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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Flickan Som Lekte Med Elden (A Menina que Brincava com Fogo)

Flickan Som Lekte Med Elden
(A Menina que Brincava com Fogo)




“Se os seus relatórios disserem que estou me comportando bem,
eu liberarei você quando a minha tutela terminar.
Mas se falhar, mandarei o nosso filme para todos os jornais
do país. Se algo me acontecer ou eu morrer, o filme
será divulgado. E se me tocar de novo, eu matarei você.
E mais uma coisa.
Se visitar a clínica em Marselha para remover a tatuagem
eu farei um novo trabalho.
Desta vez, na sua testa.”



O filme dá continuidade à saga de Stieg Larsson. Havia comprado os livros da série logo em seguida ao primeiro filme, e mesmo na época tendo saído esta continuação, fiz questão de ler o primeiro e o segundo livros antes der assistir ao segundo filme.

Isso, obviamente, pode ter influenciado minha opinião...

Flickan Som Lekte Med Elden, 2009
Millennium Part 2 – The Girl Who Played With Fire (título internacional)
The Girl Who Played With Fire (título alternativo)
Millenium II (título alternativo)
A Menina que Brincava com Fogo (título em português)
de Daniel Alfredson

com
Michael Nyqvist (Mikael Blomkvist)
Noomi Rapace (Lisbeth Salander)
Peter Andersson  (Bjurman)
Paolo Roberto (Paolo Roberto)
Micke Spreitz (Ronald Niedermann)

pode conter spoilers

Após o caso Wennerström (mostrado no primeiro filme) Lizbeth Salander afasta-se de todos que pode chamar de amigos, incluindo Mikael Blomkvist, e usa o dinheiro que conseguiu para viajar pelo mundo só voltando à Suécia um ano depois. Nesse tempo, Bjurman, o advogado que cuida da tutela de Lizbeth, que a tinha estuprado e que Lizbeth havia se vingado de maneira espetacular, tenta meios de sair da situação de chantagem que ela havia o colocado, fazendo inúmeros contatos no submundo.

Lizbeth vê o esforço de Bjurman, e volta a sua casa para lembrar o “contrato” que eles tem, e tudo parece voltar à normalidade até que sem mais nem menos Salander é acusada de assassinar um casal que trabalhava para desmascarar inúmeros políticos e figuras públicas da Suécia que colaboravam com tráfico de mulheres na Europa oriental, e que iriam publicar tudo na revista Millennium.

A partir daí cabe a Blomkvist, ora assessorado por Lizbeth, ora por conta própria, lutar para descobrir o que está acontecendo e provar a inocência de Salander. Blomkvist descobre, então, o passado da garota, o porque dela estar sob tutela e porque tantas pessoas que querem que Lizbeth seja institucionalizada e calada.

- Trailer



- Critica

Não é fácil tentar criticar o filme após ter lido os livros, mas posso ao menos traçar um paralelo com a primeira parte. O primeiro filme conseguiu manter de maneira bastante satisfatória o clima obscuro e denso em que a trama é passada, fazendo sim mudanças, mas que em maioria serviam para dar a fluidez necessária para que a história se desenrolasse no tempo que um filme cabe. (afinal é um livro de mais de 500 páginas)

O segundo filme, no entanto, não consegue o mesmo feito principalmente pela densidade e complexidade da trama. O que assistimos na primeira hora de exibição são cenas desconexas onde vemos retalhos de história que tentam a todo custo formar um todo sem muito sucesso, dando um aspecto um tanto videoclíptico para o filme sem que isso chegue a lugar algum.

Não vemos explicações suficientes do porque Lizbeth ter se afastado, do trabalho de Dag Svensson e Mia Bergman (pelo que mostra no filme seria apenas um exemplar qualquer de revista feito por um jornalista freelancer), de como e porque o “Gigante Loiro” aparece e das relações dos personagens em cena, principalmente a relação de Lisbeth com Holger Palmgren (Lizbeth é um personagem que nunca parece se importar realmente com ninguém, e em momento algum é explicado porque ela iria visitar Holger, por exemplo) e nem de Mikael com Erika. Tudo é rápido demais, fraco demais e solto, não formando uma trama sólida como conseguiu Niels Arden com o primeiro filme, e fazendo com que o segundo volume da Trilogia Millennium desande tornando-se confuso e desinteressante.

Sob a direção de Daniel Alfredson Noomi Rapace no papel de Lizbeth, que no primeiro filme apareceu excelente, está opaca e sem a força inicial. O asqueroso Bjurman interpretado por Peter Andersson perde sua capacidade de nos chocar como antes e a trama foi cortada, re-cortada e condicionada num todo que não convence. Os planos de filmagem são mal colocados, a fotografia clara demais para um filme com uma densidade e obscuridade como o que este pretendia ser e a continuidade é muito prejudicada; tudo parece ter sido feito sem esmero algum.

- Veredicto

Apesar de algumas boas atuações, como a de Michael Nyqvist, o segundo filme decepciona; e o que começou com uma promessa excelente se tornou um filme dispensável, mas que deve ser assistido aos expectadores do primeiro filme, já é a ponte para o próximo (que esperamos salve a o destino da trilogia).

- Trivia

Desconhecido no Brasil, Paolo Roberto é um dos rostos mais conhecidos da Suécia, e interpretou-se a si mesmo no filme. Ao contrário do que muitos podem pensar, Paolo não era amigo e nem conhecia Stieg Larsson, e para falar a verdade sequer sabia do livro até ele ser publicado. Acredita-se que Larsson colocou Paolo na história como uma brincadeira, e para nós seria talvez como se algum autor colocasse num livro que fala de uma temática séria, Jô Soares ou Silvio Santos, figuras conhecidas, como personagens.

Na porta do apartamento de Lizbeth temos o nome V. Kulla uma referência a Villa Villekulla, o lugar onde a personagem Pipi MeiaLonga vivia. Nos livros são várias comparações de Lizbeth com a personagem.

O filme teve estréia simultânea na Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca em 18 de Setembro de 2009.

Longe do circuito escandinavo o filme estou na Europa pela Espanha, tendo estreado lá uma semana depois, dia 25 de Setembro.

O filme foi mal recebido em todos os lugares, recebendo uma nota média no IMDB de 6.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Män Som Hatar Kvinnor (Homens que Odeiam as Mulheres)

Män Som Hatar Kvinnor
(Homens que Odeiam as Mulheres)




“Nunca tentei isso antes,
Fique quieto,
ou posso fazer um estrago...”


(frase falada a uma pessoa amarrada por
 outra com uma máquina de tatuagem)


Não esperava nada quando assisti ao filme, apesar das boas indicações, e foi uma das grandes surpresas que tive este ano. Além de esperar ansiosamente pelos outros dois filmes, comprei os livros da série Millennium.

Män som hatar kvinnor, 2009
Millennium: Part 1 - Men Who Hate Women (título internacional)
The Girl with the Dragon Tattoo (título alternativo)
The Girl who Played With Fire (título alternativo)
Homens que Odeiam as Mulheres (titulo em português)
de Niels Arden Oplev

com
Michael Nyqvist (Mikael Blomkvist)
Noomi Rapace (Lisbeth Salander)
Peter Andersson (o curador)
Per Oscarsson (Holger Palmgren)

Há mais se 40 anos Harriet Vanger desapareceu. Não há nenhum corpo, nenhuma nota de resgate e nenhuma pista sobre o que poderia ter acontecido com a menina de 16 anos, mas seu tio recebe todos os anos uma flor em seu aniversário, exatamente como ela fazia. Ele acredita que o assassino envia as flores, e procura Mikael Blomkvist, um editor de revista recentemente condenado à prisão por calúnia, mas que tem um grande histórico no jornalismo investigativo, para uma ultima tentativa de saber o que aconteceu com Herriet e quem é a pessoa que manda as flores.

Durante o processo ele tem contato com a “Hacker” Lisbeth Slander e ambos passam de caçadores à caça numa intriga que envolve família, poder e todos parecem ser suspeitos.

- Trailer



- Critica

Tendo como base os Best Sellers do autor sueco Stieg Larsson, o filme foi excelentemente dirigido por Niels Arden Oplev, um diretor desconhecido nas Américas, mas famoso e celebrado na Dinamarca. Ele conseguiu conduzir a história cheia de reviravoltas com maestria e mão firme, tornando a experiência memorável.

A história foi bem escrita e produzida para as telas, e o romance de mais de 400 páginas ganha um ritmo ágil, apesar das texturas complexas, da violência e da profundidade dos personagens, estes representados muito bem, com destaques óbvios para Noomi Rapace, que conseguiu fazer a problemática Lisbeth de maneira cativante, conseguindo que todos nós, mesmo com todas as diferenças nos identifiquemos com ela, com o que ela faz, e em algum nível compreendemos seus motivos. Além dela, é claro, palmas para Michael Nyqvist (este um pouco conhecido por aqui tendo feito o papel de Magnus o pai de Arn), que segura o papel de redator idealista da revista Millennium muito bem, e para Peter Andersson, como o asqueroso Bjurman.

Destaco ainda a cena da vingança como uma das melhores já filmadas, fazendo com que todos, principalmente todas as mulheres, adorem o filme.

- Veredicto

Há tempos não assistia a um filme que me entreteve tanto. A história é maravilhosa, a direção, competente, e os atores fazem um excelente papel tornando “Män som hatar kvinnor” um filme obrigatório para os amantes de mistério e suspense.

Altamente Recomendável.

- Trivia

Stieg Larsson (autor dos livros que deram origem ao filme) é um escritor famoso e editor de revistas na Suécia (parecendo vagamente com o personagem Mikael Blomkvist). Ele foi famoso por se posicionar contra a extrema direita e neonazistas da Suécia, escrevendo sobre eles e expondo-os em todos os níveis da sociedade, o que lhe valeu inúmeras ameaças de morte.

Noomi Rapace é filha de Rogelio Duran, um cantor espanhol.

No IMDB a nota do filme (na data da publicação desta crítica) é de 7.6, e é um dos poucos filmes que em todas as idades as notas das mulheres superam sempre a dos homens. (a média da nota feminina é de 8.0, e meninas com menos de 18 anos colocaram em média a nota como 8,9).

Noomi Rapace teve que aprender a andar de moto para o papel, e segundo disse em entrevistas, usou isso para separá-la do personagem.

Peter Andersson (o curador) é conhecido do publico sueco por papeis em filmes de drama e crime, mas também por comédias e categoriza este como um dos papeis mais densos que já fez.

Stieg Larsson morreu de infarto em 2004, só escreveu os livros da série Millennium, e estes só foram publicados em 2005 após sua morte.

Em 2008 Stieg Larsson foi o segundo maior autor em vendas no mundo, só sendo superado por Khaled Hosseini, o autor de “O Caçador de Pipas”.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Faster, Pussycat! Kill! Kill!

Faster, Pussycat! Kill! Kill!



“Senhoras e senhores, bem-vindos a violência! Tanto da palavra como da ação porque a violência pode manifestar-se de várias maneiras, sendo que sua forma preferida ainda
continua sendo o sexo.

A violência devora tudo o que toca, seu apetite quase
nunca se satisfaz, mas ela não se importa só em destruir; ela também pode crir e moldar.

Examinemos mais detalhadamente a mais nova e maligna criação desta nova geração presa e contida na pele macia da mulher.
 A doçura e o perfume inconfundíveis das fêmeas são brilhantes e cheios de luxúria. O corpo dócil e macio...
Mas atenção! Ajam com cuidado e não baixem a guarda! Esta espécie causa estragos sozinhas e quando estão em grupo. Sem importar o lugar, o momento, ou com quem quer que seja. Quem são elas? Uma delas pode ser sua secretária. A recepcionista do seu médico.. ou até uma dançarina de um Go-Go Club!”

- Texto falado no Inicio do Filme

Há muito tempo eu prometia a mim mesmo assistir o famoso Faster, Pussycat! Kill! Kill! mas nunca parecia ser o momento certo, no entanto, nesse marasmo sem filmes que valham a pena (Uol-verine ainda está entalado na minha garganta como uma das maiores porcarias pintar em muito tempo), me animei e assisti o clássico de Russ Meyer.

E posso dizer que o filme é Diversão garantida, ou seu dinheiro de volta!

Faster, Pussycat! Kill! Kill!, 1965
de Russ Meyer

com
Tura Satana (Varla)
Haji (Rosie)
Lori Williams (Billie)
Sue Bernard (Linda)
Dennis Busch (o Vegetal)

(A descrição do filme pode conter Spoilers)

Varla, Rosie e Billie são dançarinas de boate, que gostam de fazer corridas com carros velozes no deserto. Não sabemos as atividades exatas delas, mas podemos ver que Varla parece ter um passado um tanto quanto violento e além de ser a mais truculenta, fria e rápida no volante é também uma espécie de líder das demais.

Enquanto estão correndo no deserto conhecem Tommy e sua namoradinha Linda, e aparentemente apenas para se divertir Varla começa a incita-lo a participar de uma corrida contra ela, provocando o casal com todo tipo de coisa que podia. Tommy é membro de um clube de carros e não quer correr contra ninguém e nem cometer nenhuma imprudência, querendo apenas tomar seus tempos na pista do deserto, mas as mulheres o provocam tanto que ele por fim concorda e corre contra elas.

A corrida é acirrada, e após quase haver um acidente grave, Varla ganha. As mulheres continuam a provocar Linda e Tommy, e depois de Varla roubar o cronômetro de Linda, e chamar Tommy para briga, acontece uma luta surpreendente e improvável onde Varla, sem muita dificuldade domina e mata Tommy, tomando Linda como refém em seguida.

Rosie é contra tudo àquilo, Billie é inconseqüente demais para pensar à frente, mas Varla promete que logo também se livrarão de Linda, e durante sua fuga elas tem contato com um velho que aparentemente viveria sozinho com seus filhos e que teria muito dinheiro guardado.

Varla então convence suas amigas a tentarem achar e roubar o dinheiro do velho, sem saber que o próprio velho também tem planos para as garotas.

- Trailer



Antes de começar o Trailer aparece o seguinte aviso:

Pelos próximos 90 segundos, enquanto o trailer está passando, todos os expectadores com qualquer nível de sabedoria, gosto ou inteligência por favor mantenham seus comentários para SI MESMOS, ou PREGAREMOS SUAS LINGUAS NO CHÃO.

Obrigado.


- Crítica.

“Eu nunca tento nada, Eu apenas faço.”
- Varla, desafiando Tommy para Corrida

Russ Meyer é tido como o rei do cinema de Exploitation, sempre fazendo filmes que mulheres dominam, destoem ou acabam com homens em diversas situações, e Faster Pussycat! Kill! Kill! é sua obra mais conhecida e celebrada.

Em 1965 enquanto todos aplaudiam filmes como A Noviça Rebelde (que ganhou o Oscar daquele ano), A Nau dos Insensatos e O Espião que Veio do Frio, Meyer conseguiu fazer um filme extremo, divertido, violento e atemporal que viria a ser aplaudido, influenciado e celebrado por anos e anos que se seguiram.

No filme temos carros em alta velocidade (sem a atitude pedante da série Velozes e Furiosos), luta, violência e mulheres, muitas mulheres praticando oque em 1965 só poderia ser visto como as maiores atrocidades possíveis, uma vez que longe de serem recatadas, submissas e castas, as mulheres na obra de Meyer são predadoras vorazes, violentas e extremamente sexuais.

As cenas de ação do filme estavam no auge do que se podia encontrar nas telas, a violência mostrada era algo como nunca antes se viu, e as mulheres, o tempo todo em trajes sumários prontas a destruir os homens mesmo sem ter nenhuma arma na mão, dão o tom daquilo que à partir daquele ano foi copiado e requintado em muitos meios poucas vezes se igualando em diversão ou violência ao original.

Mas mesmo com todo o louvor técnico e história distorcida, talvez o melhor do filme seja (e continue sendo) a maravilhosa Tura Satana, que aparece como a Badgirl definitiva. Haji cumprindo as ordens sem questionar e Lori Williams com toda a inconseqüência de seus atos podem chocar, mas Tura, desafiando os homens, matando e criando planos e mais planos para destruir aqueles que se colocam em seu caminho em sua busca enlouquecida por emoção e dinheiro se tornam uma das figuras mais cultuadas e memoráveis do cinema.

Hoje em dia a fita é tida como Cult e mostrada em inúmeras mostras de cinema extremo mais como uma curiosidade do que pela inovação que trouxe na sétima arte em seu tempo, e sem Faster, Pussycat! Kill! Kill! Acho que dificilmente teríamos hoje filmes como Kill Bill, Snatch e Balada do Pistoleiro, por exemplo.

- Veredicto

Com Tura Satana e Russ Meyer empenhados em fazer um filme violento e divertido, e como diversão inconseqüente excelente e uma aula de história de como começou o cinema de exploitation, Faster, Pussycat! Kill! Kill! é indispensável e altamente recomendável.

- Trivia

Apesar de conhecido pelas cenas de nudez em seus filmes (Russ Meyer é conhecido como o “Rei da Nudez”) neste filme não temos nenhuma nudez, apenas insinuações.

Tura Satana, que aparece lutando no filme aprendeu Karate e Aikido quando era jovem, porque foi estuprada ao 9 anos por cinco homens. Nenhum dos seus estupradores jamais foi preso e ela sonhava em se vingar de cada um deles (oque ela chegou a fazer com alguns).

É dito que o filme se chama Faster, Pussycat! Kill! Kill! porque era o único título que continha tudo àquilo que o filme era. Tinha carros rápidos (na época que isso não era a baboseira que vemos em Velozes e Furiosos e afins) “Faster”; tínhamos mulheres “Pussycat” e tínhamos violência “Kill!”

Tura Satana é dona da própria imagem, assim todas as vezes que Russ Meyer queria fazer qualquer promoção, mudança ou divulgação tinha que pagar novamente todos os direitos a ela.

Quentin Tarantino sonha há anos em fazer um ramake deste filme. Há alguns anos ele chegou a anunciar Britney Spears como possível de fazer o papel de Billie.

Havia uma banda de Heavy Metal chamada Tura Satana que em vários de seus álbuns homenageou o filme ou com musicas que falavam dele ou com trechos parafraseando partes do filme, além da própria vocalista se vestir muito parecida com o estilo da verdadeira Tura Satana.

A banda de Heavy Metal White Zombie (que tinha como vocalista Rob Zombie que hoje em dia é um diretor de cinema especializado em terror respeitável, e responsável por filmes como Halloween e House of a 1000 Corpses) tinha uma musica que homeageava este cult, o nome é Thunderkiss ’65. O título faz alusão ao ano do filme enquanto durante a musica é mostrado uma parte do diálogo de Tura Satana.

No túmulo de Russ Meyer temos a seguinte inscrição

Russ Meyer
“O Rei da Nudez
E com Orgulho”
Produtor de filmes e Diretor
21 de Março de 1922
18 de Setembro de 2004

- Bônus

Blog da Tura Satana.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Killshot, Tiro Certo

Killshot
(Killshot: Tiro Certo)




Você precisa saber o que está fazendo quando entrar. Você deve ter tudo planejado essas são as regras. Como você entra e como você sai. Quantos tiros vai precisar dar. Tenha certeza de saber onde todo mundo está. Cuide para que ninguém o veja, não se apegue a nada a sua volta, não vacile e você não cometerá erros.”

Assisti Killshot por absolutamente nenhum motivo, foi uma espécie desses “filmes-supresa”. Não sabia sequer sobre oque ele tratava, simplesmente me passaram como “bom” e tive a oportunidade de assisti-lo, e posso dizer que valeu a pena.

Killshot, 2009
Killshot: Tiro Certo (em português)
de John Madden

com
Diane Lane (Carmen Colson)
Mickey Rourke (Armand "The Blackbird" Degas)
Thomas Jane (Wayne Colson)
Rosario Dawson (Donna)
Joseph Gordon-Levitt (Richie Nix)

Armand Degas é um assassino profissional. Ele sofreu revezes no passado, mas é um assassino perigoso, bom no que faz e a que máfia manda em missões que ninguém mais quer pegar sendo mandado numa missão mais importante que o de costume.

Mas Armand tem uma regra que aprendeu a duras penas com seus erros, todos que viram seu rosto durante um serviço serão mortos. Ele mata, então, uma pessoa que não devia e passa a ser procurado e caçado pela máfia.

Sem poder aparecer, e vivendo na margem ele se envolve com Richie Nix, um ladrão de meia-tigela, que conta vantagem de tudo que fez e que não fez querendo sempre soar como uma ameaça maior do que ele realmente é. Richie consegue convencer Armand que tem um golpe muito bom em andamento e eles seguem juntos para apanhar o dinheiro de uma extorsão quando todo o plano dá errado.

Eles são vistos por um casal no local e a partir de agora o foco de Armand não é mais conseguir dinheiro, e sim ir atrás das duas pessoas que viram seu rosto para elimina-las.

O casal é posto no programa de proteção a testemunha, e tem que enfrentar seus próprios problemas enquanto o os dois assassinos brincam um jogo perigoso de gato e rato com o FBI para encontrar as testemunhas.
- Trailer



(avisamos que o trailer mostrado aqui não corresponde exatamente ao filme que foi lançado. Na realidade, Johnny Knoxville que aparece no trailer e Quentin Tarantino não aparecem na versão final lançada agora em 2009, além de aparecerem inúmeras cenas que não estão no filme, este trailer foi colocado apenas porque nenhum outro com o filme verdadeiro foi encontrado).


- Critica

A um expectador pouco atento pareceria que Killshot foi filmado logo após The Whrestler, e que ele simplesmente aproveitaria a boa fase de Mickey Rourke, mas conforme mostramos na seção “tivia” abaixo, a realidade é que Killshot é um filme antigo, mas que prova que o Sr, Rourke foi desvalorizado sem motivo há mais tempo do que se admite, pois assim como O Lutador (The Wrestler, ,2008) Killshot: Avo Certo é um filme despretensioso, simples, barato, mas que a despeito da turbulência em sua produção, é um filme excelente que contém todos os elementos do bom entretenimento.

O filme foi feito por John Madden, responsável por Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love, 1998) e Sua Majestade Mrs. Brown (Mrs. Brown, 1997) e que apesar de ter muita experiência em thrillers em séries para a TV nunca tinha dirigido um filme como este, executando-o muito bem e sem deixar de perder a mão, mesmo com tantos problemas cercando a produção.

Os atores também estão muito bem, além de Mickey Rourke, destacamos Joseph Gordon-Levitt, que conseguiu passar muito bem a idéia de um personagem que caminhava entre o impulso e a violência. Diane Lane e Thomas Jane também estão bem.

- Veredicto

Com boas atuações, trama bem construída e uma produção que finalmente parece ter se encontrado, Killshot é um bom filme feito num outro tempo mas lançado no momento certo. Entretenimento como estávamos precisando agora.

- Trivia

Incrivelmente este filme foi completamente acabado em 2006! Ele não foi lançado por inúmeros motivos, mas principalmente os testes executados com ele mostraram que o roteiro estava muito confuso, oque levou os produtores a eliminar completamente uma parte da história (Johnny Knoxville, responsável pela série Jackass estaria no filme num dos papéis principais, mas seu personagem e toda sua ação foram completamente cortados). O filme foi então programado para ser lançado em 17 de Março de 2006, mas acabou sendo re-programado para outubro do mesmo ano até ser colocado na geladeira por tempo indefinido até 2008, quando em março decidiram lançar esse filme direto em DVD.

Mas com as boas criticas ao trabalho de Mickey Rourke o filme novamente foi ressucitado, e deveria ser lançado em novembro de 2008, no entanto, resolveram finalmente lança-lo em 23 de janeiro de 2009 nos Estados Unidos (no Brasil ele estréia oficialmente 29 de Maio).

Em 2002 houve rumores que o filme seria feito tendo Tony Scott na direção, Robert De Niro interpretando Armand e Quentin Tarantino como Richie.

Chegaram a anunciar Viggo Mortensen como Wayne Colson, mas o papel acabou indo para Thomas Jane.

O Autor do livro em que o filme se inspira, Elmore Leonard, foi o responsável por inúmeros outros livros e histórias que deram origens a bons filmes, entre eles Jackie Bronw (Jackie Brown, Quantin Tarantino, 1997) e Os Indomáveis (3:10 to Yuma, James Mangold, 2007).

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Rock'n'Rolla, A Grande Roubada

Rock’n’Rolla
(A Grande Roubada)




“As pessoas perguntam... Oque é um Rock’n’Rolla? E eu digo que não tem haver com bateria, drogas ou picadas de agulha. Não... é mais do que isso, meu amigo. Todos gostamos um pouco dessas coisas. Alguns dinheiro, outros às drogas. Outros o sexo, o glamour e a fama. Mas um Rock’n’Rolla.... ele é diferente. Porque? Porque o verdadeiro Rock’n’Rolla quer a porra toda!”
- Mr. One-Two na abertura do filme.

Nada sabia sobre Rock’n’Rolla quando o assisti. Sabia apenas que era de Guy Ritchie, oque para mim era o suficiente; diverti-me com seus outros filmes e sei que sua carreira passou por algumas baixas, assim assisti a fita esperando oque chamam ser a redenção do ex-Madonna... e também saber oque diabos era realmente um Rock’n’Rolla.


Rock'n'Rolla (2008)
de Guy Ritchie

com
Gerard Butler (One Two)
Idris Elba (Mumbles)
Tom Hardy (Handsome Bob)
Thandie Newton (Stella)
Tom Wilkinson (Lenny Cole)
Mark Strong (Archie)

Como os filmes (bons) de Guy Ritchie são, Rock’n’Rolla é sobre gangsters, o submundo criminoso de Londres e violência. Após serem enganados por um chefe do crime que comanda construções em toda uma área de Londres, um grupo de bandidos menor, o “Wild Bunch”, se junta a uma contadora à procura de excitação e começam uma série de assaltos, que mal sabem eles, mexem com mais coisas do que o dinheiro que eles roubam. Um quadro, a morte de um membro de uma banda, a ida de um membro da gangue para prisão e dois donos de uma casa de show se cruzam enquanto entendemos oque é um Rock’n’Rolla.

- Trailer



- Critica

O enredo é sempre o mesmo... todos querem algo que passeia de mão em mão por entre todos os personagens, quer eles se conheçam ou não para que depois tudo se encaixe da melhor (e com sorte, mais inesperada) maneira possível. Foi assim com Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, Guy Ritchie,1998), foi assim com Snatch: Porcos e Diamantes (Snatch, Guy Ritchie, 2000); mas, apesar do filme estar longe de ser ruim... Rock’n’Rolla não é bom como seus irmãos mais velhos.

O Filme é bem montado como os demais; o clima do submundo londrino criado por Ritchie é sempre excelente, os atores (com algumas exceções que serão abordadas mais à frente) não fazem feio, mas, este filme não tem o carisma dos anteriores. É parecido demais com eles, talvez; ou quase. Jogos e Trapaças era inovador ao seu estilo, queríamos ver porque era novo e instigante como poucos em seu tempo. Snatch, seu irmão mais novo, foi como voltar em casa e ver que sim, havia novidades mas está tudo no lugar. Já Rock’n’Rolla não é nem inovador e nem interessante nesses aspectos, a formula está se desgastando por repetição e falta de inovação.

Antes deste filme as tentativas de Guy Richie de filmar a esposa (atual ex-esposa cabalística) foram pro buraco junto com Revolver (Revolver, Guy Ritchie, 2005) que não agradou a ninguém, possivelmente nem ele mesmo com problemas de produção, distribuição e outros do gênero.

Rock’n’Rolla é uma volta do diretor às origens e sua antiga forma, e é bom; mas só isso. Nada empolgante e nem instigante como os outros.

Oque está errado? Talvez seja uma questão de ritmo, talvez seja uma questão da formula estar um tanto manjada, talvez seja a questão do narrador (que eu não vi muita necessidade); mas eu não ficarei com nem uma explicação e nem outras. A culpa é de Gerard “This is Sparta!!!” Butler. Enquanto todos os atores fluem sobre o filme (Tobby Kebbell está muito bom, assim como Idris Elba) ele parece incomodado com algo durante todo o filme, seu personagem não convence em nada, faltando de carisma e qualquer atrativo que seria esperado de um dos protagonistas.

- Veredicto

Rock’n’Rolla é mais do mesmo... ele é exatamente igual aos ouros filmes de Guy Richie de sucesso. Personagens estranhos do submundo londrino, com alcunhas igualmente interessantes, numa espiral louca de violência e crime tão inusitada quanto engraçada que faz você assistir, mas neste caso diferente dos outros, esperar por mais. Vale a pena, mas não espere mais que um sorriso ao final da projeção.

- Trivia (contém spoilers)

O filme já em seu final dá o sinal que será feita uma seqüência. Ritchie afirma que será na verdade uma trilogia sobre o “Wild Bunch” é ver pra saber se Gerard “Sparta” Butler se encontra...

Oque temos de Ritchie com os russos? A melhor cena do filme é a louca perseguição dos guarda costas russos ao grupo em fuga. Eles, assim como outros personagens como Boris “The Blade” ou Boris “The Bullet Dodger” parecem ser impossíveis de matar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Gomorra

Gomorra
(Gomorra)



Assisti Gomorra apenas por um motivo. Sabia do filme, sabia de sua existência, mas não me interessei por ele até estar num cinema e ver àquela que é a mais antiga forma de propaganda de filmes: o Trailer.

E não me decepcionei, o filme é excelente.

Gomorra (2008)
de Matteo Garrone

com

Salvatore Abruzzese (Totò)
Gianfelice Imparato (Don Ciro)
Carmine Paternoster (Roberto)
Salvatore Cantalupo (Pasquale)
Marco Macor (Marco)
Ciro Petrone (Ciro)

A policia invade um conjunto habitacional caindo aos pedaços, onde as pessoas se amontoam uma sobre às outras em meio a várias passarelas de concreto. Os bandidos locais já haviam dado o sinal e quase todos conseguem fugir, apesar de um dos marginais, enquanto corria da policia, deixar sua arma cair. Um menino assiste tudo através de uma fresta em sua janela.

O menino atravessa a rua, pula muros e evita a policia para pegar a arma. Ele a devolve ao bandido que o paga algum dinheiro, mas o garoto não parece interessado nisso. “Como posso trabalhar para vocês?” e o traficante apenas sorri dizendo o irá procura-lo quando chegar o momento.

A cena acontece na Itália, mas não é diferente do Brasil onde vemos tantos jovens serem arrastados para a criminalidade por necessidade, falta de emprego, glamour, esperança de dinheiro rápido e às vezes por total possibilidade de escolha. O garoto da história é Toto e é assim que ele entra para a Camorra, a máfia napolitana.

Passando em diversos planos, entre outras coisas, Gomorra procura mostrar como se dá o recrutamento de novos membros da Camorra, quer seja como o garoto Toto ou o universitário desempregado Roberto; como são tratados àqueles que saem da linha como os bandidos de terceira categoria Marco e Ciro; e, principalmente, até onde chega sua influência, indo da alta costura Italiana até o acobertamento de resíduos tóxicos.

- Trailer



- Critica

É impossível ver Gomorra e não traçar um paralelo com Cidade de Deus (Cidade de Deus, Fernando Meirelles, 2002), uma vez que ambos os filmes falam sobre a criminalidade, como se entra nela e como se vive em meio a ela. Ambos os filmes mostram que a criminalidade é um problema de complexo, mas de caráter universal; a diferença entre ambas as realidades é, talvez, apenas a organização.

Mas na mesma medida da igualdade os filmes são diferentes. Cidade de Deus ainda é uma história sobre esperança, sobre como o personagem principal, Buscapé, consegue escapar da realidade de violência e pobreza ao seu redor, mesmo tantos e em tanta quantidade ficando no caminho. Gomorra, ao contrário, é um filme desalentador, sem personagens engraçados ou virtuosos e em nada tem em termos de esperança.

Os atores (em maioria na verdade, não-atores) são excelentes em passar a realidade crua do filme, sejam eles donas de casa cujos maridos foram presos e agora recebem dinheiro da máfia para se manter, sejam crianças já no crime, não vemos no filme nenhuma brecha ou reflexo de má atuação, todos são eles mesmos, os personagens e criam uma atmosfera perfeita a um filme que tanto exige para ser verossímil.

A fotografia também foi finamente trabalhada, as tomadas são áridas como quase nunca vemos num retrato da europeu. Outros filmes italianos, mesmo àqueles com histórias pesadas, sempre deixam retratar a Itália bela, exuberante. No filme de Matteo Garrone não, a decadência de valores que vemos em alguns dos personagens se refletem na paisagem; ouso dizer que não temos nenhuma passagem de beleza (numa Itália que todos sabemos ser bela) as ruas são mal cuidadas, o conjunto habitacional (mesmo sem contar o grau de pobreza que poderia chocar um brasileiro) é decadente e até mesmo Veneza é mostrada apenas como uma sucessão de tons cinzentos.

Baseado no livro de Roberto Saviano e dirigido com maestria por Matteo Garrone Gomorra choca, não só pelas cenas, mas por tudo aquilo que a Camorra faz. O filme acaba por nos revelar o quanto da máfia nos toca, estendendo seus tentáculos desde a família mais humilde, passando pela alta costura Italiana e indo até mesmo à reconstrução do WTC.

- Veredicto


Por um conjunto consistente, uma história que prende, um roteiro bem construído e por falar de um problema ainda tão atual, Gomorra é um filme indispensável, merecendo ser visto, e, principalmente, ouvido como o alerta que é.

- Trivia

Tanto o Diretor, Matteo Garrone, quanto o autor do livro e roteirista do filme Roberto Saviano sofreram inúmeras ameaças da Camorra por expor a organização. Atualmente estão em proteção permanente pela policia Italiana.

Reforçando o caráter polêmico do filme três atores que participaram das filmagens: Giovanni Venosa, que interpreta um dos chefes locais da máfia na película, foi preso por trafico de drogas e extorsão; Salvatore Fabbricino, que representava um jovem que fazia trafico no filme, foi preso sob a mesma acusação de seu papel e Bernardino Terracciano, que faz o papel de “Tio Bernardino” foi preso por envolvimento no assassinato de imigrantes africanos.

No filme Scarlett Johansson aparece (e é creditada como Imagens de Arquivo) usando a roupa supostamente feita pelo Mestre Pasquale.