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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Beowulf & Grendel (A Lenda de Grendel)

Beowulf & Grendel
(A Lenda de Grendel)




“Ao chegar em casa Beowulf soube que os amigos do oeste dormiam em meio à carnificina. Um Troll havia trazido morte aos dinamarqueses.
 E o grande Beowulf, melhor entre os melhores, aquele que luta sem medo com qualquer homem, levará consigo mais doze espadas dos geats para acertar as contas com a coisa.”


Em 2005 quando soube que este filme estava sendo feito, esperei como um louco até conseguir colocar as mãos em uma cópia. Não vi trailer, não conhecia o diretor e Gerard Butler não era conhecido como hoje em dia. A única coisa que me manteve esperando este filme foram as fotos de produção, mostrando que pretendiam ter não uma abordagem cinematográfica, mas pretendiam contar uma história possível sobre a famosa lenda de Beowulf.

E apesar de grande parte da crítica repudiar o filme, ele me entreteu bastante e está entre os melhores do gênero em minha opinião.

Beowulf & Grendel, 2005
Beowulf and Grendel (escrita alternativa)
Bjólfskviða (em Islandês)
A Lenda de Grendel (em português)
de Sturla Gunnarsson

com
Gerard Butler (Beowulf)
Stellan Skarsgård (Rei Hrothgar)
Sarah Polley (Selma)
Ingvar Sigurðsson (Grendel)
Tony Curran (Hondscioh)

O Rei Hrothgar tem um problema, após construir um novo Hall (ou Meadhall um salão para beber Hidromel) tem sido sistematicamente atacado por um troll. Grandes guerreiros morreram, o estado definha, seus inimigos começam a estudar uma invasão e a criatura a despeito dos esforços do rei, aparentemente não quer lutar com ele. A noticia da necessidade de um grande guerreiro se espalha até Geatland (que atualmente compõe a Suécia), onde com a permissão do Rei Hygelac, Beowulf, detentor de grandes feitos, se oferece para caçar a criatura.

Após a chegada, a situação é pior do que se esperava, o rei está mais desesperado e a criatura se esquiva dos ataques de Beowulf e do seu grupo de geats, recusando-se também lutar com eles. Muitos acreditam que até os deuses os abandonaram, fazendo com que muitos vikings pensem em se tornar cristãos, e Beowulf começa a acreditar que seus esforços foram vãos e que o problema de Hrothgar é grande demais até que Selma, a bruxa “que nenhum homem feliz quer ter por perto”, começa a esclarecer a situação.

E é bem mais do que um monstro atacando uma vila.

- Trailer



- Critica

Beowulf & Grendel é um filme interessante principalmente porque exercita de maneira muito competente algo que está em falta em filmes do gênero, algo que chamamos de “Realismo Fantástico”.

Por um lado é uma história fantástica, uma lenda, que trata de Trolls, Bruxas, Hags e coisas do tipo, mas para mérito do filme e para apreciação dos amantes do gênero tudo é tratado de maneira especialmente histórica. Não vemos exageros, grandiosidades que comummente são encontradas em filmes deste tipo. Como exemplo disso grupos de homens armados que faziam ataques eram daquele jeito, poucos e especializados no que faziam, assim como reinos eram pequenos e quase todo homem com alguma riqueza tinha uma coroa sobre a cabeça dizendo-se rei.

Outros filmes que tentaram retratar o mesmo poema, sempre caem nos pecados de misturar a alta idade média, com a baixa; mostrando reinos enormes, castelos que não existem naquela parte do mundo, armas e armaduras de outras épocas e coisas do tipo. Oque vemos em todo momento na tela são sempre pessoas vestidas, e nunca fantasiadas, este seria um dos grandes méritos e vantagem sobre outros filmes do gênero.

A produção de Sturla Gunnarsson é perfeita no que se propõe. As coisas parecem ter sido retiradas da época, construídas, utilizadas. Todos os objetos, do Hall ao navio, das armas às armaduras, da terra às pedras foram bem colocadas criando uma atmosfera perfeita para o desenrolar da história.

Em relação aos efeitos também tenho que afirmar que eles estão simplesmente perfeitos para o que o filme se propõe. Não vemos computação gráfica, não vemos montagens, nem nada deste tipo. Oque vemos é um bom trabalho de maquiagem e a utilização de artifícios simples, mas eficientes para criar “monstros” e “efeitos”. Os próprios trolls,são criados preponderantemente com o recurso perspectiva forçada (quando a câmera fica perto deles e longe dos demais atores dando a impressão que eles são maiores que os demais).

Em relação aos atores temos excelentes atuações, médias e as que deixam um pouco a desejar. Como excelentes poderíamos destacar Stellan Skarsgård como o Rei Hrothgar, é uma figura que desperta compaixão e pena, sempre bêbado, sempre se desesperando com o fato de não estar conseguindo cumprir o seu papel. Seja bêbado em seu salão, seja tentando parecer importante ou qualquer coisa do tipo Skarsgård está bem retratando um rei decadente e envelhecido mas sempre como um ser humano. Ingvar Sigurðsson, como Grendel está perfeito, monossilábico, mas com uma boa linguagem corporal, Ingvar consegue fazer um monstro com caráter, que ninguém odiará com sangue nos olhos de fato, mas que mesmo assim continua sendo um monstro. Eu ainda diria que Sarah Polley como Selma está bem colocada, ela ao meu ver consegue passar credibilidade como a mulher que vê a morte de todos, e a única que sabe oque está acontecendo e pode manipular a situação, assim como destacaria Steinunn Olina como rainha Wealhtheow, sendo um papel secundário mas bem constituído. Gerard Butler, como Beowulf, não está mal, um tanto quanto monossilábico, mas creio que isso seria oque se espera de um herói viking da época... afinal, como ele mesmo diz “Os Geats não usam palavras quando as espadas que falam de verdade” e as cenas de ação e luta são boas.

As criticas que dizem que o filme utilizou de linguagem inapropriada (sejamos claros... a maioria condenou o uso de termos fora de época como em “Fuck the Troll”) são ao meu ver, irrelevantes. Construir navios para um filme deveria ser mais bem visto do que destruí-lo apenas por algumas palavras, que em contesto são totalmente utilizáveis. Sim, o termo não existia à época... mas com toda certeza havia algo semelhante, e colocar termos e linguagem mais atual ao meu ver foi um ponto positivo.

Para finalizar gostaria de ressaltar a atuação de Eddie Marsan como Padre Brendan, o Celta. É impagável e divertido ver sua pregação louca, sua fé cega e as “discussões teológicas” que tentam provar a existência de cristo e superioridade da religião cristã ante aos deuses nórdicos.

- Veredicto

Por ser um filme que retrata com boa quantidade de acertos a situação da época, por trazer efeitos que não soam artificiais ou emplastrados, por mostrar uma boa história Beowulf & Grendel é um filme altamente recomendado aos fãs do gênero. Pena não termos mais filmes da mesma qualidade dele.

- Trivia

Gerard Butler já estava se preparando para 300 durante as filmagens de A Lenda de Grendel. E podemos ver que seu físico já está bastante constituído mas ainda não da forma do 300.

O orçamento total do filme foi de 13-14 milhões de dólares. Como comparação a animação A Lenda de Beowulf (Beowulf, Robert Zemeckis, 2007) filme fraco, e emplastrado demais na minha opinião, custou 150 milhões.

Em 2006 foi lançado um documentário chamado “Wrath of Gods” dirigido por Jon Gustafsson (que foi ator do filme e que aparece em A Lenda de Grendel creditado como Guerreiro #2) que conta como foram as filmagens de A Lenda de Grendel. O filme mostra as grandes dificuldades que tiveram que ser ultrapassadas para as filmagens e foi muito bem recebido tendo ganhado inúmeros prêmios.

Nick Dudman foi responsável pela maquiagem, ele também atuou em todos os filmes da série Harry Potter e dos filmes Batman Begins, Judge Dredd, Alien³ (entre muitos outros) e até mesmo Floresta Negra e A Lenda, ambos resenhados pelo blog.

- Bônus

Trailer de Wrath of the Gods.



terça-feira, 7 de abril de 2009

Snow White: A Tale of Terror, Floresta Negra

Snow White: A Tale of Terror
(Floresta Negra)




“- Conte-me uma estória, Nannau.
- Coloque seus dois pés junto aos meus, e aí veremos.
- Conte-me, Nannau, por favor.
- Tudo bem,deixa eu tomar fôlego. Um dia, não muito tempo atrás, sua mãe estava sentada à janela,olhando para a neve e de repente, ela furou seu dedo com a agulha! E seu sangue espalhou-se sobre a neve, e ela olhou e pensou: ‘Gostaria de um menininho’.
- Uma menininha, Nannau.
- Continue você. Conhece a história melhor que eu.
- Uma menininha com cabelo tão negro quanto o ébano da janela, e pele tão branca quanto a neve e lábios tão vermelhos quanto o sangue.”


Foi meio por acaso que assisti novamente Floresta Negra. Havia assistido há muito tempo, acho que pelo ano que foi feito e não lembrava muito da história, apenas partes esparsas, lembrando, apenas, que tinha gostado. É interessante ver como os filmes podem mudar em sua mente, e àquilo que tinha agradado muito muda completamente com os anos.

Snow White: A Tale of Terror, 1997
a.k.a. Snow White in the Black Forest
Floresta Negra (em portugês)
Branca de Neve: Uma História de Terror (título alternativo em português)
de Michael Cohn

com
Sigourney Weaver (Lady Claudia Hoffman)
Sam Neill (Lord Friederick Hoffman)
Monica Keena (Lilly Hoffman)
Gil Bellows (Will)

A mãe de Lilly morreu ao dar a luz, e ela cresceu os primeiros anos de sua vida sozinha com o pai, que a amava muito. Lord Hoffman, mesmo amando muito sua falecida esposa, ainda quer um herdeiro masculino e eventualmente se casou com Claudia, uma mulher de origem misteriosa que tenta de todas as maneiras conseguir a atenção de Lord Hoffman e dar a ele um filho para que possa ter consolidado o seu poder junto ao marido.

Lilly passa a detestar a madrasta imediatamente, a provoca quando pode e as duas passam a brigar constantemente pela atenção de Lord Hoffman. Conforme o tempo passa Lilly discute com Claudia por todo motivo que encontra, enquanto Claudia, vendo Lilly crescer e se tornar uma mulher, continua a trata-la como uma criança a vestindo de maneira infantil por pensar que assim poderia manter a atenção do marido apenas para si.

Mas Claudia não tem mais motivos para temer, pois depois de muito tempo finalmente conseguiu engravidar e está cada vez mais nas graças do marido, apesar de sua turbulenta relação com Lilly.
Um dia, numa festa dada por Hoffman para comemorar a vinda de seu futuro filho, Lilly encontra um vestido de sua mãe num sótão, e vestindo-se com ele e durante a festa passa a ser o centro das atenções, e roubando a cena de Claudia que passa mal e entra em trabalho de parto prematuramente.

Claudia perde o filho e dizem que ela não poderia mais engravidar. Amargurada, vingativa e sentindo que tudo que tinha conquistado com Hoffman se perdeu já que não poderia ter mais filhos a ele, Claudia culpa Lilliana e resolve mata-la.

Claudia ordena que seu irmão a mate, mas ele vacila e Lilly acaba fugindo para a floresta sendo encontrada por mineiros.

Lord Hoffman passa a procurar obsessivamente sua filha, fazendo com que Claudia tome medidas drásticas para tentar manter o poder que conseguiu, não importando quem se colocasse na frente, enquanto Lilly tenta voltar para casa e desmascaras a madrasta.

- Trailer



- Critica

A idéia de fazer a história da Branca de Neve utilizando os recursos reais e sombrios que os irmãos Grimm utilizaram é uma atitude louvável. E posso dizer que o filme tem inúmeros elementos ao seu favor.

A fotografia, os figurinos, as locações e tudo no que diz respeito do visual do filme está impecável, convincente e com um bom contraste de claro/escuro, que seria talvez a principal idéia num filme como este.

Os atores também foram muito bem escolhidos. Sam Neil como sempre fez um bom trabalho, Mônica Keena encaixa-se bem como Lilly e Sigourney Weaver como Lady Claudia chegou a ser indicada para o Screen Actors Guild Awards por sua performance como a madrasta.

Mas infelizmente isso é tudo que se sai de bem do filme. Ele cai naquele grupo de boas idéias com uma execução ruim. Não é culpa dos atores, eles tentam fazer um bom trabalho e cada um deles, mas a direção e o roteiro do filme parecem ter sofrido de inúmeros cortes de continuidade.

As partes não formam um todo e boas atuações isoladas formam uma sucessão de clichês fazendo com que alguns personagens fiquem com atuações pra lá de canastronas.

O Filme segue sem muito pé e cabeça, coisas longas passam em pouco tempo e coisas em pouco tempo acontecem longamente.

Exemplos? Lilly quando foge de sua casa após a tentativa de assassinato. A principio ela aprece fugir por poucos minutos (quanto diabos uma menina como essa pode correr no meio de uma floresta?) mas depois que ela se perde junto com os mineiros, não importa quanto tempo homens montados procurem por ela, eles não conseguem chegar aonde ela se refugiou. Afinal, o quanto ela correu para se distanciar tanto de casa?

Toda a ação com os “anões” é mal explicada. Qual a relação deles com ela? Ela simplesmente aparece na morada deles e vai ficando, mesmo com os conflitos existentes e discórdia entre eles.

Sem contra com a famosa cena de Sigourney Weaver como a velha que vai entregar a maçã envenenada. Ela está visualmente muito bem como velha, mas sinceramente a atuação dela naquele momento foi muito, mas muito canastrona.

- Veredicto

Por tudo que já foi dito acerca do filme não podemos dar nada mais para Branca de Neve: Uma História de Terror do que uma classificação média. O filme tem méritos e consegue fazer um clima muito, muito bom, mas a história não encaixa, falhando miseravelmente em causar algum terror nos expectadores e sendo uma pena, pois o filme tinha um excelente potencial e contou com efeitos físicos muito bons.

- Trivia

O papel da “princesa” Lilly foi inicialmente pensado com Alicia Silverstone no papel, mas ela não pode participar por conta das filmagens e divulgação do Blockbuster Batman & Robin (Batman & Robin, Joel Shumacher, 1997).

O filme foi oque realmente inspirou o grupo de Heavy Metal Industrial Rammstein a fazer o clipe Sonne, que também fala da branca de neve num contexto de terror.

Muita gente se espanta como Sigourney Weaver conseguiu cantar bem as musicas do filme, mas a verdade é que ela apenas dublou as musicas. A voz pertence a uma cantora que se especializou em musica medieval, Karen Hart.

A direção de arte fica a cargo de Peter Russel, que fez outros filmes de fantasia de sucesso como Stardust (Stardust, Matthew Vaughn, 2007) e Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland, Marc Foster, 2004) e os três filmes de Star Wars que contam o inicio da Saga.

- Bônus

Colocamos aqui o Clipe do Rammstein Sonne, inspirado pelo filme.


domingo, 8 de março de 2009

Watchmen

Watchmen
(Watchmen)



Diário de Rorschach: 12 de Outubro de 1985. Um cachorro está morto no beco esta manhã, um pneu arrebentou sua barriga. Esta cidade tem medo de mim. Eu vi sua verdadeira face. As ruas são como um grande esgoto, um esgoto cheio de sangue e quando finalmente transbordar todos os vermes irão se afogar. A sujeira acumulada de todo sexo e assassinato já está na altura da cintura e todas as prostitutas e políticos logo vão olhar para cima e gritar ‘Salvem-nos!’ e eu sussurrarei. ‘Não!’”.


Por volta de 1987 foi lançado um quadrinho singular, Watchmen, que visava não contar uma história sobre um grupo de super-heróis virtuosos, e sim retrata-los de maneira humana, com todas as falhas e virtudes possíveis nesse meio

A tentativa de fazer um filme sobre o tema foi tentada inúmeras vezes, até que finalmente em 2009 aconteceu. O resultado resenhamos e criticamos abaixo.

Watchmen, 2009
de Zack Snyder

com
Malin Akerman (Laurie Jupiter / Silk Spectre II)
Billy Crudup (Dr. Manhattan / Jon Osterman)
Matthew Goode (Adrian Veidt / Ozymandias)
Jackie Earle Haley (Walter Kovacs / Rorschach)
Jeffrey Dean Morgan (Edward Blake / The Comedian)
Patrick Wilson (Dan Dreiberg / Nite Owl II )

Há algum tempo existem os chamados vingadores mascarados. Pessoas comuns, que começaram a se vestir de maneira extravagante para poder combater o crime sem serem identificados. Esses heróis mantiveram a ordem de uma forma que a policia não conseguiu.

Eles não tinham super-poderes (com exceção de Dr. Manhattan, por conta de um acidente nuclear tem poderes extra-humanos), mas mesmo assim conseguiram mudar muito o curso da história como conhecemos. Os Estados Unidos com os heróis ao seu lado venceram o Vietnã; e também por conta de Manhattan, os EUA tem um trunfo num mundo ainda dividido entre Socialismo e Capitalismo.

No entanto os Vigilantes com o tempo passaram a não mais ser bem vistos pelo publico, e em 1977 uma lei os baniu. Alguns, como o segundo Coruja simplesmente se aposentaram, outros como Dr. Manhattan e o Comediante continuaram a trabalhar junto com o governo e ainda houve àqueles como Rorschach continuaram como vigilantes atuando mesmo com o perigo de ser preso.

Neste contexto acontece o assassinato de Edward Blake, o Comediante. A policia não dá mais importância, mas Rorschach investiga a fundo o assassinato do antigo mascarado e começa a encontrar provas de que há alguém querendo matar os antigos heróis.

Rorschach começa a mobilizar os heróis aposentados, sem muito sucesso no inicio, mas com o tempo passando, os indícios de mortes entre os heróis aparecendo, a ameaça nuclear ficando cada vez mais evidente e o distanciamento da sociedade de Dr. Manhattan (que cuida para que os EUA não sejam atacados pela URSS) tudo indica que algo realmente grande está acontecendo por trás de todos.

- Trailer



- Crítica

Assisti Watchmen um dia depois da estréia, e mesmo tendo passado agora 24 horas da projeção não é fácil escrever sobre o filme. Ele ainda está se mexendo na minha cabeça.

Oque posso afirmar a esta hora sobre ele é que não é um filme fácil. Não é fácil ver os 160 minutos e dizer que Watchmen é um filme palatável. Longe disso, Watchmen é cansativo demais. As 2h e 40 minutos de filme multiplicam-se por três para o expectador deixando a projeção cansativa ao extremo. É difícil de se concentrar com todas as coisas acontecendo em cena, é difícil acompanhar algumas das partes mais pensativas, é difícil conseguir tentar ver o mundo em nossa frente como possível, e nesses pontos o filme falha, perde a mão. Terry Gillian, mestre do Bizarro, que dirigiu coisas como “Monty Pyton e o Sentido da Vida”, “Doze Macacos” e “Brazil, o filme” sabia disso. Ele foi um dos cotados para dirigir Watchmen ainda nos anos 90 afirmou que era impossível fazer apenas um filme e sugeriu uma mini-série.

 Mas é impossível também usar mais argumentos para dizer que a história estava lá... bem feita, bem produzida. O filme é bom. O ruim é ver muitas pessoas assistindo ao filme pensando que ele é sobre super-heróis, ele não é... nunca quis ser. Watchmen é sobre como seria um mundo onde se tais heróis existissem pudessem ser minimamente reais, e pudessem viver a grande contradição que ser um “vingador mascarado” é.

E se o filme é cansativo e em certos momentos rápido demais não dando tempo para que possamos nos familiarizar com certos conceitos, por outro lado, o filme é tecnicamente (como já exposto em várias criticas) alucinante. Poucas vezes no cinema uma cena de abertura, mostrando os momentos do mundo mudados pela ação ou existência dos “heróis” foi tão bem feita feliz em comunhão com a música de Bob Dylan. O Assassinato de Kennedy, a ida de Fidel à União Soviética, a apresentação da Arte de Andy Warhol além das cenas dos vingadores mascarados em seus momentos de glória e de desgraça, tudo feito de uma forma gráfica perfeita e emocionante.

O filme também acerta em cheio no som. Apesar de em alguns momentos os efeitos sonoros serem um tanto exagerados, no conjunto tudo soa bem. As musicas do filme são um ponto forte à parte, todas muito bem escolhidas entre clássicos e finamente executadas em momentos oportunos que casam formando uma visão perfeita do que acontece. Tanto o inicio com Times They Are A’Changing de Bob Dylan, quanto o enterro com The Sound of Silance de Paul Simon and Art Garfunkel passando pela Cavalgada das Valkirias de Wagner, tudo ajuda a nos transportar para uma história que às vezes se torna tão complexa que nos expulsa.

Os atores também ajudam, Patrick Wilson , está excelente como o coruja, Malin Akerman  está convincente como Espectral e Jeffrey Dean Morgan está perfeito como O Comediante, sendo a imagem na tela do “herói” mais contradito dos Quadrinhos. No entanto é Jackie Earle Haley com Rorschach que mais chamou a minha atenção, primeiro porque apesar de acreditar que J. E, Haley era um bom ator (seu desempenho em Pecados Íntimos (Little Childrem, ,) é muito bom) mas não acreditava que ele pudesse fazer um Rorschach convincente, pela profundidade, dubiedade e moral avessa do personagem, mas ele surpreende e consegue fazer um excelente papel.

Só mesmo Billy Cudrup como Dr. Manhattan não me convenceu muito, parte por ele não passar a mim a idéia de desumanidade do personagem dos quadrinhos soando sempre vago demais, parte pela própria natureza gráfica do personagem, ele brilhando em azul em efeitos digitais o tempo todo, parece um tanto artificial oque tornaria mais difícil ainda colocar uma “alma” em sua pele azul.

Por fim, Zack Snyder faz um bom trabalho. Vemos uma evolução do plastificado 300 (300, Zack Snyder, 2007), demonstrando que ele entendeu que nem tudo pode se resumir a Chome Key e mostrando que ele pode optar por bons sets fazendo uma produção mais leve que seu filme anterior, e acredito que mesmo com as mudanças da história, este é o melhor Watchman que poderíamos ter (ao menos em um único filme).

- Veredicto
Fiel ao quadrinho, apesar das mudanças. Cansativo mas um deleite tecnicamente, Watchmen é um filme bom, mas fácil de se perder em seus pecados. Uma pena, pois o quadrinho teve vida longa justamente por saber pesar tudo oque acontecia tornando-se um clássico da nona arte.

- Trivia


O filme sofreu com uma produção que trocou inúmeras vezes de diretor, de atores e de roteiro até estabilizar-se como conhecemos. Passaram como possíveis diretores. Terry Gillian, Paul Greengrass e Darren Aronofsky.

Foram cogitados para interpretar o comediante Gary Busey (nos anos 90), Ron Perlman (no inicio de 2000) e Nathan Fillion quase conseguiu o papel.

Alan Moore recusa-se a assistir qualquer filme baseado em suas obras, recusa-se a endossa-los e recusa-se até a receber créditos por eles, dizendo que é o responsável pelos quadrinhos, apenas. Isso aconteceu em V de Vingança, Constantine, A Liga Extraordinária e Do Inferno.

E quando sugeriram que em algum dia, quem sabe num dia chuvoso ele pudesse assistir ao menos o DVD ele foi categórico “Isso não vai acontecer.”

Não foram poucos os que se posicionaram contra as cenas de nu frontal de Dr. Manhattan, mas elas foram utilizadas e o filme recebeu categoria de censura máxima nos EUA. Acima de 18 anos.


A parte que mostra Espectral e Dr. Manhattan em marte numa cratera em formato do símbolo “smile” ao contrário do que muitos pensam é REAL, a cratera com esse formato realmente existe sendo conhecida como Cratera de Galle, Cratera de Marte de Galle ou Formação de Galle, podemos encontrar mais informações e fotos na wikipedia neste link. (em inglês).

Malin Akerman, a atriz que faz a Espectral Original e mãe de Laurie Jupter (a segunda espectral, interpretada por Carla Gugino) na verdade é mais nova que Carla. Carla (que interpreta a filha) nasceu em 1971 e Malin (que interpreta a mãe) nasceu em 1978, sendo portanto 7 anos mais nova.

Alan Moore e sua esposa são ativistas dos direitos dos homossexuais, portanto não é raro que em seus escritos existam personagens homossexuais figurando entre os principais. Neste filme temos Ozymandias (que no quadrinho é mais abertamente Gay) e Silhouette, que aparece brevemente no filme e nos quadrinhos foi morta por militantes homofóbicos.

Custou 120 milhões.

O filme aparece como “Baseado na Obra de David Gibbons”, se bem que David apenas a desenhou.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Underworld: Rise of the Lycans, Anjos da Noite 3: A Rebelião

Underworld: Rise of the Lycans
(Anjos da Noite 3, A Rebelião)




“Eu te dei a vida!”
“Você me deu correntes...”
“A esta altura pensei que já tinha entendido que não pode ter um sem o outro”

A série Underworld já estava desgastada. O Primeiro filme era passável em seu universo de vampiros contra lobisomens, mas o segundo filme foi de mal a pior lançando no buraco a possibilidade da franquia crescer mais pra um lado. Oque fizeram então seus realizadores? Resolveram fazer crescer para o outro lado, explorando o filão de como começou a guerra entre vampiros e lobisomens.

O resultado? Resenhamos e criticamos abaixo.

Underoworld: Rise of the Lycans (2009)
a.k.a Underworld III
a.k.a Underworld: Prequel
de Patrick Tatopoulos

com
Michael Sheen  (Lucian)
Bill Nighy (Viktor)
Rhona Mitra (Sonja)
Kevin Grevioux (Raze)


O filme conta a história de como surgiu a consciência nos Lycans, e como eles evoluíram de uma raça brutal a seres organizados, explorando a história do primeiro Lycan que podia se transformar em humano, Lucian; que de escravo dos senhores vampiros passou a senhor e líder dos Lobisomens. O filme também aborda o relacionamento dele com Sonja filha de Viktor, ancião em exercício na época, que aparece nos filmes seqüentes.

- Trailer



- Crítica

Grande parte da ação psicológica em um filme de vampiros vai do relacionamento entre eles, e nós, “o gado”. Vampiros se alimentam de seres humanos... vemos esta abordagem em maior ou menor grau em todos os filmes e livros de vampiros. Como eles se sentem sobre o fato? Como escondem sua presença? Na série Underworld, seja no primeiro ou no segundo, esta parece ser uma preocupação simplesmente inexistente. Conflitos acontecem em todo lugar, de todas as formas possíveis e os humanos, presos neste meio, são mortos como moscas, sem preocupação real tanto dos lobisomens quanto dos vampiros em fazer uma ocultação séria.

A base da alimentação humana por vampiros, que é uma das coisas que seriam aterrorizantes em si num filme que engloba este universo, uma vez que desde que nossos ancestrais desceram das árvores temos em nós este primitivo instinto de auto-preservação em que tememos a possibilidade de sermos comidos, e é por isso que filmes como Tubarão, Jurassic Park e vários outros filmes de vampiros soaram tão assustadores ao seu tempo.

De maneira geral na série Underworld isso é pouco ou quase nada explorado e, neste filme sequer há qualquer referência a alimentação. Para falar a verdade não sabemos nem como os vampiros se alimentam na fita e a única alusão de alimentação no filme é o fado de Viktor estar bebendo um cálice com um liquido grosso vermelho que derrama fora e dentro da sua boca (outra coisa é isso... em vários filmes os vampiros tem que se alimentar de sangue, mas cinematograficamente eles se lambuzam mais e espalham o alimento pela boca e rosto do que bebem em si).

Parte do filão dramático de um filme de terror é captar a atmosfera do possível, trazendo o espectador para dentro do filme com uma sensação de “Isso é real, isso pode acontecer com você”, mas também nessa questão, o filme é falho. Não estou dizendo que precisava maneirar em nenhum dos aspectos que o compõe, seja na luz azul e nas noites gigantescas, mas apenas tentar mostrar o filme em algum local possível... a ação parece ser filmada num gigantesco estúdio (como realmente foi), e o universo além dos muros do castelo não mostra nenhum tipo de profundidade ou verossimilhança.

Estranhamente os vampiros no filme parecem cobiçar mais a prata dos humanos do que de seu sangue, e os lobisomens seriam utilizados para a proteção dos chupa-sangue aparentemente sem que nenhum dos poucos humanos que aparecem no filme tenham qualquer poderio real físico que pudesse ameaça-los. Sem contar que a única pendenga entre humanos e vampiros é decidida não com política ou ações nos bastidores, e sim violência gratuita, também mandando pro buraco qualquer tentativa de transformar humanos em marionetes como vemos em diversas tramas vampíricas.

Os atores tem altos índices de canastrisse inclusos... e mesmo Bill Nighy que é um ator conhecido não consegue nos passar nada como ancião, funcionando mais como a figura estranha que sai dos caixões no primeiro e segundo filmes do que nesse, onde não convence como vampiro, não convence como político, não convence como pai, não convence como guerreiro, não convence como assassino e etc... Rhona Mitra foi obviamente escolhida por sua semelhança com Kate Beckinsale (que poupou a sua carreira de mais um filme desses, embora apareça no filme com cenas retiradas do primeiro filme da série). A semelhança das duas é tanta que no filme Doomsday (Doomsday, Neil Marshall, 2008 e que deve estrear aqui 13 de março deste ano) não são poucas as pessoas a confundirem que pensam que “A mina de Anjos da Noite” fez o filme.

Dos demais Kevin Greivoux, com sua voz assustadoramente grossa, e seu tamanho descomunal volta novamente como Raze, mostrando como ele conheceu Lucien, e apesar do seu personagem ser visualmente impactante, pouco faz (como pouco fez no outro filme). Michael Sheen, como Lucien não está mal, apesar de não convencer como Che Guevara lupino.

Apesar de todo o exposto a recepção do filme só não foi pior por conta de um motivo. O Design. O Design da produção foi impecável, não realista, não verossímil mas belo ao olhar. Patrick Tatopoulos, o diretor, é designer de monstros e de produção, e esta foi apenas sua segunda (e maior) investida na direção de um longa, apesar dele ter trabalhado em inúmeros filmes “de monstros” fazendo o design de criaturas, de produção e até maquiagem em inúmeras fitas de sucesso como O Forasteiro (Outlander, Howard McCain, 2008), Terror em Silent Hill (Silent Hill, Christophe Gans, 2006), Eu sou a Lenda (I am Legend, Francis Lawrence, 2007) entre muitos, muitos outros. Oque mostra que Tatopoulos como designer é imbatível, apesar de não conseguir fazer muito além de mostrar um belo quadro.

Os lobisomens, bem feitos como em nenhum filme nenhuma maquiagem conseguiu, as locações belas, escuras e cheias de sombras como pouco se viu, os vampiros (esses são um tanto carregados de clichês, e parece que a produção foi a uma boate gótica e pegou as 30 primeiras pessoas que apareceram sem ligar para a vestimenta... sério, vi a hora de um dos figurantes puxar um iPhone, mas nada que comprometa seriamente um filme tão ruim em tantos aspectos) tudo muito bem feito esteticamente. No final, o filme foi sumarizado muito bem por um espectador à minha frente “Esse filme é uma figura muito bonita!”.

- Veredicto

O filme falha em praticamente tudo que faz com que um filme de vampiros exista, não possuindo trama bem construída, não aproveitando os bons atores, não fazendo com que fiquemos temendo por nossas vidas mas, é belo em sua produção, e por isso, virará uma referência no futuro de como parecer, mas sem ser absolutamente nada.

- Trivia

As armaduras ou foram inspiradas nas armaduras elficas de Senhor dos Anéis ou foram as mesmas utilizadas no filme, é tudo MUITO semelhante.

Kevin Grevioux, o gigante que faz o papel de Raze tanto no primeiro quanto neste terceiro filme da franquia é responsável pela criação dos personagens e da trama em si junto com Danny McBride, um dublê que participou do primeiro filme e Len Wiseman o primeiro diretor da franquia.

O filme teve a pior estréia em comparação com os demais da série.

Custou 35 milhões para fazer, e arrecadou isso em duas semanas de projeção

Com a pouca possibilidade de um novo filme da série Kevin Grevioux irá adaptar o resto da história na forma de quadrinhos, que deverão sair em mini-séries em 2010.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Outlander, O Forasteiro

Outlander
(O Forasteiro, Guerreiro Vs Predador )



“O meu povo chama-o Moorwen.”
“Moorwen?”
“Acredite em mim, a primeira vez que vi um, não sabia o que estava olhando. Era apenas uma pequena visão de luz na escuridão. E é assim que atrai as presas, com luz. Uma luz fosforescente. Mata homens, bestas, tudo... E cheira como a morte.”

Assisti Outlander apenas pelo tema. Não esperei pelo filme (a verdade é que nem sabia dele), não vi Trailer e antes de assisti-lo não sabia nada mais do que uma idéia vaga sobre oque se tratava. “Um filme que mistura 13° Guerreiro com Predador”.

Podia ser trash... afinal não são poucos os filmes de fantasia que tem vikings no meio que simplesmente são um lixo (Desbravadores, por exemplo, ainda estava entalado na minha garganta). O elenco, no entanto, me fez repensar. Havia nomes sérios como James Caviezel, mas também veteranos de filmes fantásticos como Ron Perlman (de Hellboy, Alien 4, Ilha do Dr. Moreau entre tantos outros) e Jon Hurt (também de Hellboy, V de Vingança entre muitos e muitos outros), de modo que minha expectativa aumentou.

E eu que sempre procuro novos filmes de fantasia gostei; um bom exemplo como há muito não via.

Outlander (2008)
O Forasteiro
Guerreiro vs. Predador
de Howard McCain

com

James Caviezel (Kainan)
Sophia Myles (Freya)
Jack Huston (Wulfric)
Ron Perlman (Gunnar)
John Hurt (Rothgar)

Outlander conta uma história que vista de diversos pontos de vista pode ser contada de inúmeras maneiras. Se pudéssemos assistir ao filme pelos olhos de Kainan, o personagem principal, seria uma ficção cientifica pura. Se víssemos pelos olhos de Rothgar ou sua filha Fraya, seria um conto sobre monstros e deuses, e visto pelo Moorwen seria sobre a destruição de uma espécie inteira.

Um império inter-estelar tem colônias em diversos planetas, e, retornando de uma missão uma de suas naves acidenta-se e termina por cair na terra, na Noruega no ano de 709, quando os Vikings (que eram, na época, pouco mais que um amontoado de tribos) dominavam. Kainan manda um sinal de socorro, mas oque mais o preocupa não é retornar, e sim caçar um monstro que ele sabe, caiu junto com ele.

Kainan rastreia o monstro pela região, terminando em uma aldeia completamente destruída, e, por fim ele acaba por ser capturado pelos moradores locais, de um clã liderado pelo guerreiro veterano Rothgar.

Os membros do clã estão furiosos, e querem saber quem destruiu a vila. Kainan usa termos simples para explicar oque acontece e diz que um dragão, ou como o povo dele chama; Moorwen, entrou em seu navio, matou a tripulação e o fez naufragar ali.

O clã, pouco importa o monstro e acredita ser apenas uma história contada por Kainan. Eles se preocupam com a vila destruída pois ela pertencia a Gunnar (um Ron Perlman irreconhecível à primeira vista) e ele, inimigo do clã, os culparia pelas mortes e possivelmente logo começaria uma guerra.

Cabe a Kainan tentar juntar os clãs contra o inimigo derradeiro e que poderia acabar com toda a vida na região.

- Trailer



- Crítica

Não conheço outros trabalhos de Howard McCain. Ele dirigiu apenas coisas para TV e curtas antes deste filme, mas como um escritor é familiarizado com monstros e fantasia uma vez que escreveu o roteiro de Underworld: Rise of the Lycans e está trabalhando no roteiro do mais novo Conan (que dizem, sairá em 2010).

13° Guerreiro (13th Warrior, John McTiernan, 1999) poderia ser oque melhor teríamos dos filmes de vikings modernos e mesmo ele deixa muito a desejar. Com porcarias como Desbravadores, Beowulf entre outros, posso dizer que esta ficção cientifica faz mais pelos vikings do que a maioria das baboseiras que vemos nos cinemas ultimamente.

A história é difícil de orquestrar, uma vez que consegue misturar mundos diversos como Fantasia Medieval, Ficção Cientifica e Monstros, mas mesmo assim sob a batuta de McCain a coisa anda e se desenvolve bem, num ritmo constante e que mescla ação, lutas e uma trama convincente.

James Caviezel está excelente como o estóico guerreiro vindo do exterior e temos um apoio muito consistente com nomes como Jon Hurt e Ron Perlman (que mesmo fazendo um papel de pouco destaque fisicamente aparece muito bem em tela como o gigantesco Gunnar que ataca com dois imensos martelos de guerra). Sophia Myles, como bela e rebelde filha do rei é um colírio e balanceia as cenas como a temperamental Freya.

Com uma fotografia boa, poucas vezes vemos um filme com tantas texturas; temos uma vila viking muito bem ambientada, cavernas com túneis sinuosos, cenas aquáticas e de navios, e é claro lutas e mais lutas que não poderiam faltar num filme do gênero.

Não poderíamos acabar sem falar na criatura, o Moorwen. O filme não tem um orçamento vasto e os efeitos não são exatamente de ponta, no entanto, fazem um bom trabalho e conseguimos sim perceber que a criatura é viva e possível. Chegamos mesmo a nos espantar; com sua aparência bestial e apetite voraz por corpos humanos ele ainda assim é um ser digno de pena uma vez que conforme a história se revela entendemos que a criatura não teve outra escolha a não ser fazer oque estava fazendo e que ela também é uma vitima em uma história em que nada é oque parece ser; um deus é apenas um homem e um monstro é apenas uma vitima.

A maior surpresa deste filme, ao meu ver, é a falta de conhecimento sobre ele. Até esta data não havia visto trailers, propaganda ou nada sobre ele; e este filme poderia ser um daqueles que é esperado por uma legião de fãs do gênero.

- Veredicto

Por conseguir balancear Ficção Cientifica, fantasia medieval e um filme de monstros como pouco vemos, Outlander é um filme válido e que merece ser visto. Se os efeitos são limitados até certo ponto, isso não faz nenhuma diferença, uma vez que a história é convincente e os atores fazem um trabalho razoável para realiza-la. Para os fãs de fantasia medieval, de ficção cientifica e jogadores de RPG em geral, assista sem medo.

- Trivia

Percebemos várias referências a outros filmes de fantasia/medievais, sendo, por isso, os nomes dos personagens nórdicos tão clichê quanto podem parecer. Temos um Boromir (Senhor dos Anéis) uma Freya (deusa nórdica), Gunnar (nome infinitamente comum em paises escandinavos e há um personagem na canção dos nibelungos que muito se parece com o personagem de mesmo nome da tela).

Tanto nos filmes Eric o Viking (Erik the Viking, Terry Jones, 1989), quanto Beowulf e Grendel (Beowulf & Grendel, Sturla Gunnarsson, 2005), quanto Dragonslayer (Dragonslayer, Matthew Robbins, 1981) há uma cena que um sacerdote ao ver um monstro mitológico o enfrenta em nome de Deus. Em Eric e Beowulf a criatura simplesmente ignora, mas em Dragonslayer e Outlander a criatura despedaça o religioso.

O sangue da criatura é verde e brilhante da série Predador .

Usando as figuras da terceira edição de D&D a criatura lembra um cruzamento de um dragão de prata com um bullete.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Låt Den Rätte Komma In, Deixe Ela Entrar

Låt Den Rätte Komma In
(Deixe Ela Entrar)



Tive meu primeiro contato com o filme de Thomas Alfredson quando vi algumas resenhas sobre ele em alguns sites especializados, mas sinceramente não me interessei. Atualmente filmes de vampiro estão um tanto quanto repetitivos e simplesmente passei por ele, mas o nome... o nome eu guardei “Låt Den Rätte Komma In”.

Andando pelo IMDB e indo até a lista do TOP 250 eu procurava um filme qualquer quando percebi que Låt Den Rätte Komma In estava por volta de 220. Achei estranho porque era um filme sueco lançado fora do circuito... como em tão pouco tempo (de outubro quando ocorreu o lançamento na maioria dos países, até dezembro) o filme tinha subido ao patamar do top 250? Intrigado e curioso consegui uma cópia e o assisti.

E confesso que me surpreendi muito.

Låt Den Rätte Komma In
de Tomas Alfredson

com

Kåre Hedebrant (Oskar)
Lina Leandersson (Eli)
Per Ragnar (Håkan)

Oskar é um garoto de 12 anos sozinho e mora com a mãe num conjunto habitacional da Suécia dos anos 80. Não tem amigos, é constantemente perseguido por colegas de escola e o provocam e espancam sempre que podem fazendo com que ele alimente fantasias de vingança enquanto fica uma faca no tronco de uma árvore.

Até que Eli se muda para o apartamento ao lado do seu. Ela é uma menina aparentemente da idade de Oskar, igualmente sozinha e igualmente morando apenas com um de seus pais, o estranho Håkan.

E uma onda de assassinatos começa a acontecer.

Eli e Oskar lentamente se aproximam, se tornam amigos e a garota passa a fazer companhia a ele e a estimular que ele lute contra os garotos que o provocam.

Oskar junto dela se sente feliz, apaixonado e ambos se tornam inseparáveis mesmo com a resistência de Håkan, que pede para sua filha que não mais se encontre com o garoto. Håkan na verdade é o responsável direto pelas mortes e tem medo que a proximidade da menina com um morador local possa atrair atenção indesejada.

No entanto, nem Eli é filha de Håkan e nem Håkan é um puro e simples assassino. Eli é um vampiro que precisa de sangue humano e Håkan é uma espécie de carniçal (apesar deste termo nunca ser usado durante todo o filme), um humano que serve um vampiro como um escravo e é responsável por conseguir o sangue necessário para que ela sobreviva.

Mas Håkan morre. E Eli passa a contar apenas com Oskar para ter companhia e para ajuda-la a se alimentar.

“Você gostaria de mim mesmo que eu não fosse uma garota?” Ela pergunta.


- Critica

Há muito tempo não via um filme de vampiros como este, ele consegue ser tudo que já se foi sobre os vampiros em cinema e mesmo assim ser completamente diferente e novo.

Sim é um filme de vampiros, mas não na acepção básica de terror que estamos acostumados. Não há a idéia simples de um monstro gótico, solitário e vindo de uma atmosfera árida como vemos em Nosferatu da década de 20, apesar de sim haverem monstros solitários e uma atmosfera sufocantemente árida. Não vemos a idéia clássica de um predador humano sensual como os filmes clássicos que deram inicio ao mito do vampiro no cinema com Bela Lugosi na década de 30, mas sim, há uma atração pelo vampiro interpretado magistralmente por Lina Leandersson. Não há atmosfera de horror pessoal mostrada nos romances de Anne Rice, que se alastraram pelo cinema e pelos livros de RPG em 90, mas oque seria esta estória, senão uma estória de Horror pessoal?

Låt Den Rätte Komma In, é mais que um filme sobre vampiros, e muito mais do que um filme de terror. É um filme sobre tudo isso e relacionamentos. Roteirizado por John Ajvide Lindqvist o mesmo autor do livro de mesmo título e dirigido por Thomas Alfredson (que tem um estilo de direção um tanto semelhante com Guillermo del Toro) conseguiu mostrar além de uma excelente história fantástica a ternura e a dificuldade de se apaixonar aos 12 anos, sem que isso caia numa baboseira sentimentalista. Ambos os atores, Kåre Hedebrant e Lina Leandersson, são extremamente convincentes em seus papéis e conseguem passar tanto o amor que sentem um pelo outro, quanto a perdição que isso significa.

Os efeitos especiais são mínimos, mas bem usados e conseguem causar arrepios como na famosa cena que mostram oque acontece a um vampiro quando entra numa casa sem ser convidado. A construção de época, fotografia, e ritmo são condizentes criando uma atmosfera perfeita para o desenrolar da trama.

Bem equilibrado, não é surpresa que esta produção, despretensiosa, com um orçamento modesto e vindo da gelada Suécia tenha conseguido entrar no seleto top 250 do IMDB (atualmente ele está em 191°) ultrapassando em qualidade inúmeros outros Blockbusters dispensáveis. E recebeu 97% de reviews positivos no Rotten Tomatoes, site famoso por criticar impiedosamente.

Um ultimo questionamento antes de darmos o veredicto teria sobre o paradoxo que há na relação de Oskar e Eli que nos faz questionar um ponto. Ela, a despeito do que demonstra ou faz demonstrar durante o filme, realmente ama ele, ou ela quer apenas usa-lo. Vemos um breve momento em que Eli demonstra alguma ternura por Håkan, que demonstra extrema devoção pela menina, chegando ao ponto de se deformar com ácido e sacrificar a própria vida por ela quando preciso. Esse é o futuro de Oskar?

- Veredicto

Consistente, intrigante, de certa forma profundo e divertido Låt Den Rätte Komma In um filme que merece ser visto e é indispensável para fãs de vampiros, fãs de terror e principalmente para aqueles que podem nem gostar de vampiros e de filmes de terror, mas não tem preconceito de dar uma chance a um filme um tanto quanto diferente.

- Trailer


- Trivia

Durante o filme a professora lê uma história para a classe, é interessante reparar que a História é “O Hobbit” de J. R. R. Tolkien. O livro tinha sido lançado em 1937 e na época em que o filme se passa (anos 80) ele já era um sucesso infanto-juvenil na Europa e Estados Unidos.

É o Sétimo sueco a aparecer nas listas de mais vistos do IMDB. Não sei ao certo quantos filmes brasileiros já apareceram, mas, na lista atual temos apenas Cidade de Deus (em 17° lugar já há muito tempo).

Para tornar a voz da personagem mais grave e adulta Lina Leandersson dublou a si mesma durante todo o filme.

Está anunciada uma versão Americana do filme (como se isso fosse realmente necessário). Guillermo del Toro foi cotado para a direção, mas a realidade é que nada é certo sobre esta versão de Hollywood do filme. Dada a grande repercussão de refilmar uma estória já tida excelente os produtores procuraram deixar claro que se feita uma nova versão ela seria baseada principalmente em outros aspectos do livro que não foram tocados no filme sueco.

O titulo do filme (e do livro) é uma referência a música de Morrissey "Let the Right One Slip In".

Na cena final, a palavra passada por código Morse para a caixa é (P-U-S-S) que seria beijo em sueco.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Legend, A Lenda

Legend
(A Lenda)



Há 4 filmes básicos de fantasia dos anos 80 e já vi eles serem chamados de “Quadrilogia Básica de Fantasia”, pois ensinaram uma geração a amar filmes e com alguma sorte, livros de fantasia que hoje em dia estão tão na moda e são feitos e vistos como superproduções. Os filmes são; Conan o Bárbaro (Conan The Barbarian, John Milius, 1982), A Lenda (Legend, Ridley Scott, 1985), O Feitiço de Áquila (Ladyhawke, Richard Donner, 1985) e Willow na terra da Magia (Willow, Ron Howard, 1988).

Conan, O Feitiço de Áquila e a Willow foram filmes que me marcaram profundamente em minha infância, os vi na época (alguns deles mesmo no cinema) e fazem parte do imaginário que tenho de fantasia, me influenciando muito até hoje e sendo filmes que, para mim, “formaram o meu caráter” como diria o pessoal do Jacaré Banguela.

Pretendo escrever sobre todos os três filmes aqui algum dia, mas hoje, falarei sobre o único que escapou e que tive a oportunidade de vê-lo realmente apenas agora. A Lenda. Não que não tenha visto o filme, o vi, mas não lembrava, acho que a única coisa que lembrava era que não tinha gostado... acho que não era (e talvez não seja) o meu tipo de fantasia. O vi apenas nas Seções da Tarde, normalmente só pedaços e confesso que nunca me entusiasmei muito por ele.

Meu interesse mudou, quando assisti um documentário falando sobre o Making Of de Blade Runner (talvez o melhor filme de Ficção Cientifica já filmado, que é do mesmo diretor de A Lenda, Ridley Scott). No Making Of, eles falavam que a produção de Blade Runner tinha sido extremamente caótica, assim como seu filme seguinte A Lenda e nenhum dos filmes haviam sido editados com respeito a idéia inicial do diretor, apesar de que o Ridley Scott aparentemente tinha conseguido lançar sua versão própria de A Lenda no Reino Unido, maior que a versão americana e com trilha sonora totalmente diferente, assinada por Jerry Goldsmith.

Li em diversos sites sobre a versão britânica, e pelo que diziam era um filme totalmente diferente do americano. Tudo isso, fez com que eu tivesse curiosidade de ver a versão britânica e passei um bom tempo tentando encontra-la. Achei que tinha encontrado e assisti, me decepcionando com o resultado.

O filme que vi, no entanto, não era a versão britânica, era a versão estendida, lançada em 2002, conhecida como Legend Ultimate Edition, e é sobre ela que eu irei escrever.

Legend (1985).
de Ridley Scott

com
Tom Cruise (Jack)
Mia Sara (Lili)
Tim Curry (Darkness)

A trama de A Lenda diz respeito sobre O Senhor da Escuridão, que vive no lado mais sombrio e mais profundo da floresta, e como ele mesmo diz; a luz tem o poder de destruí-lo de modo que ele precisa viver entre as sombras. Almejando dominar o mundo, ele precisa acabar com o sol; e usa seus goblins para destruir àquilo que o mantém brilhando.

Os goblins usam a inocência da princesa Lili para atrair a fonte da luz no mundo, e com isso conseguem mergulhar o mundo na escuridão.

Lili percebe o mal que fez, e vai até o covil da Escuridão tentando reparar seu erro, mas o demônio se apaixona por ela e a tenta para que ela se torne sua rainha. Cabe então a Jack, um jovem apaixonado por Lili que vive na floresta e que a conhece tão a natureza bem quanto qualquer elfo, resgatar Lili das mãos da Escuridão com a ajuda de duendes e fadas, trazendo novamente a luz ao mundo.

- Critica

A Lenda é excepcionalmente filmado, bem realizado e tem excelentes figurinos, fotografia e efeitos especiais (todos físicos, nada desta baboseira digital de atualmente que deixa tudo um tanto quanto emplastrado). Blix, o goblin, é talvez o único que corresponde a minha idéia mental de como seriam esses monstros, o castelo da escuridão é bem feito e até mesmo Oona, a fada, convence, apesar de talvez o personagem mais lembrado do filme seja responsabilidade de Tim Curry, como o demônio da escuridão. Com seu corpo vermelho, seus dentes pontudos e seus grandes chifres característicos, sua imagem povoa a mente de uma geração de crianças (hoje adultos) como um dos vilões mais lembrados (mesmo que o filme em si não o seja).

E é infelizmente só isso que posso falar bem da película ele é dispensável, o enredo pobre, não muito claro e corrido se perdendo numa alegoria sem sentido. O Filme (a versão Ultimate ao menos) tem cenas muito infantis, seguido de cenas muito adultas, não se decidindo por nenhuma vertente e acabando por se tornar uma chatice intragável.

Apesar de tudo, não queria condenar o filme, queria que ele tivesse dado certo e sei que o filme que eu vi não é, nem de longe, o mesmo filme que o diretor Ridley Scott queria fazer.

Pelo que pude ler sobre a produção de A Lenda, aparentemente, o filme inicial idealizado pelo diretor teria cerca de duas horas e meia, seria para adultos e seria muito mais sombrio que oque foi visto na tela. Esta versão inicial foi completamente recusada pelo estúdio, que cortou mais de 65 minutos e obrigou Scott a transformar o filme adulto num filme infantil (coisa que ficou tão forçada que não convenceu). Dizem (e repito, dizem) que a versão britânica ainda carrega a essência adulta e gótica que Ridley Scott queria imprimir ao filme inicial, mas, infelizmente não posso saber pois por mais que tenha caçado um exemplar da versão britânica não consegui de jeito nenhum.

- Veredicto

Por não ser nem infantil, nem adulto e não ter um enredo e nem uma história completa, continua a minha decepção sobre A Lenda, apesar de saber que é o filme favorito de fantasia de muitos e povoar o imaginário de outros tantos com as criaturas que nele contem. Ruim, muito ruim.

- Trailer



- Trivia (algumas delas tiradas do IMDB)

O Goblin Blix é interpretado por uma mulher, a atriz Alice Playten. Alice também dublou a voz de Gump.

O filme começou sua produção em 1982, mas o filme em si só ficou pronto em 1985, três anos depois, devido aos imensos problemas durante a produção.

O Título Original seria “Legend of Darkness” (A Lenda da Escuridão).

O grupo de Heavy Metal Sinfônico Hollenthon, utiliza na música Premonintion Lex Talionis de seu primeiro álbum, Domus Mundi, o discurso inicial da Escuridão bem no meio da música. Adoro a musica e tinha a ouvido incontáveis vezes por anos sem nunca saber que havia sido retirada do filme (já que só vi o filme pequeno e mesmo assim, dublado), assim, quando começou o filme e ouvi a escuridão falando achei muito interessante.

- Bônus

Um trailer feito por um fã ficou talvez mais interessante que o original, por isso o disponibilizo aqui.