek são 100% originais, assistam este velho clássico e percebam o quanto não foi aproveitado pelos mestres da geração de ouro do Sci-Fi. Altamente recomendável.

- Trivia

O filme é vagamente inspirado na Tempestade, de Shaskespeare, com o planeta fazendo o papel da Ilha, Robby sendo Ariel e a criatura sendo Caliban.

Leslie Nielsen, hoje tão famoso por filmes de comédia como Corra que a Policia vem Aí e tantos outros, aparece jovem e galante no filme.

Há uma referência obvia à frase inicial de Robby e a fala inicial de c3po de Guerra Nas Estrelas (Star Wars, George Lucas, 1978).

Assim como em Star Trek eles fazem parte de uma “federação” de planetas e o médico é chamado de “doc” em situações muito parecidas com a de McCoy. Em entrevistas com o criador de Star Trek Gene Roddenbarry ele afirmou categoricamente se tinha se inspirado em Forbidden Planet. “Claro que sim!” respondeu.

Robby, estranhamente creditado no filme como “ele mesmo” apareceu (e aparece) em inúmeros filmes de Ficção Cientifica até hoje, sendo Forbidden Planet seu debut. Filmes incluem, “O menino invisível” de 1957, Gremlins de 1984, Looney Tunes - De Volta à Ação de 2003 entre outros. Em séries ele apareceu em “Perdidos no Espaço”, “Ark 2”, Além da Imaginação”, “Simpsons”, “Futurama” entre muitos outros tendo feito mais de 25 filmes e séries, sempre creditado como se fosse um ator próprio.

O robô da série “Perdidos no Espaço” é obviamente inspirado em Robby. Além disso Robby também apareceu na série uma vez.

Em Serenity (Serenity, Joss Whedon, 2005) o grupo vai atrás na nave C-57D no planeta Miranda. Isso é uma referência tanto ao Forbidden Planet quanto à Tempestade.

É dito que o aço adamantino dos Krell inspirou o Adamantium, o metal fictício usado nas garras do Wolverine.

Foi o primeiro filme a conter uma trilha sonora completamente “eletronica” que foi um marco para a época.

A parte que mostra Robby entrando em um dilema quando ordenado a matar o Comandante foi feita porque a criação de Robby foi inspirada nas leis da Robótica de Isaac Assimov.

O filme foi concebido em duas versões. A versão “matinè” onde não aparece a “indecente” parte do imediato ensinado Alta a beijar, além de diversas outras cenas de beijo e a versão “adulta” com todos os beijos que se podiam dar num filme dos anos 50.

Para 2010 está programada uma refilmagem, apesar de não termos nenhum diretor e nem atores escalados ainda.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

TRON (Tron: Uma Odissea Eletronica)

TRON
(Tron: Uma Odisséia Eletrônica
)



“Você acredita na existência do Usuário?”
“Claro... alguém tem que ter me escrito”


Assisti Tron há anos... o filme é do ano do meu nascimento e passou na TV quando o videocassete já era popular, pois lembro de tê-lo assistido gravado de alguma programação da madrugada. Com toda certeza sei que na época não o entendi (e assistindo novamente sei que a história era complexa mesmo), mas na hora isso não pareceu muito importante, pois quando era mais jovem o grande apelo do filme eram os estonteantes efeitos especiais.

Hoje em dia eles são talvez vistos como um tanto primários, algo risível para o garoto de 14 anos que já nasceu vendo coisas com computação gráfica na TV, mas no meu tempo (deuses estou soando velho), o filme era um vislumbre do futuro.

O assisti agora novamente por dois motivos; o primeiro deles é que TRON foi um marco, a cultura pop pega emprestado inúmeros de seus artifícios e ao assistir Family Guy parodiar a famosa cena da luta das motos, senti muita vontade de rever o filme. O segundo motivo foi que descobri que está sendo filmada a segunda parte, TRON 2.0 e deverá ser lançado nos próximos anos.

Contra todos os prognósticos, 27 anos depois, o filme continua um tanto atual e muito, muito bom.

TRON, 1982
Tron (escrita alternativa)
Tron: Uma Odisséia Eletrônica (em português)
de Steven Lisberger

com
Jeff Bridges (Kevin Flynn/Clu)
Bruce Boxleitner (Alan Bradley/Tron)
David Warner (Ed Dillinger/Sark)
Cindy Morgan (Dr. Lora Baines/Yori)

Flynn é um programador brilhante que havia escrito vários jogos que vieram a se tornar sucessos, mas ele não recebe um centavo por isso, pois ele os escreveu no mainframe da ENCOM, a empresa onde trabalhava, e outro programador, Ed Dillinger, se apropriou dos seus jogos. Dillinger ganhou rios de dinheiro, cresceu na hierarquia da companhia e conseguiu que demitissem Flynn. Dillinger também é o responsável por criar um programa chamado Master Control Program (MCP), que lentamente tomou conta de todos os aspectos da programação na empresa, ditando regras, tolhendo a liberdade dos programadores e vigiando oque cada um deles fazia gerando desgaste e frustração entre os empregados da ENCOM.

Alheio a isso Flynn vez por outra tenta invadir o mainframe da ENCOM procurando provas de que seus jogos foram roubados, mas sempre o MCP consegue descobrir e impedi-lo.

Numa dessas tentativas, o programa fecha todas as conexões, tolhendo a liberdade de outro usuário, Alan, que vai reclamar com Dillinger as constantes interrupções. Alan está fazendo um programa de segurança, TRON, e Dillinger percebe que se Alan continuar com o programa ele descobrirá não só os jogos que roubou, mas também que o MCP é o responsável por invadir inúmeros órgãos governamentais tanto nos Estados Unidos quanto no exterior.

A verdade é que o MCP adquiriu um nível superior de inteligência artificial e agora não só está se expandindo, como também está ficando independente e “lutando” pela própria “sobrevivência”. O MCP sabe que TRON pode pará-lo, o MCP sabe que Flynn tenta invadi-lo e o programa está fazendo o possível para acabar com as ameaças, seja chantageando seu programador dizendo que revelaria seus segredos, seja tentando destruir os programas que ainda fazem o trabalho dos usuários.

Alan, o programador de TRON vê o cerco fechando aos usuários e junto com sua namorada, Lora, que trabalha como um projeto de suspensão de matéria em laser, resolve alertar Flynn sobre a expansão do MCP. Após discutirem oque está acontecendo os três resolvem hackear o sistema tentando liberar TRON, acabar com a supremacia do programa e colher as provas que Flynn precisa para provar que os jogos são seus.

Mas o MCP não vai deixar-se destruir tão facilmente. Ele usa a tecnologia de Lora para tragar Flynn para dentro do espaço virtual, e lá Flynn descobre outra realidade. O Master Control está se apropriando de todos os programas fiéis aos usuários e àqueles que não se juntam ao comando da máquina são enviados para serem deletados em jogos eletrônicos. Flynn agora dentro da máquina tem que lutar por sua sobrevivência nos jogos e com a ajuda de outros programas fiéis aos usuários ele tenta fugir e ajudar TRON em sua jornada para tentar acabar com a supremacia do MCP.

- Trailer



- Crítica

Falar sobre TRON é um exercício estranho, pois o filme funciona em inúmeros níveis sendo complexo e original até os dias de hoje. Teríamos, portanto, obrigação de citar o visual inovador, a animação feita com computadores (novidade em 1982), a história complexa e os efeitos visuais mesclando técnicas novas e antigas.

Visualmente o filme é estarrecedor, e com uma mescla de efeitos digitais, visuais e analógicos Tron conseguiu uma fotografia inédita, referencial e que até hoje consegue parecer um tanto arrebatadora. Numa época que não tínhamos efeitos visuais mesclando as inúmeras técnicas com que o filme foi feito, pela primeira vez pudemos ver a ação de atores, a animação em computação, os efeitos visuais e a animação em 2D que mesclados compunham com perfeição um mundo digital próprio.

Os atores fazem quase sempre dois papéis, juntando um personagem do mundo real e um reflexo deste no mundo virtual. Assim temos Jeff Bridges como Flynn e Clu, seu programa de invasão, Bruce Boxleitner como Alan e Tron, Cindy Morgan como Lora e Yori e David Warner que faz as vezes de Sark o principal guerreiro do MCP além de ser a voz do próprio MCP. Excluindo alguma canastrisse de Jeff Bridges interpretando Clu, todos os demais estão muito bem, eu destacaria Bruce Boxleitner como Tron pela seriedade do personagem (o que seria esperado num programa de segurança, creio) e David Warner que personifica com exclusividade o mal neste filme. Steven Lisberger na direção tem todo o mérito de conseguir orquestrar bem um filme como este, para que não se tinha nenhum parâmetro na época de que foi feito.

Mas mesmo com uma ação boa, atores que cumprem seu papel de maneira competente, direção cuidadosa e os efeitos bastante inovadores porque TRON não foi um sucesso? Porque o filme, ao contrário do que poderia parecer, foi o responsável pela Disney cancelar sua divisão de Ficção Cientifica abandonando completamente todos os projetos de filmes nesta área?

A resposta, talvez, seja o tema e o tempo. Tron é inovador e atual... hoje. Na época a cultura da informática, da informação, da eletrônica, dos efeitos, jogos eletrônicos e da interconectividade estava engatinhando e ainda fora da esfera da grande maioria das pessoas. A parcela da população com acesso a computadores, aos assuntos e aos desafios mostrados em cena eram mínimos. E apesar de hoje haver discussões sobre invasão de privacidade e até onde um servidor pode ter acesso aos arquivos particulares de um usuário, sobre apropriação de propriedade intelectual e sobre segurança e invasão de computadores, isso em 1982 simplesmente não tinha nenhum apelo ao expectador. Este fator somado à história complexa fez com que tudo soasse confuso demais à maioria dos expectadores, e o filme ficasse gravado na memória das pessoas não como um marco na discussão de liberdade de informação, ou por sua boa história complexa, mas apenas como um filme de apelo visual e com efeitos, que apesar de belos não sustentam o interesse na fita e sem que os expectadores soubessem exatamente a que ele veio.

- Veredicto

Apesar de um tanto confuso e funcionar em vários planos Tron é um marco, e mais de 20 anos depois o filme ainda soa atual; seus efeitos, ainda são visualmente interessantes e sua trama, ainda tem apelo à nossa geração. A verdade é que talvez apenas agora o filme seja realmente compreendido.

Tron vale a pena. Se você já viu quando jovem, vale a pena rever e poder se maravilhar, se nunca viu, assista... veja como em 1982 foi criado algo que diferente de todos os postulados da informática, ainda é antigo e atual.

- Trivia

Steven Lisberger, o diretor e escritor da história, pensou em fazer o filme após se impressionar com o jogo PONG. Ele viu uma máquina num restaurante e mergulhou no mundo dos jogos de videogame querendo saber como poderia incorporar isso a um filme.

Vários animadores da Disney se recusaram a trabalhar no projeto, pois ele continha cenas de computação gráfica e eles achavam que isso além de tirar o “espírito” da animação era uma forma de ajudar a acabar com os próprios empregos. (hoje em dia com a crise da animação em 2D a computação realmente tirou os empregos dos animadores convencionais que não souberam se adaptar à nova animação).

O filme não foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais simplesmente porque alguns dos efeitos foram gerados por computadores, e isso na época foi considerado “trapaça”. Efeitos especiais tinham que ser visuais e “criados pelo homem”, não por máquinas.

O filme encerrou os projetos de ficção cientifica da Disney devido ao baixo retorno.

Custou 17 milhões.

O conjunto eletrônico Daft Punk disse em diversas entrevistas que TRON era um dos filmes que os inspiraram a escrever musica eletrônica, e foi recentemente anunciado que na seqüência do filme TRON 2.0, a banda fará a trilha sonora.

Tanto Jeff Bridges quanto Bruce Boxleitner deverão aparecer em TRON 2.0 dando seqüência a seus personagens, Flynn e Alan.

Em South Park quando os judeus evocam Moisés ele é exatamente igual ao MCP.

É citado várias vezes em Uma Família da Pesada (Family Guy), Simpsons, Frango Robô (Robot Chicken) e Southpark.

Na série Chuck, o personagem principal tem em seu quarto um pôster de TRON.

Clu é o nome de uma antiga linguagem de programação.

End of the Line

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Faster, Pussycat! Kill! Kill!

Faster, Pussycat! Kill! Kill!



“Senhoras e senhores, bem-vindos a violência! Tanto da palavra como da ação porque a violência pode manifestar-se de várias maneiras, sendo que sua forma preferida ainda
continua sendo o sexo.

A violência devora tudo o que toca, seu apetite quase
nunca se satisfaz, mas ela não se importa só em destruir; ela também pode crir e moldar.

Examinemos mais detalhadamente a mais nova e maligna criação desta nova geração presa e contida na pele macia da mulher.
 A doçura e o perfume inconfundíveis das fêmeas são brilhantes e cheios de luxúria. O corpo dócil e macio...
Mas atenção! Ajam com cuidado e não baixem a guarda! Esta espécie causa estragos sozinhas e quando estão em grupo. Sem importar o lugar, o momento, ou com quem quer que seja. Quem são elas? Uma delas pode ser sua secretária. A recepcionista do seu médico.. ou até uma dançarina de um Go-Go Club!”

- Texto falado no Inicio do Filme

Há muito tempo eu prometia a mim mesmo assistir o famoso Faster, Pussycat! Kill! Kill! mas nunca parecia ser o momento certo, no entanto, nesse marasmo sem filmes que valham a pena (Uol-verine ainda está entalado na minha garganta como uma das maiores porcarias pintar em muito tempo), me animei e assisti o clássico de Russ Meyer.

E posso dizer que o filme é Diversão garantida, ou seu dinheiro de volta!

Faster, Pussycat! Kill! Kill!, 1965
de Russ Meyer

com
Tura Satana (Varla)
Haji (Rosie)
Lori Williams (Billie)
Sue Bernard (Linda)
Dennis Busch (o Vegetal)

(A descrição do filme pode conter Spoilers)

Varla, Rosie e Billie são dançarinas de boate, que gostam de fazer corridas com carros velozes no deserto. Não sabemos as atividades exatas delas, mas podemos ver que Varla parece ter um passado um tanto quanto violento e além de ser a mais truculenta, fria e rápida no volante é também uma espécie de líder das demais.

Enquanto estão correndo no deserto conhecem Tommy e sua namoradinha Linda, e aparentemente apenas para se divertir Varla começa a incita-lo a participar de uma corrida contra ela, provocando o casal com todo tipo de coisa que podia. Tommy é membro de um clube de carros e não quer correr contra ninguém e nem cometer nenhuma imprudência, querendo apenas tomar seus tempos na pista do deserto, mas as mulheres o provocam tanto que ele por fim concorda e corre contra elas.

A corrida é acirrada, e após quase haver um acidente grave, Varla ganha. As mulheres continuam a provocar Linda e Tommy, e depois de Varla roubar o cronômetro de Linda, e chamar Tommy para briga, acontece uma luta surpreendente e improvável onde Varla, sem muita dificuldade domina e mata Tommy, tomando Linda como refém em seguida.

Rosie é contra tudo àquilo, Billie é inconseqüente demais para pensar à frente, mas Varla promete que logo também se livrarão de Linda, e durante sua fuga elas tem contato com um velho que aparentemente viveria sozinho com seus filhos e que teria muito dinheiro guardado.

Varla então convence suas amigas a tentarem achar e roubar o dinheiro do velho, sem saber que o próprio velho também tem planos para as garotas.

- Trailer



Antes de começar o Trailer aparece o seguinte aviso:

Pelos próximos 90 segundos, enquanto o trailer está passando, todos os expectadores com qualquer nível de sabedoria, gosto ou inteligência por favor mantenham seus comentários para SI MESMOS, ou PREGAREMOS SUAS LINGUAS NO CHÃO.

Obrigado.


- Crítica.

“Eu nunca tento nada, Eu apenas faço.”
- Varla, desafiando Tommy para Corrida

Russ Meyer é tido como o rei do cinema de Exploitation, sempre fazendo filmes que mulheres dominam, destoem ou acabam com homens em diversas situações, e Faster Pussycat! Kill! Kill! é sua obra mais conhecida e celebrada.

Em 1965 enquanto todos aplaudiam filmes como A Noviça Rebelde (que ganhou o Oscar daquele ano), A Nau dos Insensatos e O Espião que Veio do Frio, Meyer conseguiu fazer um filme extremo, divertido, violento e atemporal que viria a ser aplaudido, influenciado e celebrado por anos e anos que se seguiram.

No filme temos carros em alta velocidade (sem a atitude pedante da série Velozes e Furiosos), luta, violência e mulheres, muitas mulheres praticando oque em 1965 só poderia ser visto como as maiores atrocidades possíveis, uma vez que longe de serem recatadas, submissas e castas, as mulheres na obra de Meyer são predadoras vorazes, violentas e extremamente sexuais.

As cenas de ação do filme estavam no auge do que se podia encontrar nas telas, a violência mostrada era algo como nunca antes se viu, e as mulheres, o tempo todo em trajes sumários prontas a destruir os homens mesmo sem ter nenhuma arma na mão, dão o tom daquilo que à partir daquele ano foi copiado e requintado em muitos meios poucas vezes se igualando em diversão ou violência ao original.

Mas mesmo com todo o louvor técnico e história distorcida, talvez o melhor do filme seja (e continue sendo) a maravilhosa Tura Satana, que aparece como a Badgirl definitiva. Haji cumprindo as ordens sem questionar e Lori Williams com toda a inconseqüência de seus atos podem chocar, mas Tura, desafiando os homens, matando e criando planos e mais planos para destruir aqueles que se colocam em seu caminho em sua busca enlouquecida por emoção e dinheiro se tornam uma das figuras mais cultuadas e memoráveis do cinema.

Hoje em dia a fita é tida como Cult e mostrada em inúmeras mostras de cinema extremo mais como uma curiosidade do que pela inovação que trouxe na sétima arte em seu tempo, e sem Faster, Pussycat! Kill! Kill! Acho que dificilmente teríamos hoje filmes como Kill Bill, Snatch e Balada do Pistoleiro, por exemplo.

- Veredicto

Com Tura Satana e Russ Meyer empenhados em fazer um filme violento e divertido, e como diversão inconseqüente excelente e uma aula de história de como começou o cinema de exploitation, Faster, Pussycat! Kill! Kill! é indispensável e altamente recomendável.

- Trivia

Apesar de conhecido pelas cenas de nudez em seus filmes (Russ Meyer é conhecido como o “Rei da Nudez”) neste filme não temos nenhuma nudez, apenas insinuações.

Tura Satana, que aparece lutando no filme aprendeu Karate e Aikido quando era jovem, porque foi estuprada ao 9 anos por cinco homens. Nenhum dos seus estupradores jamais foi preso e ela sonhava em se vingar de cada um deles (oque ela chegou a fazer com alguns).

É dito que o filme se chama Faster, Pussycat! Kill! Kill! porque era o único título que continha tudo àquilo que o filme era. Tinha carros rápidos (na época que isso não era a baboseira que vemos em Velozes e Furiosos e afins) “Faster”; tínhamos mulheres “Pussycat” e tínhamos violência “Kill!”

Tura Satana é dona da própria imagem, assim todas as vezes que Russ Meyer queria fazer qualquer promoção, mudança ou divulgação tinha que pagar novamente todos os direitos a ela.

Quentin Tarantino sonha há anos em fazer um ramake deste filme. Há alguns anos ele chegou a anunciar Britney Spears como possível de fazer o papel de Billie.

Havia uma banda de Heavy Metal chamada Tura Satana que em vários de seus álbuns homenageou o filme ou com musicas que falavam dele ou com trechos parafraseando partes do filme, além da própria vocalista se vestir muito parecida com o estilo da verdadeira Tura Satana.

A banda de Heavy Metal White Zombie (que tinha como vocalista Rob Zombie que hoje em dia é um diretor de cinema especializado em terror respeitável, e responsável por filmes como Halloween e House of a 1000 Corpses) tinha uma musica que homeageava este cult, o nome é Thunderkiss ’65. O título faz alusão ao ano do filme enquanto durante a musica é mostrado uma parte do diálogo de Tura Satana.

No túmulo de Russ Meyer temos a seguinte inscrição

Russ Meyer
“O Rei da Nudez
E com Orgulho”
Produtor de filmes e Diretor
21 de Março de 1922
18 de Setembro de 2004

- Bônus

Blog da Tura Satana.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Killshot, Tiro Certo

Killshot
(Killshot: Tiro Certo)




Você precisa saber o que está fazendo quando entrar. Você deve ter tudo planejado essas são as regras. Como você entra e como você sai. Quantos tiros vai precisar dar. Tenha certeza de saber onde todo mundo está. Cuide para que ninguém o veja, não se apegue a nada a sua volta, não vacile e você não cometerá erros.”

Assisti Killshot por absolutamente nenhum motivo, foi uma espécie desses “filmes-supresa”. Não sabia sequer sobre oque ele tratava, simplesmente me passaram como “bom” e tive a oportunidade de assisti-lo, e posso dizer que valeu a pena.

Killshot, 2009
Killshot: Tiro Certo (em português)
de John Madden

com
Diane Lane (Carmen Colson)
Mickey Rourke (Armand "The Blackbird" Degas)
Thomas Jane (Wayne Colson)
Rosario Dawson (Donna)
Joseph Gordon-Levitt (Richie Nix)

Armand Degas é um assassino profissional. Ele sofreu revezes no passado, mas é um assassino perigoso, bom no que faz e a que máfia manda em missões que ninguém mais quer pegar sendo mandado numa missão mais importante que o de costume.

Mas Armand tem uma regra que aprendeu a duras penas com seus erros, todos que viram seu rosto durante um serviço serão mortos. Ele mata, então, uma pessoa que não devia e passa a ser procurado e caçado pela máfia.

Sem poder aparecer, e vivendo na margem ele se envolve com Richie Nix, um ladrão de meia-tigela, que conta vantagem de tudo que fez e que não fez querendo sempre soar como uma ameaça maior do que ele realmente é. Richie consegue convencer Armand que tem um golpe muito bom em andamento e eles seguem juntos para apanhar o dinheiro de uma extorsão quando todo o plano dá errado.

Eles são vistos por um casal no local e a partir de agora o foco de Armand não é mais conseguir dinheiro, e sim ir atrás das duas pessoas que viram seu rosto para elimina-las.

O casal é posto no programa de proteção a testemunha, e tem que enfrentar seus próprios problemas enquanto o os dois assassinos brincam um jogo perigoso de gato e rato com o FBI para encontrar as testemunhas.
- Trailer



(avisamos que o trailer mostrado aqui não corresponde exatamente ao filme que foi lançado. Na realidade, Johnny Knoxville que aparece no trailer e Quentin Tarantino não aparecem na versão final lançada agora em 2009, além de aparecerem inúmeras cenas que não estão no filme, este trailer foi colocado apenas porque nenhum outro com o filme verdadeiro foi encontrado).


- Critica

A um expectador pouco atento pareceria que Killshot foi filmado logo após The Whrestler, e que ele simplesmente aproveitaria a boa fase de Mickey Rourke, mas conforme mostramos na seção “tivia” abaixo, a realidade é que Killshot é um filme antigo, mas que prova que o Sr, Rourke foi desvalorizado sem motivo há mais tempo do que se admite, pois assim como O Lutador (The Wrestler, ,2008) Killshot: Avo Certo é um filme despretensioso, simples, barato, mas que a despeito da turbulência em sua produção, é um filme excelente que contém todos os elementos do bom entretenimento.

O filme foi feito por John Madden, responsável por Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love, 1998) e Sua Majestade Mrs. Brown (Mrs. Brown, 1997) e que apesar de ter muita experiência em thrillers em séries para a TV nunca tinha dirigido um filme como este, executando-o muito bem e sem deixar de perder a mão, mesmo com tantos problemas cercando a produção.

Os atores também estão muito bem, além de Mickey Rourke, destacamos Joseph Gordon-Levitt, que conseguiu passar muito bem a idéia de um personagem que caminhava entre o impulso e a violência. Diane Lane e Thomas Jane também estão bem.

- Veredicto

Com boas atuações, trama bem construída e uma produção que finalmente parece ter se encontrado, Killshot é um bom filme feito num outro tempo mas lançado no momento certo. Entretenimento como estávamos precisando agora.

- Trivia

Incrivelmente este filme foi completamente acabado em 2006! Ele não foi lançado por inúmeros motivos, mas principalmente os testes executados com ele mostraram que o roteiro estava muito confuso, oque levou os produtores a eliminar completamente uma parte da história (Johnny Knoxville, responsável pela série Jackass estaria no filme num dos papéis principais, mas seu personagem e toda sua ação foram completamente cortados). O filme foi então programado para ser lançado em 17 de Março de 2006, mas acabou sendo re-programado para outubro do mesmo ano até ser colocado na geladeira por tempo indefinido até 2008, quando em março decidiram lançar esse filme direto em DVD.

Mas com as boas criticas ao trabalho de Mickey Rourke o filme novamente foi ressucitado, e deveria ser lançado em novembro de 2008, no entanto, resolveram finalmente lança-lo em 23 de janeiro de 2009 nos Estados Unidos (no Brasil ele estréia oficialmente 29 de Maio).

Em 2002 houve rumores que o filme seria feito tendo Tony Scott na direção, Robert De Niro interpretando Armand e Quentin Tarantino como Richie.

Chegaram a anunciar Viggo Mortensen como Wayne Colson, mas o papel acabou indo para Thomas Jane.

O Autor do livro em que o filme se inspira, Elmore Leonard, foi o responsável por inúmeros outros livros e histórias que deram origens a bons filmes, entre eles Jackie Bronw (Jackie Brown, Quantin Tarantino, 1997) e Os Indomáveis (3:10 to Yuma, James Mangold, 2007).

domingo, 8 de março de 2009

Watchmen

Watchmen
(Watchmen)



Diário de Rorschach: 12 de Outubro de 1985. Um cachorro está morto no beco esta manhã, um pneu arrebentou sua barriga. Esta cidade tem medo de mim. Eu vi sua verdadeira face. As ruas são como um grande esgoto, um esgoto cheio de sangue e quando finalmente transbordar todos os vermes irão se afogar. A sujeira acumulada de todo sexo e assassinato já está na altura da cintura e todas as prostitutas e políticos logo vão olhar para cima e gritar ‘Salvem-nos!’ e eu sussurrarei. ‘Não!’”.


Por volta de 1987 foi lançado um quadrinho singular, Watchmen, que visava não contar uma história sobre um grupo de super-heróis virtuosos, e sim retrata-los de maneira humana, com todas as falhas e virtudes possíveis nesse meio

A tentativa de fazer um filme sobre o tema foi tentada inúmeras vezes, até que finalmente em 2009 aconteceu. O resultado resenhamos e criticamos abaixo.

Watchmen, 2009
de Zack Snyder

com
Malin Akerman (Laurie Jupiter / Silk Spectre II)
Billy Crudup (Dr. Manhattan / Jon Osterman)
Matthew Goode (Adrian Veidt / Ozymandias)
Jackie Earle Haley (Walter Kovacs / Rorschach)
Jeffrey Dean Morgan (Edward Blake / The Comedian)
Patrick Wilson (Dan Dreiberg / Nite Owl II )

Há algum tempo existem os chamados vingadores mascarados. Pessoas comuns, que começaram a se vestir de maneira extravagante para poder combater o crime sem serem identificados. Esses heróis mantiveram a ordem de uma forma que a policia não conseguiu.

Eles não tinham super-poderes (com exceção de Dr. Manhattan, por conta de um acidente nuclear tem poderes extra-humanos), mas mesmo assim conseguiram mudar muito o curso da história como conhecemos. Os Estados Unidos com os heróis ao seu lado venceram o Vietnã; e também por conta de Manhattan, os EUA tem um trunfo num mundo ainda dividido entre Socialismo e Capitalismo.

No entanto os Vigilantes com o tempo passaram a não mais ser bem vistos pelo publico, e em 1977 uma lei os baniu. Alguns, como o segundo Coruja simplesmente se aposentaram, outros como Dr. Manhattan e o Comediante continuaram a trabalhar junto com o governo e ainda houve àqueles como Rorschach continuaram como vigilantes atuando mesmo com o perigo de ser preso.

Neste contexto acontece o assassinato de Edward Blake, o Comediante. A policia não dá mais importância, mas Rorschach investiga a fundo o assassinato do antigo mascarado e começa a encontrar provas de que há alguém querendo matar os antigos heróis.

Rorschach começa a mobilizar os heróis aposentados, sem muito sucesso no inicio, mas com o tempo passando, os indícios de mortes entre os heróis aparecendo, a ameaça nuclear ficando cada vez mais evidente e o distanciamento da sociedade de Dr. Manhattan (que cuida para que os EUA não sejam atacados pela URSS) tudo indica que algo realmente grande está acontecendo por trás de todos.

- Trailer



- Crítica

Assisti Watchmen um dia depois da estréia, e mesmo tendo passado agora 24 horas da projeção não é fácil escrever sobre o filme. Ele ainda está se mexendo na minha cabeça.

Oque posso afirmar a esta hora sobre ele é que não é um filme fácil. Não é fácil ver os 160 minutos e dizer que Watchmen é um filme palatável. Longe disso, Watchmen é cansativo demais. As 2h e 40 minutos de filme multiplicam-se por três para o expectador deixando a projeção cansativa ao extremo. É difícil de se concentrar com todas as coisas acontecendo em cena, é difícil acompanhar algumas das partes mais pensativas, é difícil conseguir tentar ver o mundo em nossa frente como possível, e nesses pontos o filme falha, perde a mão. Terry Gillian, mestre do Bizarro, que dirigiu coisas como “Monty Pyton e o Sentido da Vida”, “Doze Macacos” e “Brazil, o filme” sabia disso. Ele foi um dos cotados para dirigir Watchmen ainda nos anos 90 afirmou que era impossível fazer apenas um filme e sugeriu uma mini-série.

 Mas é impossível também usar mais argumentos para dizer que a história estava lá... bem feita, bem produzida. O filme é bom. O ruim é ver muitas pessoas assistindo ao filme pensando que ele é sobre super-heróis, ele não é... nunca quis ser. Watchmen é sobre como seria um mundo onde se tais heróis existissem pudessem ser minimamente reais, e pudessem viver a grande contradição que ser um “vingador mascarado” é.

E se o filme é cansativo e em certos momentos rápido demais não dando tempo para que possamos nos familiarizar com certos conceitos, por outro lado, o filme é tecnicamente (como já exposto em várias criticas) alucinante. Poucas vezes no cinema uma cena de abertura, mostrando os momentos do mundo mudados pela ação ou existência dos “heróis” foi tão bem feita feliz em comunhão com a música de Bob Dylan. O Assassinato de Kennedy, a ida de Fidel à União Soviética, a apresentação da Arte de Andy Warhol além das cenas dos vingadores mascarados em seus momentos de glória e de desgraça, tudo feito de uma forma gráfica perfeita e emocionante.

O filme também acerta em cheio no som. Apesar de em alguns momentos os efeitos sonoros serem um tanto exagerados, no conjunto tudo soa bem. As musicas do filme são um ponto forte à parte, todas muito bem escolhidas entre clássicos e finamente executadas em momentos oportunos que casam formando uma visão perfeita do que acontece. Tanto o inicio com Times They Are A’Changing de Bob Dylan, quanto o enterro com The Sound of Silance de Paul Simon and Art Garfunkel passando pela Cavalgada das Valkirias de Wagner, tudo ajuda a nos transportar para uma história que às vezes se torna tão complexa que nos expulsa.

Os atores também ajudam, Patrick Wilson , está excelente como o coruja, Malin Akerman  está convincente como Espectral e Jeffrey Dean Morgan está perfeito como O Comediante, sendo a imagem na tela do “herói” mais contradito dos Quadrinhos. No entanto é Jackie Earle Haley com Rorschach que mais chamou a minha atenção, primeiro porque apesar de acreditar que J. E, Haley era um bom ator (seu desempenho em Pecados Íntimos (Little Childrem, ,) é muito bom) mas não acreditava que ele pudesse fazer um Rorschach convincente, pela profundidade, dubiedade e moral avessa do personagem, mas ele surpreende e consegue fazer um excelente papel.

Só mesmo Billy Cudrup como Dr. Manhattan não me convenceu muito, parte por ele não passar a mim a idéia de desumanidade do personagem dos quadrinhos soando sempre vago demais, parte pela própria natureza gráfica do personagem, ele brilhando em azul em efeitos digitais o tempo todo, parece um tanto artificial oque tornaria mais difícil ainda colocar uma “alma” em sua pele azul.

Por fim, Zack Snyder faz um bom trabalho. Vemos uma evolução do plastificado 300 (300, Zack Snyder, 2007), demonstrando que ele entendeu que nem tudo pode se resumir a Chome Key e mostrando que ele pode optar por bons sets fazendo uma produção mais leve que seu filme anterior, e acredito que mesmo com as mudanças da história, este é o melhor Watchman que poderíamos ter (ao menos em um único filme).

- Veredicto
Fiel ao quadrinho, apesar das mudanças. Cansativo mas um deleite tecnicamente, Watchmen é um filme bom, mas fácil de se perder em seus pecados. Uma pena, pois o quadrinho teve vida longa justamente por saber pesar tudo oque acontecia tornando-se um clássico da nona arte.

- Trivia


O filme sofreu com uma produção que trocou inúmeras vezes de diretor, de atores e de roteiro até estabilizar-se como conhecemos. Passaram como possíveis diretores. Terry Gillian, Paul Greengrass e Darren Aronofsky.

Foram cogitados para interpretar o comediante Gary Busey (nos anos 90), Ron Perlman (no inicio de 2000) e Nathan Fillion quase conseguiu o papel.

Alan Moore recusa-se a assistir qualquer filme baseado em suas obras, recusa-se a endossa-los e recusa-se até a receber créditos por eles, dizendo que é o responsável pelos quadrinhos, apenas. Isso aconteceu em V de Vingança, Constantine, A Liga Extraordinária e Do Inferno.

E quando sugeriram que em algum dia, quem sabe num dia chuvoso ele pudesse assistir ao menos o DVD ele foi categórico “Isso não vai acontecer.”

Não foram poucos os que se posicionaram contra as cenas de nu frontal de Dr. Manhattan, mas elas foram utilizadas e o filme recebeu categoria de censura máxima nos EUA. Acima de 18 anos.


A parte que mostra Espectral e Dr. Manhattan em marte numa cratera em formato do símbolo “smile” ao contrário do que muitos pensam é REAL, a cratera com esse formato realmente existe sendo conhecida como Cratera de Galle, Cratera de Marte de Galle ou Formação de Galle, podemos encontrar mais informações e fotos na wikipedia neste link. (em inglês).

Malin Akerman, a atriz que faz a Espectral Original e mãe de Laurie Jupter (a segunda espectral, interpretada por Carla Gugino) na verdade é mais nova que Carla. Carla (que interpreta a filha) nasceu em 1971 e Malin (que interpreta a mãe) nasceu em 1978, sendo portanto 7 anos mais nova.

Alan Moore e sua esposa são ativistas dos direitos dos homossexuais, portanto não é raro que em seus escritos existam personagens homossexuais figurando entre os principais. Neste filme temos Ozymandias (que no quadrinho é mais abertamente Gay) e Silhouette, que aparece brevemente no filme e nos quadrinhos foi morta por militantes homofóbicos.

Custou 120 milhões.

O filme aparece como “Baseado na Obra de David Gibbons”, se bem que David apenas a desenhou.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Rock'n'Rolla, A Grande Roubada

Rock’n’Rolla
(A Grande Roubada)




“As pessoas perguntam... Oque é um Rock’n’Rolla? E eu digo que não tem haver com bateria, drogas ou picadas de agulha. Não... é mais do que isso, meu amigo. Todos gostamos um pouco dessas coisas. Alguns dinheiro, outros às drogas. Outros o sexo, o glamour e a fama. Mas um Rock’n’Rolla.... ele é diferente. Porque? Porque o verdadeiro Rock’n’Rolla quer a porra toda!”
- Mr. One-Two na abertura do filme.

Nada sabia sobre Rock’n’Rolla quando o assisti. Sabia apenas que era de Guy Ritchie, oque para mim era o suficiente; diverti-me com seus outros filmes e sei que sua carreira passou por algumas baixas, assim assisti a fita esperando oque chamam ser a redenção do ex-Madonna... e também saber oque diabos era realmente um Rock’n’Rolla.


Rock'n'Rolla (2008)
de Guy Ritchie

com
Gerard Butler (One Two)
Idris Elba (Mumbles)
Tom Hardy (Handsome Bob)
Thandie Newton (Stella)
Tom Wilkinson (Lenny Cole)
Mark Strong (Archie)

Como os filmes (bons) de Guy Ritchie são, Rock’n’Rolla é sobre gangsters, o submundo criminoso de Londres e violência. Após serem enganados por um chefe do crime que comanda construções em toda uma área de Londres, um grupo de bandidos menor, o “Wild Bunch”, se junta a uma contadora à procura de excitação e começam uma série de assaltos, que mal sabem eles, mexem com mais coisas do que o dinheiro que eles roubam. Um quadro, a morte de um membro de uma banda, a ida de um membro da gangue para prisão e dois donos de uma casa de show se cruzam enquanto entendemos oque é um Rock’n’Rolla.

- Trailer



- Critica

O enredo é sempre o mesmo... todos querem algo que passeia de mão em mão por entre todos os personagens, quer eles se conheçam ou não para que depois tudo se encaixe da melhor (e com sorte, mais inesperada) maneira possível. Foi assim com Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, Guy Ritchie,1998), foi assim com Snatch: Porcos e Diamantes (Snatch, Guy Ritchie, 2000); mas, apesar do filme estar longe de ser ruim... Rock’n’Rolla não é bom como seus irmãos mais velhos.

O Filme é bem montado como os demais; o clima do submundo londrino criado por Ritchie é sempre excelente, os atores (com algumas exceções que serão abordadas mais à frente) não fazem feio, mas, este filme não tem o carisma dos anteriores. É parecido demais com eles, talvez; ou quase. Jogos e Trapaças era inovador ao seu estilo, queríamos ver porque era novo e instigante como poucos em seu tempo. Snatch, seu irmão mais novo, foi como voltar em casa e ver que sim, havia novidades mas está tudo no lugar. Já Rock’n’Rolla não é nem inovador e nem interessante nesses aspectos, a formula está se desgastando por repetição e falta de inovação.

Antes deste filme as tentativas de Guy Richie de filmar a esposa (atual ex-esposa cabalística) foram pro buraco junto com Revolver (Revolver, Guy Ritchie, 2005) que não agradou a ninguém, possivelmente nem ele mesmo com problemas de produção, distribuição e outros do gênero.

Rock’n’Rolla é uma volta do diretor às origens e sua antiga forma, e é bom; mas só isso. Nada empolgante e nem instigante como os outros.

Oque está errado? Talvez seja uma questão de ritmo, talvez seja uma questão da formula estar um tanto manjada, talvez seja a questão do narrador (que eu não vi muita necessidade); mas eu não ficarei com nem uma explicação e nem outras. A culpa é de Gerard “This is Sparta!!!” Butler. Enquanto todos os atores fluem sobre o filme (Tobby Kebbell está muito bom, assim como Idris Elba) ele parece incomodado com algo durante todo o filme, seu personagem não convence em nada, faltando de carisma e qualquer atrativo que seria esperado de um dos protagonistas.

- Veredicto

Rock’n’Rolla é mais do mesmo... ele é exatamente igual aos ouros filmes de Guy Richie de sucesso. Personagens estranhos do submundo londrino, com alcunhas igualmente interessantes, numa espiral louca de violência e crime tão inusitada quanto engraçada que faz você assistir, mas neste caso diferente dos outros, esperar por mais. Vale a pena, mas não espere mais que um sorriso ao final da projeção.

- Trivia (contém spoilers)

O filme já em seu final dá o sinal que será feita uma seqüência. Ritchie afirma que será na verdade uma trilogia sobre o “Wild Bunch” é ver pra saber se Gerard “Sparta” Butler se encontra...

Oque temos de Ritchie com os russos? A melhor cena do filme é a louca perseguição dos guarda costas russos ao grupo em fuga. Eles, assim como outros personagens como Boris “The Blade” ou Boris “The Bullet Dodger” parecem ser impossíveis de matar.